Hemominas comemora 24 anos com prestígio internacional
A Fundação Hemominas completa 24 anos tendo seu trabalho reconhecido dentro e fora do país. A instituição responde por 90% das transfusões de sangue no Estado, pelo cadastro de candidatos à doação de medula e, em breve, pelo processamento e conservação de tecidos humanos.
BELO HORIZONTE (09/01/09) - A Fundação Hemominas comemora no dia 10 de janeiro, 24 anos, tendo seu trabalho de gestão na política de sangue estadual reconhecido nacional e internacionalmente. Instituição do Sistema Único de Saúde (SUS), responde por 90% das transfusões de sangue realizadas no Estado, pelo cadastro de candidatos à doação de medula e, em breve, pelo processamento e conservação de vários tipos de tecidos humanos. Vinculada à Secretaria de Estado de Saúde, a Hemominas segue as diretrizes técnicas e legais do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A gestão em rede de suas 23 unidades – sendo uma unidade administrativa; sete hemocentros; nove hemonúcleos; dois postos de coleta e agências transfusionais; um posto de coleta e três agências transfusionais em hospitais – foi reconhecida pela Associação Americana de Bancos de Sangue (AABB/EUA) como um modelo inovador, merecendo destaque e publicação de um artigo sobre o assunto na revista oficial daquela instituição.
Incrementando sua atuação no Estado e fortalecendo a participação dos gestores SUS, está prevista, para 2009, a inauguração de mais uma unidade em Poços de Caldas, resultado de parceria entre Secretaria de Estado de Saúde/Hemominas e prefeitura municipal. Além disso, a gestão em rede possibilita a mobilização dos doadores voluntários em todo o Estado para garantir os estoques de hemocomponentes necessários aos pacientes, quando unidades estão impedidas de coletar sangue em momentos críticos, como chuva intensa em determinado município ou região. Para se ter uma idéia da abrangência da política estadual de sangue, a Hemominas prestou serviços hemoterápicos a 519 estabelecimentos de saúde em 294 municípios mineiros, em 2008.
Somente no ano passado, a Hemominas realizou em seus ambulatórios cerca de 76 mil consultas de hematologia, infectologia, ortopedia, odontologia, fisiatria, fisioterapia, de apoio psicossocial e pedagógico aos pacientes com hemoglobinopatias e coagulopatias. Registrou o comparecimento, em toda a rede estadual, de mais de 340 mil candidatos à doação de sangue e de mais de 40 mil cadastros de candidatos à doação de medula óssea, o que mereceu do Instituto Nacional do Câncer/Ministério da Saúde o reconhecimento como a instituição hemoterápica que mais cadastrou candidatos no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), colocando Minas Gerais como terceiro Estado brasileiro no ranking de cadastros efetuados.
Ampliando ainda mais sua área de atuação, a Hemominas terá, em 2010, outra unidade singular. O Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais (Cetebio) será uma unidade da Fundação Hemominas especializada no processamento e na conservação de vários tipos de tecidos humanos para utilização em transplantes ou enxertos. Vai disponibilizar prioritariamente para o SUS tecidos humanos e materiais biológicos seguros – tecidos musculoesqueléticos, pele, sangue de cordão umbilical e placentário, além de concentrado de hemácias raras –, com alta qualidade técnica.
O Cetebio vai ser o primeiro banco integrado público de tecidos da América do Sul e está sendo implantado pelo Governo de Minas Gerais em parceria com o Governo Federal. Em 2008 foram assinados os convênios para aporte financeiro ao projeto Cetebio com a Fapemig e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com a interveniência da Secretaria de Estado de Saúde e do Instituto Nacional do Câncer.
Acordo de cooperação
Na semana de aniversário da Hemominas, representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), da UFMG e do Ministério da Saúde reuniram-se com técnicos da Hemominas para discutir e planejar ações de cooperação técnica na abordagem, atendimento e melhoria de vida dos pacientes com doença falciforme nas Américas.
Micheline Marie Meiners, representante da área de doença falciforme da Organização Pan-Americana de Saúde, comentou que na hemorrede nacional, a Hemominas é referência para a doença falciforme e que há interesse da Opas em conhecer o atendimento, mais que a tecnologia, para levar essa experiência de Minas Gerais para outros países. Ela disse que a cooperação Estado/Opas na América Central tem tido resultados expressivos e que os desafios quanto à hemoterapia no Haiti, por exemplo, podem ser uma oportunidade de cooperação com impactos relevantes na saúde da população.
Júnia Cioffi, diretora técnico-científica da Hemominas, relatou que a Fundação já fez parceria com a Bolívia em 2007, participando da elaboração e revisão das normas técnicas em hemoterapia e hematologia daquele país. “Existem já ações de parcerias com hemocentros em alguns países americanos, como Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Venezuela, Estados Unidos e Canadá, tanto na hemoterapia e hematologia, quanto no processamento de outros tecidos além do sangue. A cooperação com a Opas amplia as possibilidades de resultados eficazes”, salienta.
José Nélio Januário, responsável pelo Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) – órgão complementar da Faculdade de Medicina da UFMG, explicou que o acordo de cooperação com a Opas prevê a troca de experiência e conhecimento, de articulações internacionais e não aporte de recursos. Para o professor César Vieira, que esteve muitos anos fora do Brasil e é representante daquela organização em outras áreas de cooperação, há interesse da organização em estabelecer com Minas Gerais cooperação também em outras áreas, além da doença falciforme. Ele disse que um convênio nesses termos já foi firmado com o estado da Bahia, por intermédio da Secretaria de Estado da Saúde.
Referência nacional
A representante da área de doença falciforme da Coordenação da Política Nacional de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Joice Aragão de Jesus, salientou que a Hemominas é referência no Brasil para a doença falciforme e que a gestão em rede da Fundação obtém melhores resultados no atendimento aos falcêmicos, o que a difere dos outros estados em que os hemocentros são independentes, resultando em ações pontuais. Além do atendimento ambulatorial da Hemominas, a criação, em 2004, do Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias em Minas Gerais é uma marco nacional na assistência aos pacientes.
O Centro de Educação e Apoio para Hemoglobinopatias (Cehmob) é resultado de uma história de integração de conhecimentos voltados para melhorar o atendimento aos pacientes com alterações na hemoglobina. Desde os anos noventa, a Hemominas realiza o atendimento a essas patologias genéticas. Em 1998, quando a Secretaria de Estado de Saúde incluiu na triagem estadual neonatal o diagnóstico da doença falciforme, o Nupad/UFMG e a Hemominas estreitaram as ações conjuntas e buscaram condições para ampliar a expectativa de vida dos pacientes.
O Cehmob tem coordenação técnica do Nupad e da Hemominas, em parceria com a Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia de Belo Horizonte e Região (Dreminas), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, o Ministério da Saúde, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte. Promovendo a atenção integral à pessoa com doença falciforme, o Cehmob realiza treinamentos a distância para profissionais da atenção básica de saúde, médicos e outros, bem como apoio assistencial a pacientes e suas famílias em âmbito estadual. O Centro disponibilizou, em Minas Gerais, o telefone 0800 722 65 00, com funcionamento 24 horas para atendimento em tempo real de dúvidas e orientações tanto para profissionais de saúde, quanto para familiares.