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Notícia

Governo reestrutura programa de organização e gestão em Minas Gerais

Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais anunciou a reestruturação do Programa de Organização e Gestão da Pecuária Bovina de Minas. As alterações fazem parte de resolução que o secretário assinou durante a 19ª Exposição Agropecuária, Comercial e Industrial de Paracatu.

Quinta-feira | 28/07/2005 | 10:14·Atualizado em 26/05/2013 | 19:47
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BELO HORIZONTE (28/07/05) – O Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Silas Brasileiro, anunciou ontem a reestruturação do Programa de Organização e Gestão da Pecuária Bovina de Minas Gerais (Propec), do Governo do Estado. As alterações fazem parte de uma resolução que o secretário assinou durante a abertura 19ª Exposição Agropecuária, Comercial e Industrial de Paracatu, na região Noroeste do Estado.

O Propec foi criado para agregar qualidade e produtividade à pecuária, proporcionando mais lucro e emprego no setor rural mediante a adoção de cruzamentos que resultem em gado meio-sangue holandês e zebu (F1), apto a produzir muito leite e gerar bezerros de qualidade para recria, engorda e corte.

Como se sabe, as vacas holandesas dão muito leite. Porém, seus bezerros, em geral, morrem cedo. Outra desvantagem - para pequenos pecuaristas - é que o gado holandês exige um trato bastante caro. Já o gado zebu dá pouco leite. Mas os bezerros sobrevivem mais facilmente e o trato é bem mais barato.

A mistura dos dois gera vacas que dão muito mais leite do que o gado comum, embora em menos quantidade do que as holandesas, e bezerros que podem ser aproveitados pelos pecuaristas como gado de corte. O gado F1 é um projeto pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, a Epamig. Ele promete revolucionar a pecuária mineira de leite - a produção tende a subir exponencialmente na medida em que o F1 for disseminado entre os criadores - e reforçar a pecuária de corte.

Com as alterações introduzidas na resolução que criou o programa, será simplificado e desburocratizado o acesso do produtor ao Propec. Também serão feitos ajustes que resultarão em maiores facilidades para a aquisição dos animais, graças à flexibilização do acesso dos produtores ao crédito com as instituições bancárias parceiras do governo do Estado no programa. Além desses benefícios, será incluída nas normas uma estratégia visando aumentar a oferta de matrizes F1 a partir de núcleos regionais no Estado.

Prorrogação de dívida agrícola

Hoje, o secretário vai a Brasília onde participa de reuniões com integrantes dos Ministérios do Planejamento, da Agricultura e da Fazenda a fim de reforçar a solicitação do governo de Minas Gerais para inclusão dos produtores do Estado nas medidas de prorrogação das dívidas de custeio, fixando seus novos vencimentos para março e abril de 2006. Nesta quinta também deverá ser aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) a prorrogação em benefício dos produtores dos Estados do Centro-Oeste, Tocantins, Maranhão e Bahia.

Nas reuniões com representantes dos ministérios, Silas pretende enfatizar a gravidade da situação em Minas com o objetivo de fazer chegar a reivindicação ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O secretário espera que a solicitação dos mineiros seja integrada aos temas a serem apreciados pelo CMN.

De acordo com o secretário, os produtores mineiros enfrentam as mesmas dificuldades que os agricultores do Centro-Oeste, Tocantins, Bahia e Maranhão. Para os produtores destas regiões, o Ministério da Agricultura já anunciou que as parcelas de junho/julho e agosto foram prorrogadas para março e abril de 2006, num total de R$ 1,8 bilhão.

Segundo o secretário de Agricultura de Minas, "nossos agricultores estão endividados, seja por terem sido atingidos por dificuldades climáticas, seja pelo aviltamento dos preços, acentuados com a baixa cotação do dólar." Silas Brasileiro pretende enfatizar, no encontro com os representantes dos ministérios, as conseqüências desses problemas para a agricultura estadual. Para mostrar as dificuldades enfrentadas pelos agricultores e pedir a extensão do benefício, o secretário enviou uma correspondência também ao vice-presidente da República, José Alencar Gomes da Silva.

O governo estadual recebe as informações sobre os problemas enfrentados pelos produtores por meio dos técnicos das entidades vinculadas à Seapa (Emater-MG, IMA, Epamig e Ruralminas), que atuam em unidades espalhadas pelo Estado. Além disso, as lideranças rurais têm feito contatos com a Seapa a fim de pedir a interferência do governo. Uma das correspondências é assinada pela Comissão de Agricultura de Buritis, vinculada ao Sindicato Rural do município. Segundo os produtores, especialmente no caso da soja e do milho, ocorrem grandes prejuízos e a impossibilidade de pagar as parcelas de custeio, bem como quitar dívidas junto aos fornecedores, porque houve uma grande queda de renda nas fazendas.