Funed lança enquete para escolha do nome de três filhotes raros de cascavel
população irá escolher nome dos novos bebês, dois machos e uma fêmea
Menos de um mês depois de anunciar a reprodução em cativeiro de cobras da espécie Pantherophis guttatus, popularmente conhecida como Corn Snake ou Cobra do Milho, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) comemora o nascimento de três filhotes raros de outras serpentes, fruto do acasalamento de duas subespécies da cascavel Durissus: a fêmea Collilineatus e o macho Cascavella. E você poderá ajudar a escolher o nome dos novos bebês – dois machos e uma fêmea.
Para o filhote fêmea, a equipe do Serviço de Animais Peçonhentos da Funed sugere Ofélia – que significa serpente; Medusa – do grego, feiticeira; e Dora – que significa presente. Na lista de nomes para os machos estão Aimoré – que do tupi-guarani significa aquele que morde; Caiuá – aquele que mora no mato e Palani – nome de origem havaiana que significa selagem. “Ouvimos algumas sugestões, pesquisamos os significados, também consideramos a sonoridade dos nomes e agora queremos a opinião do público”, disse o chefe do Serviço, Rômulo Righi Toledo.
A votação será feita pela enquete disponível na página inicial do site da Funed (www.funed.mg.gov.br) a partir desta terça-feira (6). Até o dia 9, os internautas poderão votar no nome preferido da fêmea. Na semana seguinte (de 12 a 15/03), será a vez de escolher o nome dos machos. No dia 16, a Funed vai confirmar os nomes mais votados. Acesse e participe.
Surpresa
“Foi um acasalamento inesperado, pois as cobras estão em idade avançada de reprodução e ainda fomos surpreendidos pela coloração diferenciada e rara dos filhotes”, afirma o chefe do Serviço de Animais Peçonhentos da Funed, Rômulo Righi de Toledo.
Segundo ele, o desenho formado pelas escamas é uma característica genética das serpentes e, no caso da cascavel, é muito específico em todo o corpo, sempre em tons amarronzados, alguns mais claros e outros mais escuros. “Os filhotes nasceram com desenhos e cores diferentes, com tons amarelados e com losangos apenas nas laterais”, espanta-se Rômulo. Ainda de acordo com ele, essa novidade deve ter ocorrido pelo fato de ser um acasalamento de duas subespécies diferentes. “Esses novos filhotes é como se fossem umas terceira espécie, com desenhos da Collilineatus e da Cascavella em um único corpo”, explica.
O chefe do serviço conta que o casal reprodutor vive em cativeiro na Funed há mais de 20 anos e já reproduziu outras vezes. “As serpentes chegaram aqui em 1988 com cinco anos de idade. Já superaram a expectativa de vida em cativeiro e ainda mais a de reprodução. Não esperávamos pelo acasalamento e fomos realmente surpreendidos pelo nascimento dos filhotes. Sequer notamos a gestação que tem duração de seis meses nessa espécie”, diz.
Pela idade avançada, mesmo sendo peçonhentas, as cobras não são mais utilizadas na Fundação para extração de veneno - que é a matéria-prima usada na produção do soro antiofídico. Segundo Rômulo, o casal é mantido em um terrário no setor de exposição, aberto ao público. “Seus filhotes raros passarão agora por um processo de identificação de sexo e serão cuidados para serem utilizados em pesquisas científicas e exposições”, afirma.
Cativeiro
Atualmente, a Funed conta com 25 exemplares de cascavel. A maioria é usada na produção do soro indicado para o tratamento em caso de acidentes com animais peçonhentos. Por mês, somente as cobras dessa espécie na Funed produzem aproximadamente 1.400 mg de veneno. O suficiente para abastecer a produção de aproximadamente 10 mil ampolas de soro anticrotálico por ano.
O serpentário da Funed ainda conta com outras cobras raras como a Corn Snake, uma espécie norte-americana, a Python sp., encontrada apenas nos Estados Unidos e Ásia. Além das cobras internacionais, conta com espécies de outros estados como B. erythtromelas, B. cotiara, B. leucurus, comuns na região Norte e Nordeste do Brasil.
Cascavel da espécie Durissus (gênero: Crotalus)
As cascavéis possuem um chocalho característico na cauda, e estão presentes em todo o continente americano. As da espécie Durissus, como as reprodutoras da Funed, são mais comumente encontradas do México à Argentina. Gostam de habitar áreas pedregosas e arenosas, e a espécie é dividida em cinco subespécies (no Brasil): Cascavella, Collilineatus, Ruruima, Marajoensis, e Terrificus.
A dentição da serpente dessa espécie apresenta um canal completo ligado à glândula de veneno que facilita a inoculação do seu veneno nas presas. Extremamente tóxico, o veneno atua no sistema nervoso da presa, paralisando suas funções. Geralmente os machos são maiores que as fêmeas e podem atingir 1,5 metros de cumprimento. Alimentam-se principalmente de roedores, ou aves, coelhos e lagartos e são de hábitos noturnos.