Hemominas abre suas portas para intercâmbio com angolanos
BELO HORIZONTE (08/04/11) - A Fundação Hemominas recebeu, nesta quinta-feira (7), o médico pediatra angolano, Luis Bernardino e o especialista em Tecnologia da Informação, Monteiro Bila, ambos do Hospital Pediátrico de Luanda, capital de Angola, África. O objetivo da visita foi conhecer o funcionamento em rede da Hemominas e, principalmente, o tratamento integral ao paciente falciforme que é realizado nos 13 ambulatórios da fundação em todo o Estado.
Os visitantes foram recebidos pela presidente da Hemominas, Júnia Cioffi, pelo vice-presidente, Christiano Augusto Bicalho Canedo, e por membros das diretorias Técnico-científica e Atuação Estratégica.
“Estamos honrados em poder compartilhar conhecimento com a Angola neste projeto-piloto em doença falciforme. É nossa responsabilidade social, como instituição pública da área de saúde, contribuir com a troca de experiência com outros países que apresentam carências no campo da doença falciforme, além de permitir que os nossos técnicos adquiram uma maturidade por meio do conhecimento de outras realidades”, afirma Júnia Cioffi.
Para os técnicos angolanos, a realidade da doença falciforme no país africano tem muito que melhorar. Com o tratamento centralizado em Luanda, o que dificulta um registro exato de portadores da doença no país, estima-se que, anualmente, 8 mil crianças nasçam portadoras de doença falciforme em Angola. No ano passado, foram registrados 1,4 mil novos casos. “Desses novos casos, 50% morrem antes de completar cinco anos”, informa o médico angolano.
Ainda de acordo com Luis Bernardino, conhecer os processos de gestão hemoterápica da Hemominas é muito encorajador e relevante para se desenvolver o atendimento ao doente falciforme em Angola. Já para o responsável pela Tecnologia da Informação do Hospital Pediátrico de Luanda, Monteiro Bila, é interessante e positivo a troca de informações durante a estada no Brasil. Além de Belo Horizonte, os técnicos estiveram também no Rio de Janeiro. Apenas o médico pediatra segue para Salvador, Bahia, estado brasileiro com grande incidência da doença. A visita integra o Acordo de Cooperação que o Brasil possui com os países africanos.
Doença Falciforme
A doença falciforme é um dos distúrbios genéticos com maior incidência no mundo e no Brasil. O continente africano é um dos locais que mais registra essa condição genética, já que a doença é mais presente na raça negra. Desde 1998, Minas Gerais, em uma ação pioneira por meio do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad)/Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realiza a Triagem Neonatal, conhecida como o Teste do Pezinho, para precocemente diagnosticar a doença falciforme e outras hemoglobinopatias. A identificação precoce da doença apresenta um avanço para o seu tratamento e, consequentemente, na qualidade de vida dos pacientes.
A Fundação Hemominas é a instituição responsável pelo acompanhamento hematológico, elaboração de tratamento, capacitação de profissionais de saúde e de ensino e pesquisa em doença falciforme em Minas Gerais.
Segundo a hematologista da Fundação Hemominas, Mitiko Murao, “o atendimento é considerado diferenciado por ser um atendimento multidisciplinar, com várias especialidades, como enfermagem, fisioterapia, odontologia, pedagogia, psicologia e serviço social. Esse atendimento integral, além do diagnóstico precoce, propicia melhor qualidade de vida àqueles que possuem a doença”.
Atualmente, a Hemominas atende cerca de 6 mil pacientes cadastrados com hemoglobinopatias, a maioria doença falciforme. “Estamos abertos para que os técnicos de angola venham conhecer o atendimento integral a esses pacientes”, finaliza Júnia Cioffi.