IMA: educação sanitária pode controlar Anemia Eqüina
BELO HORIZONTE (17/04/08) - O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) iniciou um trabalho de educação sanitária para o controle da Anemia Infecciosa Eqüina (AIE) na região do médio Jequitinhonha. A área é a segunda do Estado com maior incidência da doença, com 13% do rebanho eqüídeo atingido.
As atividades estão sendo desenvolvidas pelos Escritórios Seccionais do Instituto, localizados nos municípios de Pedra Azul e Araçuaí, pertencentes à Coordenadoria Regional do IMA, em Almenara. Para os servidores, a realização de um trabalho educativo é importante para ampliar o número de pessoas informadas sobre a doença e diminuir sua ocorrência na região.
O primeiro passo foi a aplicação de um questionário aos produtores rurais para medir o nível de conhecimento deles sobre o assunto – atividade que começou durante a primeira etapa de vacinação contra febre aftosa, ocorrida em março deste ano, no Circuito Pecuário Leste.
A etapa atual é de análise das respostas, concedidas por aproximadamente 460 produtores rurais. Com os resultados, serão definidas as melhores estratégias para torná-los mais conscientes e empenhados no controle da AIE. A intenção é promover palestras e reuniões mensais, além de divulgar as informações sobre a prevenção e o controle da doença em rádio e televisão, por exemplo.
O projeto deve ser executado até o fim do ano, na região de Almenara. A expectativa é que, com bons resultados, a atividade também possa ser implantada em outros municípios.
A doença
A AIE é um dos maiores problemas enfrentados no Médio Jequitinhonha, no que se refere à sanidade animal. Trata-se de uma doença de ocorrência mundial, causada por um vírus que afeta somente os eqüídeos (cavalos, jumentos, burros e mulas). Sua transmissão no meio natural se dá através de insetos sugadores, que transferem sangue do animal doente para o animal sadio. Porém, a disseminação rápida entre animais de um mesmo rebanho se dá pelo uso compartilhado, sem desinfecção prévia, de agulhas, seringas, esporas, dentre outros. A doença não tem cura nem vacina, por isso o animal contaminado deve ser isolado, impedido de transitar e, em seguida, sacrificado.
Para o diretor-geral do IMA, Altino Rodrigues Neto, o trabalho é muito importante. “Os produtores precisam obter conhecimento sobre a prevenção da doença, uma vez que são eles os maiores interessados em preservar a saúde de seus animais. A expectativa é de que, num futuro próximo, o índice de prevalência na região diminua substancialmente”.
Minas Gerais possui um plantel de 860 mil eqüinos, o maior rebanho nacional, seguido por Bahia e São Paulo. A área com maior ocorrência da AIE é formada pelos municípios pertencentes às mesorregiões Norte/Noroeste de Minas e Vale do Mucuri/Jequitinhonha.
Dificuldade
O IMA executa, em todo o Estado, ações contidas no Programa Nacional de Sanidade dos Eqüídeos, que visam controlar, entre outras enfermidades, a Anemia Infecciosa Eqüina.
Em agosto do ano passado, a doença ganhou um reforço legal em Minas Gerais, com a publicação da Lei n.º 16.938, que instituiu a Política Estadual de Controle e Erradicação da Anemia Infecciosa Equina (AIE).
Apesar das imposições legais, nem todos os produtores seguem as normas. Muitos desconhecem a legislação e acabam, involuntariamente, favorecendo a disseminação da doença.
O produtor rural não tem o hábito de procurar um médico veterinário ou um profissional do IMA, quando ocorre a morte de algum animal, por exemplo. O comércio e o trânsito dos animais sem o atestado de exame negativo para a AIE, o que é ilegal, também comprometem as ações de prevenção.
Além disso, muitas aglomerações de animais, como vaquejadas e cavalgadas, são realizadas sem a presença de um médico veterinário responsável técnico pelo evento, que exija a documentação sanitária pertinente.
A orientação do IMA é que o produtor não envolva seus animais em eventos que não exijam nenhum tipo de documento sanitário.