Logo Agência Minas
Logo da Agência Minas

Notícia

Governo de Minas Gerais apóia reivindicações de produtor rural

Terça-feira | 27/03/2007 | 18:41·Atualizado em 25/05/2013 | 10:42
Compartilhar no Facebook
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no X
Compartilhar no WhatsApp

BELO HORIZONTE (27/03/07) – O alto custo do transporte dos produtos agrícolas é um dos principais problemas enfrentados atualmente pelo agronegócio de Minas e do Brasil, mas há também a dificuldade de armazenagem dos grãos, a redução do poder de compra dos alimentos pela população e o endividamento do campo, entre outras. Para debater com o governo federal estas questões, que dificultam e desestimulam a produção rural, o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gilman Viana, anunciou a disposição de ir a Brasília com lideranças dos produtores e deputados mineiros.

O secretário fez este anúncio durante o debate público sobre “A perda do produtor rural na atual fase de crescimento do agronegócio mineiro e brasileiro”, realizado ontem na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Compareceram também à reunião, proposta pelo deputado Antônio Carlos Arantes, da Comissão de Política Agropecuária e Industrial, o presidente da Comissão, deputado Vanderlei Jangrossi; os deputados estaduais Padre João, Chico Uejo, Getúlio Neiva e o deputado federal Carlos Melles. A mesa foi composta ainda pelo ex-ministro da Agricultura Alysson Paulinelli, o presidente da Faemg, Roberto Simões, e o presidente da Ocemg, Ronaldo Scucato, entre outros. O plenário e as galerias da Assembléia foram ocupados por produtores, dirigentes de sindicatos, cooperativas e outras entidades do setor rural.

Gilman Viana disse que está pronto para mostrar a situação dos produtores ao governo federal, acompanhado de líderes, como os presidentes da Faemg e da Ocemg, além de deputados. “Irei como secretário e produtor rural”, disse, ressaltando que “todos os passos em busca dos instrumentos legais para a preservação da produção de alimentos no Estado serão dados de acordo com a orientação do governador Aécio Neves, porque as questões a serem apresentadas ao governo federal interessam a Minas e ao Brasil.”

O secretário recomendou aos lideres dos produtores rurais que se organizem nos setores respectivos para o fortalecimento das atividades. “Desde já é preciso definir também uma linguagem única, que facilite a cobrança de ações ao governo federal”, enfatizou. Segundo Gilman Viana, “em alguns casos, o que se reivindica e será apresentado ao governo federal é simplesmente o cumprimento da lei, como a definição de preços mínimos para os produtos da agricultura.”

Ônus da atividade

“A renegociação de débitos é questão urgente, assim como a organização do setor de armazenagem, para possibilitar o enxugamento do mercado e a melhor administração dos preços dos produtos agrícolas”, disse Gilman Viana. O secretário destacou também “a necessidade de definição de um programa de infra-estrutura ou logística, com o objetivo de reduzir os custos dos transportes, que absorvem as margens de lucro dos produtores. Esses custos, atualmente concentrados nas rodovias, impossibilitam a obtenção de margens de lucro com os alimentos, cujos preços unitários são os mais baixos da economia.” O problema alcança os produtos tradicionais da agricultura e agora, segundo Gilman Viana, vai afetar também o etanol, que não contará nos próximos anos com uma logística adequada para chegar aos mercados.

De acordo com o secretário, o governo federal incluiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) propostas de melhoria da infra-estrutura, que beneficiariam o agronegócio, mas existe a dependência de licenciamento ambiental, o que pode demorar muitos anos. “As políticas públicas para o setor devem constar de investimentos para a construção de rodovias, ferrovias e o incremento de outros meios de transporte. Além disso, esses programas, caso sejam realizados, incluirão a contratação de serviços que certamente dinamizarão a economia”, disse.

“A incapacidade de consumo da sociedade brasileira é um problema grave”, observou Gilman Viana. “Compram-se cada vez menos alimentos e outros produtos por causa da contenção de renda”, enfatizou. “O país busca níveis de crescimento reduzindo cada vez mais a capacidade de toda a sociedade, e assim o Brasil cresce, há três décadas, menos do que todos os concorrentes mais próximos, entre eles o Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai, Honduras e El-Salvador”, acrescentou. “Sempre há promessas de superação de índices para o segundo semestre e, quando este chega, o governo federal procura explicações para o insucesso.”