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Notícia

Governo de Minas está preparado para erradicar a rubéola

Minas Gerais está pronta para cumprir sua parte na meta de erradicar a rubéola nas Américas. Cerca de 10 milhões de pessoas, de 12 a 39 anos, deverão ser vacinados contra a doença no Estado. Estão sendo ditribuídos materiais educativos e insumos para aplicação das vacinas.

Segunda-feira | 04/08/2008 | 13:07·Atualizado em 28/05/2013 | 07:00
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BELO HORIZONTE (04/08/08) - Cerca de 10 milhões de mineiros, de 12 a 39 anos, deverão ser vacinados contra a rubéola no Estado. A medida faz parte do acordo firmado pelo Ministério da Saúde com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e com a Organização Mundial de Saúde (OMS), para erradicação da doença nas Américas, do qual o Brasil é signatário.

Minas está preparada para cumprir a meta. Além da distribuição de material educativo, como cartazes e folderes, para as Gerências Regionais de Saúde (GRS) e os municípios, foi feito o repasse de insumos para aplicação das doses, como agulhas, seringas e caixas térmicas. Além disso, foram firmadas parcerias entre o poder público e a iniciativa privada, no intuito de conscientizar a população sobre a necessidade da vacinação. O próximo sábado (9) marca o início da campanha, que ainda promoverá a segunda etapa da vacinação contra a poliomielite, também conhecida como paralisia infantil. Nas zonas rurais dos municípios, a imunização contra as enfermidades já começou.

“Com a imunização destas pessoas, vamos eliminar a doença do país e, conseqüentemente, a Síndrome da Rubéola Congênita (SRC). A síndrome acontece quando uma mulher grávida contrai a doença, provocando má formação do bebê, que pode nascer com cegueira, surdez ou problemas cardíacos”, explica a coordenadora estadual de imunização, Tânia Brant.

Naiara, de 13 anos, é portadora de surdez profunda devido à SRC, adquirida quando a mãe, Carla Fernandes de Azevedo, estava grávida. Carla contraiu o vírus da rubéola durante as primeiras semanas de gestação. Alertada pelos médicos das conseqüências que a doença poderia trazer para a criança, chegou a pensar em abortar. “Graças a Deus não fiz isto. Hoje minha filha é um dos meus maiores bens. Quando ela nasceu pensamos que não tinha nada, mas com o tempo e com exames percebemos a surdez. Desde cedo Naiara aprendeu a lidar com a deficiência e tem uma vida normal. Estuda, brinca e é muito amada”, comentou a mãe. Ano passado foram confirmados 17 casos de síndrome de rubéola congênita, sendo dois em Minas.

Tânia Brant ressalta que nos últimos dois anos, 20 estados, incluindo Minas Gerais, enfrentaram surtos da doença, e que dos quase 8.700 casos registrados no país, 69% foram em homens. “Eles são nosso principal alvo. As mulheres, que culturalmente freqüentam mais as unidades de saúde para levar seus filhos, acabam se informando mais e assim estão mais suscetíveis a serem imunizadas. Nosso esforço é atrair os homens para que possam se vacinar”, informou. Um grande desafio é o fato da doença não desenvolver sintomas em alguns casos, portanto o indivíduo pode disseminar a rubéola sem nem imaginar que contraiu a enfermidade.

O superintendente de Epidemiologia da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Aníbal Arantes, destaca que esta campanha está em constante monitoramento por organismos internacionais, e que Minas Gerais, por sua diversidade, é o estado mais observado. “Temos a segunda maior população no Brasil a ser vacinada, distribuída em um território muito grande e com 853 municípios, com diferenças sociais, econômicas e culturais entre eles, o que explica uma atenção maior sobre nós”.

