Gestantes com Doença Falciforme têm atendimento especial
As gestantes com Doença Falciforme enfrentam vários desafios durante a gravidez. São mulheres que precisam de cuidados especiais para o desenvolvimento do feto e para manter o bem-estar. A mulher grávida que tem a doença está sujeita a crises de dor, abortos, trombose e infecções.
BELO HORIZONTE (03/07/09) - As gestantes com Doença Falciforme enfrentam vários desafios durante a gravidez. São mulheres que precisam de cuidados especiais para o desenvolvimento do feto e para manter o bem-estar. A mulher grávida que tem a doença está sujeita a crises de dor, abortos, trombose e infecções.
Objetivando minimizar as dificuldades enfrentadas pelas gestantes portadoras da Doença Falciforme, desde 2004, o Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob-MG), coordenado por meio de parceria da Fundação Hemominas com o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), vem trabalhando com o Projeto Aninha. A iniciativa surgiu como uma forma de as futuras mães terem acesso a acompanhamento de uma equipe multiprofissional, com protocolos de atendimento obstétrico e hematológico. O projeto atende hoje 38 gestantes.
Segundo a médica clínica e supervisora técnica do Cehmob-MG, Milza Cintra Januário, um grande problema observado é que as gestantes têm medo e insegurança por se tratar de uma gravidez de alto risco. Por isso, o objetivo é passar segurança a elas. “O importante é consolidarmos ainda mais a experiência para oferecermos a essas mães mais segurança no pré-natal. Não nos esquecendo nunca do aspecto de humanização durante todo o processo de gestação. Essa casa é dela, a paciente faz parte da nossa equipe”, diz Milza.
O atendimento às gestantes providenciado pelo Projeto Aninha compreende médicos clínicos, psicólogos, assistente social, nutricionista, bibliotecário, hematologistas, neurologistas e obstetras, proporcionando atendimento integral. Além disso, o projeto incentiva a realização de pesquisas científicas com o objetivo de melhorar o atendimento às pacientes, organiza e capacita profissionais de saúde das unidades públicas de pré-natal de alto-risco, promove encontro de equipes, elabora materiais educativos, propicia interação institucional através de visitas às maternidades, e acolhe às pacientes.
A Doença Falciforme é um dos distúrbios genéticos mais frequentes no Brasil e no mundo, atingindo principalmente a população negra. É uma doença hereditária, apresenta suas primeiras manifestações clínicas importantes nos primeiros anos de vida e representa um sério problema de saúde pública no Brasil.
Dados do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) apontam que a incidência da Doença Falciforme no Estado chega a 72 casos em cada 100 mil nascidos e, a cada 30 nascimentos, um é portador do traço falciforme.
Seminário eletrônico
Para proporcionar maior acessibilidade às informações, o Projeto Aninha, através do Cehmob-MG, promove neste sábado (4), das 8h30 às 12h, um seminário eletrônico com o tema “Gravidez, suas Complicações e a Reprodução Humana na Doença Falciforme”. O objetivo do evento é apresentar aos profissionais de saúde de Minas Gerais as especificidades da gravidez na Doença Falciforme. Os participantes do seminário poderão acompanhar as palestras em tempo real, interagir com outros participantes através de chat e também enviar perguntas que serão respondidas pelos palestrantes ao final do evento.
Mais informações sobre o seminário acesse www.cehmob.org.br.
Atendimento Hemominas
De acordo com Patrícia Santos Resende, médica do ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte, unidade da Fundação Hemominas na capital, a participação da instituição no Projeto Aninha é fundamental por se tratar de uma gestação de alto-risco. “O atendimento a essas pacientes ocorre mensalmente, através do pré-natal, em todas as unidades da Hemominas no Estado que possuem ambulatório”, explica.
A importância desse acompanhamento é evitar que, durante a gestação, a paciente desenvolva complicações fetais, como vaso-oclusão placentária, ou seja, diminuição do fluxo sanguíneo para o feto. Patrícia lembra também que a falta de atendimento pode acarretar sofrimento fetal e parto prematuro, além de alta taxa de mortalidade perinatal.
A jovem Larissa Feitosa Santos, 22 anos, grávida de seis meses, faz parte do grupo de gestantes com Doença Falciforme atendidas pelo Projeto Aninha. Já na sua terceira gravidez, é a primeira vez que ela está sendo acompanhada pelo projeto. Emocionada, Larissa relata que é muito importante para a sua gravidez ter acesso a esse atendimento, o que lhe dá mais segurança, não só quanto à gestação como também na hora do parto. “Se a gente quiser viver bem, tem que fazer esse acompanhamento”, pondera.
A jovem foi diagnosticada com a doença quando tinha dois anos e, desde então, vem fazendo tratamento. Larissa chegou a ter um acidente vascular cerebral (AVC) quando era criança. “Não fiquei com nenhuma sequela”, explica.