Governo do Estado viabiliza estudos para exportação de banana prata
BELO HORIZONTE (10/08/11) – A banana prata deve entrar na relação dos produtos exportáveis do agronegócio mineiro no final de 2012 ou início de 2013. A estimativa é da Associação Central dos Fruticultores de Minas Gerais (Abanorte), sediada em Janaúba, que contratou estudos para solucionar os problemas de conservação da fruta após a colheita, que até agora impossibilitaram as exportações. A banana precisa ser transportada nos contêineres dos navios, por longas viagens, sem perder a qualidade.
Os estudos serão realizados pela Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epamig), vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), e pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). “Quando o problema for superado, o produto terá embarques regulares, a princípio para a União Europeia (UE). Grandes compradores desse bloco já demonstraram interesse pela formalização de contratos”, diz o presidente da Abanorte, Jorge Luís Raymundo de Souza.
Ele afirma que a banana prata tem condições de competir com as variedades conhecidas pelos europeus porque é a mais adequada para saladas de fruta. “Após cortada, ela mantém durante mais tempo o sabor original e não escurece”, explica.
Para o superintendente de Política e Economia Agrícola da Seapa, João Ricardo Albanez, a perspectiva de exportar para a União Europeia é sempre interessante, “em primeiro lugar, porque o nível de exigência dos compradores do bloco é muito alto e serve de referência para a entrada em outros mercados”.
Outro motivo, segundo Albanez, é o fato da Bélgica, país pertencente ao grupo, ser o maior importador mundial de bananas. O último levantamento da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) nesse segmento, mostra que, em 2008, a Bélgica adquiriu cerca de 1,5 milhão de toneladas do produto. Já a Alemanha e o Reino Unido importaram 1,4 milhão e 951 mil toneladas de bananas, respectivamente.
Estímulo à produção
O presidente da Abanorte diz que os europeus já compram a banana nanica (caturra), produzida em Minas. “Agora tanto os importadores da Europa quanto os do Oriente Médio querem a prata”, comemora o empresário, que prevê o fortalecimento da produção e o aumento da participação do Estado na safra brasileira.
De acordo com dados do IBGE, a safra estimada de bananas de Minas Gerais, para 2011, é de 642,8 mil toneladas, cerca de 9% da produção nacional. O Norte de Minas responde por 40,8% da safra mineira. “Temos na região cerca de 11 mil hectares plantados, sendo 90% da prata, e a produção anual dessa variedade alcança 220 mil toneladas”, informa Jorge Luís.
Ele enfatiza que “a possibilidade de exportar banana prata deve estimular os produtores, principalmente se o governo federal ouvir as entidades do setor, como a Abanorte, e suspender a liberação das importações de banana do Equador, pois o mercado não necessita dessa medida para garantir o abastecimento interno”.
Para o empresário Dirceu Colares de Araújo Moreira, conselheiro da Cooperativa dos Produtores de Bananas Prata (Cooprata), sediada em Nova Porteirinha, no Norte de Minas, a perspectiva de exportar o produto para a Europa interessa principalmente aos produtores da região, que já venderam banana caturra no exterior e suspenderam os embarques por causa de problemas de câmbio.
“A cooperativa não terá dificuldade para colocar a banana prata na Europa e depois no Oriente Médio, porque fornecemos atualmente para grandes redes de supermercados no Brasil. Estamos, portanto, habituados a exigências iguais ou superiores àquelas que os importadores costumam fazer”, afirma.
Mercado interno
Segundo Colares, neste inicio de safra, a caixa de 20 quilos da banana prata está cotada em R$ 24,00 e deverá continuar acima de R$ 10,00 inclusive no período de maior oferta, sendo que um valor da ordem de R$ 14,00 já possibilita uma boa renda ao produtor. Ele diz que a boa perspectiva para essa variedade e também para a caturra é reforçada pela possibilidade de ocupar uma parte do mercado interno, antes abastecido por São Paulo, principalmente a partir dos bananais do Vale do Ribeira. A região, que lidera a produção paulista de banana, foi vítima de enchentes nos últimos dias.