Pólio

O dia 9 de agosto também marca a campanha de vacinação contra a pólio. Os pais devem levar seus filhos menores de cinco anos para tomar as gotinhas que protegem contra a paralisia infantil. Apesar de erradicada no Brasil desde 1989, a poliomielite é uma doença que pode deixar graves seqüelas e até levar a morte. Atingir a meta de 95%, de uma população de cerca de 1,6 milhões de crianças, é a única forma de garantir que o vírus, que ainda circula em países da Ásia e África, não volte para o Brasil.

Na abertura oficial das duas campanhas em Minas, que será realizada no sábado, às 9h, na sede da Subsecretaria de Vigilância em Saúde da SES, localizada na avenida Afonso Pena, 2300, Funcionários, será montado um espaço com brincadeiras, oficinas de balão, distribuição de algodão doce, além da já tradicional presença do Zé Gotinha. “Tudo para divertir a criançada e também os pais. Vamos inclusive tirar fotografias das famílias com o tema do Zé Gotinha e presenteá-los. Assim eles levam os filhos para se protegerem da pólio e aproveitam a ocasião para ficarem imunes à rubéola”, destaca Jandira Lemos, Gerente de Vigilância Epidemiológica da SES.

Estrutura

Em Minas Gerais, serão 46 mil pessoas envolvidas no desenvolvimento da campanha, com 5 mil veículos, e 10 mil postos de vacinação, entre fixos e móveis. A campanha terá início em 9 de agosto e término em 12 de setembro em todo país,e será dividida em três etapas. Até o dia 30 de agosto serão estabelecidos pontos de vacinação, com o objetivo de imunizar locais de trabalho, de estudo, com alta concentração de pessoas e atingir população em trânsito. As mulheres que estiverem grávidas no período da campanha receberão a dose após o parto. As duas semanas finais serão marcadas pela última chamada à população e busca ativa dos não vacinados.

A SES já vem tomando uma série de medidas para imunizar os 9,7 milhões de pessoas que devem tomar a vacina. Uma delas, iniciada no mês de julho, foi a vacinação contra rubéola para doadores de sangue. A decisão de antecipar a vacinação para doadores de sangue visa não comprometer a oferta no banco de sangue aos pacientes durante o período de vacinação em massa da população. Isso acontece porque ao doar sangue, a pessoa deve esperar três meses para uma nova doação.

Uma equipe da Gerência Regional de Saúde da Região Metropolitana permanece no Hemocentro de Belo Horizonte de segunda a sexta-feira, de 7h às 21h e aos sábados, de 7h às 18h, para realizar a vacinação após a doação de sangue. Essa é a maior campanha mundial para erradicação da doença, e pretende vacinar no Brasil cerca de 70 milhões de pessoas.

Parcerias

José Carlos Collares, presidente da Associação Médica de Minas Gerais, acredita que a educação e a prevenção são fundamentais. “Hoje em dia a principal função da área de saúde é educar e prevenir, eliminando a possibilidade de manifestação da doença e não mais as ações curativas tradicionais. A Associação Médica reconhece como de fundamental importância participar e colaborar com a campanha, oferecendo referências médicas e técnicas, além da estrutura da Associação para ajudar a SES nessa luta”, afirmou.

Assim, informação e educação são apontadas como ações importantes para prevenir e eliminar a doença em Minas. É o que também acredita o major do Corpo de Bombeiros, Ricardo Eugênio. “Acredito que a unidade pode colaborar de diversas formas com a campanha, principalmente com a divulgação de informação, pois possuímos uma boa estrutura para trabalhar com educação. Disponibilizaremos, se necessário, toda esta nossa estrutura para garantir que a população seja imunizada”, disse.

Avelino Moreira de Araújo é presidente do sindicato dos taxistas e já tem idéia de como a associação poderá colaborar na vacinação contra a doença. “Podemos utilizar os rádio-táxis para divulgar a campanha junto a nossa classe. E também os pontos de táxi poderão exibir os cartazes da campanha. O intuito é cuidar do taxista e de sua família e, assim, amparar uma parcela importante da população, que inclusive tem contato com muita gente. E através do boca a boca, da conversa informal durante uma corrida, podemos transmitir o recado a mais gente”, concluiu.