Governo e empresários firmam parceria contra gripe aviária
BELO HORIZONTE (26/10/05) – “O fortalecimento da parceria entre o Governo do Estado, empresários e técnicos do agronegócio avícola é de fundamental importância para prevenir a ocorrência da influenza aviária (gripe do frango) nas granjas mineiras.” Esta é a opinião do médico veterinário Nelson Carneiro Baião, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente do Departamento Técnico-Científico da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig).
Para o especialista, “o problema da influenza aviaria é real, mas por enquanto distante do Brasil”. No entanto, ele considera importante a adoção de medidas para o fortalecimento da prevenção da doença, como o encontro realizado nesta terça-feira (25), na Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), sob a coordenação do secretário Silas Brasileiro.
Uma parte da reunião foi dedicada ao exame das providências adotadas pelo Governo de Minas para preservar o gado da contaminação pela febre aftosa. Outra parte do encontro foi para tratar de assuntos relacionados com a gripe do frango. Participaram da reunião, além do secretário Silas Brasileiro, o presidente do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Altino Rodrigues Neto, técnicos dessa instituição vinculada à Secretaria, e dirigentes das entidades ligadas ao agronegócio estadual, como a Federação de Agricultura e Pecuária (Faemg), Federação dos Trabalhadores na Avicultura de Minas Gerais (Fetaemg), Associação dos Frigoríficos de Minas Gerais (Afrig), Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), Associação dos Suinocultores de Minas Gerais (Asemg), além de representantes de indústrias.
O secretário Silas Brasileiro anunciou, na reunião, que será criada uma portaria nomeando um grupo de especialistas que definirão um programa de contingenciamento na avicultura, com o objetivo de estudar novas ações para a prevenção da influenza aviaria. Ele enfatizou a importância da concentração de forças do poder público e da iniciativa privada para garantir o alto nível de prevenção contra a doença. Destacou o papel do IMA, que coordena no Estado o serviço de sanidade animal, acrescentando que essa instituição terá grande responsabilidade, por exemplo, no programa de regionalização da avicultura em Minas Gerais, cuja implantação será feita a partir de janeiro.
Esse programa, proposto pela União Brasileira de Avicultura (UBA) ao governo federal, foi aprovado pelo Ministério da Agricultura e atenderá inicialmente aos Estados do Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná), mais São Paulo e Minas Gerais. De acordo com a regionalização, cada Estado será responsável pela gestão da sanidade avícola em relação direta com os compradores, que assim cuidarão de enviar seus técnicos para avaliar as condições de produção daquela região e conhecer os relatórios do respectivo órgão oficial de sanidade animal. Cumpridas todas as exigências, cada Estado terá autonomia para exportar, e não sofrerá embargo ou restrição à exportação se ocorrer problema sanitário com aves em outras regiões do país.
Os preparativos do programa de regionalização da avicultura seguem normalmente. Silas Brasileiro explica que a avicultura estadual amadureceu muito enfrentando e vencendo problemas sanitários, como a doença de newcastle, gumboro e outras. “O setor tem características próprias, que facilitam o trabalho de prevenção, entre elas, o fato de a produção avícola estar concentrada nas mãos de poucas empresas, que por sua vez contam com o suporte de centenas de granjas integradas”. Essas granjas, segundo o secretário, recebem das empresas às quais são integradas a matéria-prima, insumos, muitas vezes também o aval para financiamento de sua expansão, bem como orientação para a produção. “Portanto, é por este meio que se deve fazer a conscientização dos produtores para a manutenção das normas de sanidade.”
A influenza aviaria provoca perdas econômicas e até a morte de pessoas, caso o vírus seja o H5N1 (há outros 14, que não matam). De acordo com a Avimig, há razões para o governo estadual se preocupar com a questão, pois Minas Gerais conta com um plantel de 316 milhões de frangos ou 680 mil toneladas, representando 8% da produção nacional. Segundo maior produtor de ovos do Brasil, atrás de São Paulo, o Estado coloca no mercado 6,6 milhões de caixas de 30 dúzias por ano, que representam 14% da produção nacional. Em Minas há 360 milhões de pintos de corte, ou 8,42% da produção nacional, e 17 milhões de pintainhas de postura comercial, que representam 27% da produção brasileira. A exportação de carne de frango, em 2004, foi de 77.792 toneladas, ou 3,5% das exportações brasileiras do setor.
As granjas avícolas mineiras consomem anualmente 1,8 milhão de toneladas de milho, 700 mil toneladas de farelo de soja, e dois bilhões de doses de vacinas veterinárias. O conjunto dos segmentos da avicultura estadual gera mais de 300 mil empregos diretos e indiretos.