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Hospital faz relatório de atendimento domiciliar

Hospital faz relatório de atendimento domiciliar

Quarta-feira | 23/07/2003 | 00:00·Atualizado em 02/06/2013 | 09:45
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Passados 18 anos desde a primeira internação de um paciente com Aids na unidade, o Hospital Eduardo de Menezes (HEM), da Rede Fhemig, continua sendo referência no tratamento de doenças infecto-contagiosas em Minas Gerais. Naquele ano, a Aids era uma síndrome ainda pouco conhecida pela comunidade científica, e já fazia suas primeiras vítimas. De lá para cá, a ciência criou caminhos menos traumáticos para os soropositivos. Foi para humanizar o tratamento de portadores do HIV e de tuberculose que o Hospital criou, há oito anos, um serviço pioneiro no Brasil, e que se transformou mais tarde no Atendimento Domiciliar Terapêutico (ADT). Os resultados deste serviço, criado em 1995, e a evolução do programa que se tornou referência serão conhecidos no mês que vem com o lançamento do Relatório de Atividades da Equipe de ADT do HEM que já atendeu a 421 pessoas.

O serviço de atendimento domiciliar aos soropositivos e com tuberculose foi criado por um grupo de profissionais sensibilizados com a situação dos pacientes, que já tinham condição de alta, mas que ainda necessitavam de atenção especial, não necessariamente de um leito hospitalar. A partir desta constatação, em julho de 1995, a infectologista Maria do Socorro Alves Lemos, a enfermeira Edna Lúcia Wingster e o auxiliar de enfermagem Edsel de Moraes Gomes se prontificaram a realizar o atendimento domiciliar destes doentes. O trabalho, praticamente voluntário, consistia em visitar rotineiramente estes pacientes, acompanhando a evolução do seu estado de saúde em casa, ensinando a família e a um cuidador como tratar desta pessoa.

Passados alguns meses desta experiência de sucesso, o Ministério da Saúde baixou a Portaria que criava, ainda em 1995, o Plano de Alternativas Assistenciais, que implantava o serviço de Atendimento Domiciliar Terapêutico, incluindo também na assistência aos pacientes soropositivos e portadores de tuberculose o Hospital-dia, serviço ambulatorial especializado e a garantia de leitos para internação convencional. A Portaria permitiu, então, a profissionalização da equipe do ADT do HEM, que hoje é coordenada pela psicóloga Conceição de Souza Freitas Marques e tem em seu quadro outros dez profissionais: os médicos Maísa Aparecida Ribeiro e Carlos Alessandro Plá Bento e ainda, Viviana Gonçalves Silva (enfermeira), Graciela da Motta Nadú (fisioterapeuta), Ludmilla Ferreira (terapeuta ocupacional), Edsel de Moraes Gomes e Clélia da Conceição dos Santos (auxiliares de enfermagem), Elaine de Cássia Barnabé (assistente social), Ângela Maria Nolasco (secretária) e José Marinho (motorista).

Atualmente, o HEM oferece 100 leitos à população, sendo 36 especializados em Aids, dez de CTI para doenças infecto-contagiosas, 13 para doenças tropicais, 30 para tuberculose, cinco para dermatologia sanitária e seis para cirurgia geral. Já a equipe de ADT do Hospital Eduardo de Menezes atende a 24 pacientes domiciliares. Eles são encaminhados ao serviço por outras unidades da Fhemig, de hospitais públicos municipais ou de centros de saúde estando o atendimento, no momento, restrito a domiciliados em Belo Horizonte.

O atendimento domiciliar consiste, a partir da saída do paciente da unidade de saúde, em seu acompanhamento no convívio familiar, orientando as pessoas sobre os cuidados que precisam ter com higiene, medicação e exercícios de fisioterapia, que podem ser facilmente incorporados à sua rotina. O serviço tem dados que comprovam a eficácia do procedimento. O atendimento em casa gera economia de perto de 80% para a unidade de saúde, aumenta a rotatividade de leitos ampliando a oferta e reduz o número de reinternações. Para o paciente os ganhos também são altos: melhora a sua qualidade de vida, proporciona a reabilitação mais rápida, permite a reinserção social mais positiva, além de aumentar a auto- estima.

Se na época do surgimento da Aids o paciente se internava para morrer, hoje ele apenas é hospitalizado em casos de alguma doença oportunista. As drogas e o atendimento humanizado garantem a sobrevivência do paciente com mais qualidade de vida.

Descoberta

Muitos pacientes do HEM só descobrem que são portadores do vírus HIV quando se internam na unidade para tratar de tuberculose. Uma vez internados, os pacientes são convidados a participar de palestras sobre a doença e a fazer o exame no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) que funciona na unidade. O serviço, criado em 1992, é considerado referência estadual, realizando os exames de forma anônima e gratuita. O diagnóstico precoce é essencial para evitar o desenvolvimento da Aids.

A estimativa do Programa de HIV/Aids (Unaids) da Organização das Nações Unidas é de que, desde o primeiro caso notificado, em 1981, até dezembro de 2002, pelo menos 24 milhões de pessoas já tenham morrido de Aids em todo o mundo. Atualmente cerca de 42 milhões de crianças e adultos estariam infectados com o HIV em todo mundo, sendo 5 milhões de novos casos apenas em 2002. Dados do Ministério da Saúde alertam que apenas 1% dos brasileiros fazem teste para detecção do HIV. Até agora, 222 mil casos da doença foram notificados no país, mas acredita-se que outras 600 mil pessoas estejam infectadas e nem tenham conhecimento disto.

Apesar dos milhões de dólares já consumidos em pesquisas pelos cientistas em todo o mundo, a luta contra a Aids ainda está sendo travada. Dos anos 80 para cá, várias descobertas foram realizadas, além de avanços nos tratamentos, mas o atual coquetel com anti-retrovirais, aplicado desde meados da década 90 é ainda a melhor forma de controle da doença.