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Hemominas registra casos efetivados de doação de medula

Quinta-feira | 27/08/2009 | 14:56·Atualizado em 24/05/2013 | 22:33
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PASSOS (27/08/09) - A solidariedade dos mineiros anda em alta. Além de ser um dos campeões no quesito número de cadastros no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), com cerca de 190 mil cadastros desde 2000, o Estado também ajuda a aumentar número de doações efetivadas no país. Em 2009, segundo o Redome, já foram feitos 56 transplantes de medula óssea em todo o Brasil.

Um bom exemplo desse gesto de amor ao próximo é o estudante de webdesign Nivaldo dos Santos Pereira, de 25 anos. Doador de sangue desde os 18, ele fez seu cadastro como voluntário para doação de medula óssea na unidade da Fundação Hemominas de Passos, no Sul de Minas, no final de 2007. Há cerca de quatro meses, ele recebeu uma boa notícia, por meio do contato do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Poderia ser compatível com um paciente que necessitava do transplante de medula óssea.

O processo teve início em Passos, onde Nivaldo fez alguns exames que confirmaram a compatibilidade com o receptor. Após essa etapa, ele esteve no Rio de Janeiro para receber os esclarecimentos necessários sobre todo o processo de doação de medula, confirmar sua disponibilidade em ser doador e fazer outros exames complementares. Confirmados os resultados, Nivaldo foi novamente ao Rio, há duas semanas, desta vez acompanhado, para finalmente efetivar a doação. Como não é possível ter acesso sobre os dados completos do receptor da medula, Nivaldo soube apenas que seria uma menina de 6 anos, da cidade de Curitiba, no Paraná.

“É muito satisfatório, como cristão, saber que uma parte sua vai dar esperança de vida a outra pessoa, principalmente uma criança”, comemora Nivaldo. “Ainda mais porque é muito difícil encontrar pessoas compatíveis, até mesmo entre os familiares”, completa. Nivaldo está certo. A compatibilidade para a doação de medula óssea é de 25% para pessoas da mesma família e de um para 100 mil entre pessoas não aparentadas. Segundo especialistas, um dos motivos é a grande miscigenação do povo brasileiro, o que faz o país ter uma diversidade genética muito grande.

Nivaldo também confirma que o processo de doação de medula é tranquilo e que teve a oportunidade de esclarecer todas as suas dúvidas. “Tudo foi muito bem explicado. A doação não dói, é muito segura e não tem nenhuma sequela”, finaliza.

É com exemplos como esse que a Fundação Hemominas pretende aumentar ainda mais o número de doadores voluntários. De janeiro a julho deste ano já foram cadastrados, em todo o Estado, mais de 25 mil candidatos à doação de medula, dado levantado pela Gerência de Captação de Doadores da instituição. Em 2008, Minas Gerais, por meio da Hemominas, foi homenageado pelo Inca, por ser um dos estados que mais contribuíram no cadastro de doadores voluntários no país.

A Hemominas, além de receber os interessados a serem candidatos à doação de medula nas suas unidades no Estado, também realiza cadastros fora do seu espaço físico. A Fundação leva os equipamentos necessários para o trabalho em universidades, igrejas, empresas, escolas, comunidades e instituições. A infraestrutura para este trabalho é simples e permite uma maior abrangência no atendimento.

Medula

A medula óssea é encontrada no interior dos ossos, sendo popularmente conhecida como “tutano”. Ela é responsável por produzir os componentes do sangue, incluindo as hemácias ou células vermelhas, responsáveis pelo transporte do oxigênio na circulação; os leucócitos ou células brancas, agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo; e as plaquetas que atuam na coagulação do sangue.

O transplante de medula óssea é indicado geralmente para casos de leucemia. A leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos) de origem, na maioria das vezes, não conhecida. Ela tem como principal característica o acúmulo de células jovens (blásticas) anormais na medula óssea, que substituem as células sangüíneas normais.

Cadastro

Para se cadastrar como candidato à doação de medula é preciso ter entre 18 e 55 anos, boa saúde e não apresentar doenças infecciosas ou hematológicas, apresentar documento oficial de identidade com foto e preencher os formulários para o cadastramento.

No momento do cadastro, a pessoa recebe todos os esclarecimentos sobre o processo de doação e, em seguida, é colhida uma pequena amostra de sangue (cerca de 5 ml) que será submetida ao exame de classificação da medula, chamado HLA.

O resultado da tipagem HLA e os outros resultados dos exames de Histocompatibilidade/Imunogenética serão incluídos em um banco de dados, chamado Redome, que é coordenado pelo Laboratório de Imunogenética do Instituto Nacional do Câncer (Inca), do Ministério da Saúde.