Grupo relata experiência australiana em mineração e meio ambiente
BELO HORIZONTE (21/05/07) – Dois estados com economias em parte movidas pela exploração mineral, mas com fortes preocupações no sentido de que a atividade seja sustentável - os governos de Minas e do Estado de Queensland, no Nordeste da Austrália -, estão mantendo e intensificando acordo de cooperação nesse sentido há quase quatro anos.
Cinco representantes mineiros estiveram no país para visitar instituições públicas e privadas das áreas de mineração e meio ambiente, com o objetivo de trocar experiências e conhecimentos. Nesta segunda-feira (21), em palestra na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), o grupo teve a oportunidade de compartilharr um pouco a experiência.
Desde que o memorando de entendimento foi firmado pela Subsecretaria de Assuntos Internacionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico junto a Queensland, mineiros e australianos têm feito visitas mútuas. Entre 2004 e 2005, técnicos da Austrália fizeram estágios técnicos no Estado. No ano passado, foi a vez dos mineiros embarcarem para a Oceania.
A equipe de cinco pessoas era composta por representantes da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), do Instituto Estadual de Florestas (IEF), do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e da empresa siderúrgica Gerdau Açominas. De 20 de outubro a 20 de dezembro, a comitiva mineira percorreu 12 das principais cidades do estado australiano.
“Nossa meta foi levar informações sobre a atuação das entidades daqui, como as políticas ambientais do Sistema Mineiro de Meio Ambiente (Sisema) e trazer conhecimento sobre o que está sendo feito de interessante lá”, resumiu o gerente da divisão de minerais não-metálicos da Feam, Caio Márcio de Benício Rocha.
O grupo contou que visitou dezenas de instituições, de órgão governamentais voltados para o desenvolvimento econômico ou gestão do meio ambiente, passando por consultorias especializadas em sustentabilidade de negócios que envolvam exploração mineral, até indústrias de médio e grande porte espalhadas por Queensland.
“Conhecemos também instituições de pesquisa que fazem trabalhos bastante interessantes como teste de segurança em minas, reabilitação de áreas mineradas e transferência de tecnologia voltada para o setor”, comentou Maria Luiza Ramos, representante do Igam na comitiva.
A visita serviu também para mostrar as diferenças de políticas ambientais, que variam de país para país. Na Austrália, a impressão captada pelo grupo é de que as regras ambientais são bastante simplificadas, o que funcionaria bem para os australianos dificilmente serviria para o contexto brasileiro.
Além das informações sobre mineração e políticas ambientais, o grupo trouxe também sugestões para as pautas dos próximos encontros. Uma delas foi o setor de fertilizantes e a outra o de biocombustíveis. “Em Queensland se planta muita cana-de-açúcar. Eles estão bastante interessados em conhecer melhor nossa tecnologia de etanol e biodiesel”, contou Rocha.