Governo prorroga campanha de sensibilização de bandas civis
A Secretaria de Cultura prorrogou até 24 de outubro a campanha de sensibilização para orientar, cadastrar e atualizar documentos de bandas civis do Estado. As bandas com cadastro e registro regular estarão aptas a participarem do Programa de Apoio às Bandas Civis de Música de Minas.
BELO HORIZONTE (01/10/08) - A campanha de sensibilização para orientar, cadastrar e atualizar documentos de bandas civis do Estado, realizada pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais, por meio da Diretoria de Informação e Fomento da Superintendência de Ação Cultural, segue até o dia 24 de outubro. As corporações cadastradas e com registro regular estarão aptas a participarem do Programa de Apoio às Bandas Civis de Música do Estado de Minas Gerais. Criado há mais de 20 anos, o programa realiza doação de instrumentos, e promove, em várias cidades, oficinas, cursos de regência, instrumentos, percepção musical e reparo de instrumentos, capacitando os músicos a darem continuidade a uma das expressões culturais mais fortes do Estado.
A campanha, que foi lançada há três meses, tem como objetivos esclarecer dúvidas quanto ao programa, atualizar os cadastros existentes e efetuar novos registros de bandas civis. Atendendo a pedidos de corporações de todo o Estado, principalmente do interior, a mobilização promovida pela Secretaria de Estado de Cultura foi prorrogada.
Para serem beneficiadas, as bandas civis devem enviar ofício manifestando a necessidade e especificando os instrumentos de que necessitam, o fato de não terem sido contempladas com a doação de instrumentos nos últimos três anos, além de estar com o cadastro atualizado. Doação de instrumentos, cursos de reciclagem e encontros de bandas são algumas das ações previstas para o Programa que se destina, exclusivamente, às bandas civis – não se encaixam no programa as fanfarras e bandas marciais, eletrônicas, de música popular, militares e de igrejas.
Mais informações pelos telefones (31) 3269-1119 e 3269-1086, através do e-mail dif.sac@cultura.mg.gov.br, ou na sede da Secretaria: Palacete Dantas, Praça da Liberdade, 317, Funcionários, Belo Horizonte/MG, CEP 30.140-010.
Dois séculos de tradição
Patrimônio cultural de Minas há mais de 200 anos. Genuína manifestação artística conduzida pelas mãos e sensibilidade de amadores anônimos. Assim são as bandas civis de música, que das ruas e praças públicas com seu som contagiante, têm o poder de perpetuar uma tradição musical típica do Estado. Em Minas Gerais, existem mais de 800 bandas civis, que reúnem cerca de 30 mil músicos de diversas idades. “As bandas civis têm importância fundamental na vida musical, social e cultural do interior de Minas, perpetuando gêneros abandonados pela música comercial”, afirma o secretário de Estado de Cultura, Paulo Brant.
No século XIX, diante da iminente invasão de Portugal, D. João VI, reconhecendo as forças de Napoleão, fugiu para a colônia transferindo sua Corte para o Rio de Janeiro, em 1808. Trouxe consigo uma banda de música, a fim de que tocasse nas cerimônias oficiais as composições conhecidas na metrópole. Entretanto, em 1774, ou seja, quase meio século antes, na cidade de Mariana, um senhor de idade, conhecido como Pedro Novalasco da Costa Athayde, teria regido uma corporação musical identificada como a primeira banda de música que se tem notícia no Brasil.
Uma das descendentes da banda de Pedro Novalasco é a Corporação Musical São Sebastião de Cláudio Manoel, criada em 1891, em Mariana, e atuante até hoje. Funcionando precariamente, seus arquivos iniciais se perderam no tempo. Como outra instituição desta natureza, viveu períodos de glória, mas também enfrentou fases difíceis e quase acabou, voltando a ser reorganizada e fortalecida, em 1976. Hoje é uma das grandes expressões da cultura do município de Mariana.
Há mais de 20 anos integrando a Corporação Musical São Sebastião de Cláudio Manoel, Nivaldo Marciano da Conceição, 37, é, há 13 anos, o maestro da banda. Ele conta que começou como aprendiz, e logo se tornou o músico responsável pelo bombardino (instrumento de sopro), até assumir a regência da corporação. Nivaldo, que não esconde o prazer de ser músico, explica que desenvolveu seu talento, ainda na adolescência, a partir do aprendizado com músicos antigos da banda, e se aperfeiçoou por meio dos cursos de maestro e saxofonista oferecidos pelo Programa de Apoio às Bandas de Música, da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais. Atualmente ele ministra oficinas de diversos instrumentos para crianças e jovens da cidade, segundo ele, “para não deixar acabar a tradição e mostrar o valor que a banda de música tem para nossa cultura”.
E, quem pensa que banda é coisa do passado está equivocado. A Sociedade Musical Lira da Paz, de Ravena, distrito de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem 33 integrantes, que têm de nove a 22 anos. Apenas três músicos passaram dos 50: dois têm 50 anos e um tem 80 anos. O maestro Carlos Antônio também é jovem, tem 31 anos. Outro detalhe, a banda existe desde 1902 e foi reformulada em 2000.