Hospital da Unimontes adota classificação de risco
MONTES CLAROS (24/07/08) - O Hospital Universitário Clemente de Faria, da Unimontes, em Montes Claros, no Norte de Minas, inicia no dia 15 de agosto a classificação de risco, prevista no Protocolo de Manchester. Com 86 municípios, a região Macro Norte é a segunda do Estado a implantar o método rápido de identificação dos pacientes que recorrem ao serviço de urgência, prevista no Protocolo. A classificação de risco permite atender prioritariamente casos mais graves e não por ordem de chegada.
O Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, foi pioneiro na adoção da triagem de Manchester. A classificação de risco está funcionando na unidade desde o último dia 7 de julho.
No Brasil e, em particular, no Estado de Minas Gerais, o sistema vem, sobretudo, organizar as portas de entrada de Urgência e Emergência do serviço público de saúde. O funcionamento se dá por meio do documento, no qual o cidadão, assim que chega ao serviço, é encaminhado para um setor de triagem, sendo atendido por um enfermeiro que observa o doente de forma rápida e objetiva.
A observação inicial identifica sinais que permitem atribuir um grau de prioridade clínica no atendimento e o tempo recomendado. O doente é atendido por um enfermeiro e recebe uma pulseira com uma cor que indica a gravidade do caso e o tempo de espera para ser atendido por um médico. São cinco níveis de classificação que possibilitam atendimento resolutivo rápido e eficaz: pulseira vermelha (atendimento imediato), laranja (em dez minutos), amarela (em 60 minutos), verde (120 minutos), azul (240 minutos), conforme a gravidade e o risco que corre o paciente.
Na região Macro Norte, o sistema deve ser implantado nas 396 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e 31 hospitais até o final do ano, como informou o empreendedor público da Secretaria de Estado da Saúde, Leonardo Lima de Carvalho.
Atualmente, o Protocolo de Manchester é o sistema de classificação de risco mais utilizado oficialmente no mundo. O método já é utilizado no Reino Unido, Portugal, Holanda, Suécia, Alemanha, parte da Espanha e Itália, e Japão. Segundo o coordenador da Urgência e Emergência da Secretaria de Estado de Saúde, Welfane Cordeiro, o protocolo faz parte das recomendações do ALSG (Advanced Life Suport Group), que hoje possui maior reconhecimento mundial para recomendações no atendimento em situações de emergência.
“O protocolo pressupõe, como condição para sua implantação, a qualificação obrigatória para quem vai executá-lo, sendo também obrigatória a auditoria do sistema. Por isso tudo, no mundo hoje podemos afirmar que é o protocolo mais seguro em uso”, concluiu Cordeiro.
Capacitações
Em Minas Gerais, 350 profissionais e 16 multiplicadores já foram treinados para atuar no Protocolo de Manchester. A capacitação aconteceu em março, durante o Curso de Triagem de Prioridades na Urgência, no qual os funcionários dos hospitais João XXIII e Risoleta Neves (Pronto-Socorro de Venda Nova) conheceram o sistema. Na Macro Norte, 200 profissionais já fizeram o curso, segundo o empreendedor público da Secretaria de Estado de Saúde, Leonardo Lima.
O curso aborda conceitos de catástrofe, prioridades clínicas, avaliação e interpretação da dor. Por meio de workshop, são apresentados possíveis casos clínicos para que os profissionais conheçam a classificação de risco dos pacientes, definindo o fluxograma de atendimento em apenas seis minutos. “O objetivo é tornar o protocolo a linguagem da Rede de Urgência no Estado”, afirmou o coordenador de Urgência e Emergência, Welfane Cordeiro.
Até o final do ano, a meta da Secretaria de Estado da Saúde é que o Protocolo de Manchester esteja implantado na macrorregião Norte, onde estão sendo desenvolvidos os projetos-piloto de construção da Rede de Urgência e em mais 87 hospitais em todo o Estado. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), outras seis unidades hospitalares ligadas ao Pro-Hosp vão adotar a classificação de risco.
Software
O contrato com a empresa portuguesa Alert – Life Sciences Computing S.A., para a utilização do software que executa o Protocolo de Manchester no Estado, foi assinado em dezembro do ano passado pelo secretário de Estado de Saúde, Marcus Pestana. Os investimentos somam R$ 48 milhões até 2010.