Funed reforça atividades para atender demandas de testes
A Fundação Ezequiel Dias (Funed) realiza diariamente testes em amostras com suspeitas de dengue. Nesta época do ano, em que a incidência de casos aumenta devido ao tempo chuvoso, o Laboratório de Dengue e Febre Amarela, do Serviço de Virologia da fundação reforça suas atividades.
BELO HORIZONTE (08/01/07) - A Fundação Ezequiel Dias (Funed) realiza diariamente testes em amostras com suspeitas de dengue. Nesta época do ano, em que a incidência de casos aumenta devido ao tempo chuvoso, o Laboratório de Dengue e Febre Amarela, do Serviço de Virologia da Funed reforça suas atividades.
A bióloga responsável pelo serviço, Sônia Diniz, notou um aumento na demanda de amostras enviadas ao laboratório desde a segunda quinzena de dezembro de 2006, o que já é previsto todo ano no período epidêmico que, segundo ela, se estende de dezembro a maio. “O nosso laboratório está com estrutura reforçada para atender toda a demanda e liberar os resultados das amostras em tempo mínimo”, afirma.
Sônia destaca que também que o laboratório da Funed está apto a atender à demanda de testes dos laboratórios macro-regionais do Estado, implantados em Montes Claros, Teófilo Otoni, Uberaba, Juiz de Fora e Pouso Alegre. E também os municipais de Belo Horizonte, Contagem, Timóteo, Sete Lagoas e Betim (em fase final de implantação). Todos estes laboratórios recebem apoio técnico contínuo de técnicos da fundação, como supervisão de procedimentos, treinamento de pessoal, além da distribuição de kits para realização dos testes.
A partir das confirmações de casos feitas por estes laboratórios é que a Superintendência de Epidemiologia da Secretaria de Estado de Saúde (SES) desencadeia as ações de vigilância, as campanhas e os recursos a serem destinados a cada município.
Projetos de pesquisa
A Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Ezequiel Dias, em 2007, desenvolve quatro novos projetos de pesquisa relacionados a dengue. No Serviço de Microbiologia e Virologia Molecular (SMVM) está em andamento o projeto “Micro RT-PCR” sob a coordenação da bióloga e funcionária Alzira Batista Cecílio. A metodologia consiste em desenvolver técnicas para diminuir o custo do exame de detecção molecular RT-PCR, exame de detecção do vírus. O objetivo é baixar o custo do procedimento para torná-lo mais acessível, diminuindo etapas ou reduzindo o volume de amostra, sem perder a eficácia. A expectativa, segundo Alzira é viabilizar o exame molecular de dengue no Sistema Único de Saúde (SUS), com financiamento do Ministério da Saúde. “Atualmente, a realização deste tipo de exame é muito restrita”, acrescenta.
As vantagens do exame molecular, conforme expõe a bióloga, está em ser mais rápido, específico e sensível que o exame de Sorologia. “É mais indicado em casos de suspeita de dengue hemorrágica, em crianças e diagnósticos abertos, que exigem um diagnóstico mais rápido”, explica Alzira. O exame molecular é feito a partir do vírus detectado na amostra e o de Sorologia, realizado no Laboratório de Dengue da Funed, é feito a partir de anticorpos encontrados no soro do paciente.
O projeto iniciou na Funed em janeiro de 2007 e tem prazo final previsto para junho de 2008. É financiado pelo programa PPSUS, parceria do Ministério da Saúde (MS) com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas (Fapemig).
O segundo projeto de P&D é o “isolamento e sequenciamento do vírus dengue”, iniciado este mês com término estimado em dois anos. Consiste em isolar as amostras de dengue clássica e hemorrágica e fazer o sequenciamento de partes do vírus, para analisar as diferenças e semelhanças entre os tipos de vírus e constatar os tipos das amostras que circulam em Minas Gerais. “Vamos estudar o genoma do vírus”, explica.
A bióloga afirma que os vírus da dengue são heterólogos, ou seja, são diferentes entre si porque se dividem em quatro grupos, que são chamados de sorotipos e ainda se subdividem em mais quatro genotipos. Com o estudo, será possível identificar as amostras que têm potencialidade de ser hemorrágica. Os resultados serão incluídos em um Banco de Dados Mundial sobre Dengue, disponibilizado para consultas na internet pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
O terceiro projeto denominado “Produção de uma proteína recombinante para detectar “Dengue Vírus-2”, consiste na produção de uma proteína que possa ser utilizada no método de Elisa (metodologia de exame que detecta anticorpo circulante na pessoa) e possa diferenciar o sorotipo 2. A molécula é produzida por biotecnologia a partir de uma partícula do vírus dengue e, colocada em contato com o anticorpo da amostra, é capaz de se ligar somente ao anticorpo que combate o dengue tipo 2. A idéia é, posteriormente, criar proteínas que detectem os outros tipos de vírus mas, nesta fase preliminar do projeto, o foco está voltado para o tipo 2.
O resultado esperado, segundo Alzira, é um mapeamento de tipos de dengue. “Trata-se de uma ferramenta epidemiológica para detectar o sorotipo circulante em cada região. Inicialmente, será realizado na região metropolitana de Belo Horizonte, mas poderá se estender ao âmbito nacional”, explica.
Um quarto projeto, “Silenciamento Gênico do Dengue Vírus-2”, propõe o desenvolvimento de um RNA de interferência, uma molécula com provável aplicação terapêutica sobre o vírus da dengue. Essa molécula tem potencialidade de inibir a multiplicação do vírus, já está sendo produzida no laboratório da Funed e será testada em células e diretamente no mosquito vetor e camundongos, em parceira com o Instituto René Rachou/Fiocruz, sob coordenação do pesquisador Paulo Pimenta.
Os pesquisadores objetivam a aplicabilidade terapêutica e o uso em benefício da comunidade. “A ação esperada é semelhante a do antibiótico sobre a bactéria, que inibe a multiplicação das bactérias”, explica Alzira, pesquisadora da fundação.