Hospital Júlia Kubitschek certifica pacientes que controlaram tuberculose
Quando recebeu o diagnóstico de tuberculose, o metalúrgico Haroldo José Delfino, 39 anos, viu o chão se abrir a seus pés. Mas logo teve um comportamento positivo diante da doença. “Sempre soube que tuberculose tem cura, então resolvi seguir direitinho as recomendações dos médicos e tomar todos os remédios que me foram receitados”, contou ele, ontem, à platéia presente no auditório do Hospital Júlia Kubitschek (HJK), da Rede Fhemig, durante as comemorações que anteciparam o Dia Mundial de Combate à Tuberculose, festejado neste sábado. Ele e outros nove pacientes receberam certificado por terem concluído o tratamento e alcançado a cura da doença, que infecta, só no Brasil, cerca de 100 mil pessoas a cada ano.
A unidade é referência estadual no tratamento da tuberculose. “Os pacientes são os convidados de honra deste evento. Ao diplomá-los, nós mostramos que o seu esforço valeu a pena, além de mostrar à população que a tuberculose tem cura. E mais: o quanto é fundamental não interromper o tratamento”, afirmou a coordenadora do Serviço de Pneumologia do HJK, Helena Rachel Weinreich.
Haroldo Delfino contou que jamais poderia imaginar que seria vítima da doença, já que mantinha atitudes saudáveis e não tinha comportamento de risco para a enfermidade. “Comecei a ter tosse freqüente, perdi o apetite, comecei a emagrecer e sentir fraqueza. Depois que fiz um raio X, a pedido do médico, veio o resultado. Foi um soco na boca do estômago”, revelou.
Ele contou que o acolhimento de toda a equipe do Hospital Júlia Kubitschek foi fundamental para o sucesso do tratamento. “Fiz muitas amizades com todos que me cercaram. Isso me fortaleceu”, disse Delfino, cujo tratamento demorou 22 meses, já que ele adquiriu um bacilo multirresistente.
Outro depoimento importante foi de Eliane Felizberto. Ela contou, por meio de carta, que trabalhava como técnica de enfermagem particular. A paciente que ela tratava pegou tuberculose, mas a família informou a Eliane que era pneumonia. Resultado: Eliane foi infectada e, apesar de seguir o tratamento corretamente, contaminou suas seis filhas. “Fiquei com medo de ser rejeitada, de perder o emprego, me senti culpada, mas fui curada e minhas filhas também”, comemorou.
Controle
Além dos depoimentos dos pacientes, o evento contou com apresentações musicais e com a palestra do farmacêutico Edson Perini, cuja tese de doutorado em Epidemiologia abordou o “Abandono do Tratamento da Tuberculose: Transgredindo Regras”. Um painel com trabalhos manuais, realizados pelos pacientes durante as sessões de terapia ocupacional, foi exposto na entrada do auditório. Eles revelam o desejo e a esperança da cura dos pacientes.
De acordo com o coordenador do Plano de Controle da Tuberculose da Secretaria de Estado da Saúde, Edilson Corrêa de Moura, 2,3 milhões de pessoas adoecem vítimas da doença todo ano no mundo. O número é quase equivalente à população da capital mineira. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o controle da doença, bem como da Aids e da malária, até 2015. Ele informou que Minas Gerais produz a quinta quantidade de casos de tuberculose no país, com aproximadamente 100 mil casos por ano, e em torno de seis mil morrem. No entanto, ressalta Edilson Corrêa, a doença tem cura e o tratamento é gratuito e realizado na rede pública de saúde. Ele observa que, nos últimos quatro anos, o Brasil capacitou 58 mil pessoas, e Minas cerca de sete mil, para tratar a tuberculose.
A coordenadora do Serviço de Pneumologia do HJK, Helena Raquel, ressalta a importância do tratamento humanizado, de forma que o paciente tenha adesão ao serviço de saúde e não deixe de tomar os medicamentos.
O Hospital Júlia Kubitschek se tornou referência no tratamento da tuberculose por sua grande capacidade de leitos e de atendimento ambulatorial, profissionais treinados e acolhimento aos pacientes que têm o bacilo multirresistente. São 34 leitos de isolamento, além de outros 54 destinados à pneumologia. Anualmente, são realizados no HJK, segundo Helena Rachel, cerca de 350 atendimentos mensais a pacientes portadores do Bacilo de Koch.
Doença
A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada pelo bacilo de Koch, que afeta principalmente os pulmões, mas também pode atacar os ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro). A transmissão é direta, de pessoa para a pessoa, por meio do ar. Alguns pacientes não exibem sintomas ou os ignoram por meses e até mesmo por anos. Os mais freqüentementes são tosse seca contínua, presença de secreção por mais de quatro semanas, febre baixa geralmente à tarde, sudorese noturna, falta de apetite, palidez, emagrecimento acentuado, rouquidão, fraqueza e prostração. A prevenção começa pela imunização das crianças, de até 4 anos, com a vacina BCG. Também é aconselhável evitar ambientes fechados.
No mundo, mais pessoas morrem de tuberculose que de qualquer outra infecção durável. No Brasil, a situação persiste grave, com 50 milhões de infectados e uma média anual de aproximadamente 100 mil casos novos e 6 mil óbitos pela enfermidade. Cada paciente pode, se não tratado, contaminar em média 10 a 15 pessoas por ano. A pobreza, desnutrição, más condições sanitárias e alta densidade populacional são fatores que contribuem para a disseminação da doença.
O Dia Mundial de Combate à Tuberculose foi lançado em 1982, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela União Internacional contra TB e Doenças Pulmonares, em homenagem aos 100 anos do descobrimento do bacilo causador da tuberculose - pelo Dr. Robert Koch.