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Hemominas leva pacientes e funcionários a exposições

Segunda-feira | 14/09/2009 | 14:31·Atualizado em 29/06/2013 | 03:17
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BELO HORIZONTE (14/09/09) - Cerca de 30 pacientes e funcionários do Ambulatório da Fundação Hemominas de Belo Horizonte participaram na sexta-feira (11) de uma visita às exposições “Rodin: do Ateliê ao Museu – Fotografias e Esculturas” e “O Mundo Mágico de Marc Chagall: o Sonho e a Vida”, na Casa Fiat de Cultura. As exposições realizadas na capital mineira integram a celebração do Ano da França no Brasil.

A iniciativa da Hemominas faz parte das atividades propostas pelo Grupo de Humanização do Ambulatório - formado por funcionários das áreas de Serviço Social, Psicologia, Pedagogia, Fisioterapia, Odontologia, Enfermagem, Farmácia e Cadastro – e se encaixou no programa educativo elaborado pela Casa Fiat de Cultura especialmente para atender grupos, professores e alunos de escolas públicas e privadas.

De acordo com Regina Cássia de Souza, assistente social do Ambulatório do Hemocentro de Belo Horizonte, o objetivo da visita às exposições é o de envolver pacientes, trabalhadores e gestores na reflexão e no avanço da política de humanização da instituição. “Queremos propiciar um momento de interação entre essas pessoas. O convite foi direcionado a pacientes e funcionários que já expressaram em outros momentos interesse pelas artes”, explica Regina. Segundo a assistente social, a proposta agora é realizar uma oficina de artes para os participantes. “Será um momento em que eles poderão expressar suas ideias e seus sentimentos a partir do que viram na exposição”, conclui.

A visita do grupo da Hemominas foi orientada por educadores capacitados pela Casa Fiat de Cultura, o que possibilitou que cada visitante construísse um olhar particular sobre as obras de arte e compreendesse um pouco da história de cada artista e de cada peça. Os olhos atentos para a explicação dos educadores comprovaram o quanto a paciente Rosalina de Jesus estava interessada em saber de onde saíram as inspirações de artistas consagrados como o escultor francês Auguste Rodin e o pintor bielorusso Marc Chagall. “Eu estou maravilhada com a beleza dos trabalhos. A obra que eu mais gostei e que mexeu muito comigo foi ‘A Meditação sem Braço ou A Voz Interior’, de Rodin”, conta Rosalina. Ela enfatiza que gosta muito de arte e que isso é importante para que ela saia um pouco do cotidiano da sua doença, a Anemia Falciforme. “Sempre que eu posso procuro ir às exposições que acontecem no Palácio das Artes”, pontua.

Com apenas 9 anos, Tássia Ludmila Gonçalves Machado, paciente de Anemia Falciforme desde os dois meses de idade, já demonstra interesse pela arte. Antes de entrar na exposição, Tássia não conseguiu esconder a ansiedade. “Eu gosto muito de cores, de desenhar e de pintar. Acho que vou gostar do que vou encontrar”, disse a menina com um sorriso no rosto. Para Liliane Neves Gonçalves Machado, mãe da paciente, a iniciativa da Hemominas é extremamente importante, pois propõe diminuir os limites ao acesso à arte e à cultura. “Arte e cultura devem ser levadas a todos, independente da classe social e do estado de saúde. Essa é uma oportunidade que não se tem todos os dias”, opina.

O paciente João Batista Conceição de Paulo acredita que, além de ter contato com uma exposição tão rica, a participação no passeio também é uma forma de trocar ideias e reforçar o ciclo de amizade que é feito dentro do Ambulatório da Fundação. “Eu estava pensando em vir sozinho. Quando fiquei sabendo da oportunidade de vir com os amigos, mudei de ideia”, conta João Batista que descobriu que tinha Anemia Falciforme em 1992.

Incentivo

Regina Cássia de Souza diz que não é a primeira vez que os pacientes e funcionários da Hemominas saem do cotidiano do Ambulatório para um momento de reflexão e interação. Segundo ela, o Serviço Social já coordenou um projeto chamado “Artes no HBH”, que envolveu pacientes do hemocentro e monitores da Escola Guignard e que resultou na produção de diversos trabalhos e na organização de visitas a exposições que aconteceram em Belo Horizonte, como da escultora francesa Camille Claudel; do pintor catalão Salvador Dali; de Grafiteiros de New York e do Grupo Giramundo.

Para a Gerente Técnica do Hemocentro de Belo Horizonte, Maria Regina Bastos, o passeio foi muito válido porque conseguiu integrar funcionários e pacientes, reforçando assim o programa de humanização do Ambulatório. “Nós queremos continuar com atividades como essas e reiniciar a antiga oficina de arte que era promovida junto aos pacientes nas dependências do hemocentro”, afirma. Ainda segundo a gerente, a intenção é promover passeios não só direcionados ao campo artístico, mas também educativo e ambiental. “Queremos com isso ampliar o olhar e os horizontes dessas pessoas”, finaliza.