Laticínio Quilombola de Santa Cruz evita o êxodo e gera renda para os jovens da comunidade
Empreendimento fixa jovem quilombola em sua comunidade e atende a demanda do mercado local em leite processado
O laticínio implantado há oito anos na comunidade de Santa Cruz, no município de Ouro Verde de Minas, região Nordeste do Estado, é uma das ações sociais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG) que evita o êxodo rural e gera renda para jovens agricultores quilombolas. O empreendimento vem cumprindo o objetivo de fixar o jovem quilombola em sua comunidade ao mesmo tempo que atende a demanda do mercado local em leite processado.
Até 2005 os jovens quilombolas não tinham trabalho na comunidade e estavam prestes ao êxodo. Mas, num esforço inédito e respaldados pela Emater-MG, participaram da mudança desta situação, tornando-se coautores da criação da Associação Quilombola de Santa Cruz (ACONEQUISTAC), fundada com o objetivo de implantar projetos de geração de renda.
A Emater-MG abraçou a ideia participando e elaborando dos projetos da recém-criada associação, ajudando a formar grupos de trabalho de apicultura, avicultura, produção de farinha e no laticínio. O laticínio acabou se tornando o carro-chefe dos projetos, gerando renda para os jovens por meio da comercialização em programas do governo destinados à alimentação.
Esforço comunitário e linha de crédito
Os moradores de Santa Cruz construíram o empreendimento com recursos próprios. Depois disso, os agricultores compraram o maquinário por meio de crédito do Programa Nacional de Financiamento para o Jovem (Pronaf Jovem); linha de crédito criada para atender jovens agricultores familiares com faixa etária entre 16 e 29 anos. O valor financiado foi de R$ 30 mil. A boa notícia é que eles já reservaram recursos para pagar o empréstimo. Sinal que o empreendimento tem dado certo.
O laticínio mostrou o seu potencial quando conseguiu vender para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), e Programa Leite pela Vida. Recentemente, por meio de projeto elaborado pela Emater-MG, os quilombolas foram contemplados na CONAB/ BNDES, em Edital de Chamada Pública Nº 001/2013. Com este recurso eles comprarão carro refrigerado para transportar o leite pasteurizado e o iogurte, com mais segurança. O carro refrigerado possibilitará, ainda, a ampliação do mercado.
Segundo a extensionista de Bem-Estar Social, Fernanda Alves de Oliveira, que acompanha o grupo do laticínio desde a sua implantação, o carro refrigerado chegará no momento certo para fortalecer o empreendimento, pois paralelo aos investimentos o grupo sonha em ampliar o mercado e por isso com processo de habilitação sanitária no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), com cadastro que permite a venda dos produtos numa rota comercial forte.
No decorrer dos oito anos de funcionamento do laticínio, os agricultores familiares investiram em capacitações em processamento de leite e adquiriram mais maquinários para ampliação do mercado e qualidade no produto. Compraram câmera fria, tanque resfriador para maior captação de leite, seladora e datadora, e potencializaram a energia do empreendimento com alteração do transformador.
Laticínio gera renda e evita êxodo
O laticínio mudou a vida dos jovens da comunidade de Santa Cruz. Atualmente ele funciona com seis operadores, na forma jurídica de associação, mas os jovens já pensam em mudar a forma jurídica para cooperativa, já que a comercialização vem crescendo e abrindo novas perspectivas de mercado.
Diferente de outros tempos, os jovens da comunidade de Santa Cruz não precisam buscar trabalho nos centros urbanos, criaram fonte geradora de renda na própria comunidade, apoiados pelas políticas públicas dos governos estadual e federal e, respaldados pela Emater-MG que cumpre sua missão de fixar o agricultor familiar no campo, impedindo o êxodo rural.