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Magia da ópera toma conta de espaços públicos de Belo Horizonte

Segunda-feira | 10/05/2010 | 16:48·Atualizado em 14/06/2013 | 10:46
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BELO HORIZONTE (10/05/10) - Duas ações realizadas neste final de semana - sábado (8) nos mercados Central e Distrital do Cruzeiro, e domingo (9) no Parque Municipal - comprovaram que os mineiros realmente gostam de ópera. Os frequentadores dos mercados e do parque, surpresos e encantados com a apresentação de trechos de La Traviata, de Verdi, aplaudiram os solistas, orquestra e maestro.

As atividades foram planejadas pela Fundação Clóvis Salgado (FCS) com o objetivo de popularizar e democratizar o acesso do público a este tipo de espetáculo. A ideia é fazer com que as óperas tomem a cidade, ocupem os seus espaços públicos e assumam de vez seu lugar na pauta cultural de BH. Além disso, o objetivo é mostrar às pessoas que estes são programas de fácil entendimento, que podem ser levados a qualquer parte da cidade e que contam histórias cotidianas.

Ainda dentro desta programação, serão realizadas duas palestras gratuitas no Palácio das Artes, com o maestro Luis Aguiar, grande estudioso da música erudita, em especial, das óperas. Os encontros acontecem dia 11 de maio, às 14h30, e dia 13, às 11h30, no Cine Humberto Mauro. Os lugares são limitados, e os interessados em saber mais sobre história de amor de Violetta Valery e Alfredo Germont devem se inscrever pelo telefone (31) 3236-7322, das 10h às 12h e das 14h às 17h.

Ópera no mercado

Na manhã desse sábado (8), a rotina dos mercados Central e Distrital do Cruzeiro foram modificadas por alguns minutos. Os solistas que participarão das récitas de La Traviata, apresentada de 18 a 27 de maio no Palácio das Artes, surgiram em meio aos feirantes, consumidores e turistas e entoaram trechos conhecidos da mais amada ópera de Verdi. O público, emocionado, cantou junto com os solistas e registrou, nas lentes fotográficas e, principalmente na memória, um momento mágico nunca visto no Brasil.

Ópera no Parque

Nem mesmo o sol e o calor foram capazes de espantar os espectadores de mais uma edição da Série TIM de Concertos no Parque. A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, sob regência de Roberto Tibiriçá e ao lado de parte do elenco da ópera e do Coral Lírico, proporcionaram a cerca de 1.500 pessoas um espetáculo de rara beleza. O concerto, encerrado com o famoso dueto Brindisi, foi aplaudido de pé pelo público.

FCS e La Traviata

A relação entre La Traviata - umas das óperas mais conhecidas em todo o mundo - e a Fundação Clóvis Salgado é antiga: a obra foi apresentada na capital mineira no ano de finalização das obras do complexo arquitetônico da avenida Afonso Pena (Palácio das Artes), em agosto de 1971, e em 1998, quando o Grande Teatro foi reaberto após o incêndio que destruiu parte do espaço.

A montagem que será apresentada agora no Grande Teatro do Palácio das Artes possui direção musical e regência de Roberto Tibiriçá, maestro titular da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais. A direção de cena está a cargo do italiano Mario Corradi e os cenários e figurinos são assinados por Raul Belém Machado. A coreografia é de Rodrigo Giése, o design de iluminação, de Telma Fernandes e a caracterização e maquiagem de Regina Mahia.

A história

A montagem de Giusepe Verdi possui quatro atos e é baseada no romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas Filho, que escreveu a obra inspirado na história real prostituta Marie Duplessis, uma das musas da alta sociedade parisiense na década de 1840, amante de Dumas. La Traviata (em português, A Transviada), por sua vez, apresenta o belo – e trágico caso de amor entre Violetta Valéry e Alfredo Germont. Na literatura brasileira, José de Alencar criou o romance Lucíola em cima da mesma trama.

Violetta Valéry era uma cortesã inteligente e culta que vivia em Paris, na primeira metade do século XIX. Suas festas, sempre suntuosas, contavam com a presença dos aristocratas e burgueses da sociedade parisiense. Em uma destas comemorações, ela conhece Alfredo Germont, que se declara apaixonado por Violetta. Apesar afirmar de que não corresponde ao amor de Alfredo, ela acaba abandonando a capital francesa para viver e dedicar-se somente a seu amor. Entretanto, a vida do casal é perturbada por intrigas dos criados e do próprio pai de Alfredo. A partir daí, uma série de encontros e desencontros muda o rumo da história, que acaba em tragédia.

A primeira apresentação de La Traviata ocorreu no Teatro La Fenice, em Veneza, no dia 06 de Março de 1853. O espetáculo foi um enorme fracasso, e as primeiras críticas recebidas pela ópera foram muito duras, classificando-a como, por exemplo, uma “apresentação pública da prostituição”. Já no ano seguinte, a reapresentação da ópera foi um sucesso absoluto, e com o passar do tempo, ela se tornou talvez uma das mais populares de todas as obras do gênero.

Quarentona

A Fundação Clóvis Salgado, no ano em que celebra quatro décadas de vida, abre a Temporada de Óperas com a primeira ópera apresentada no Palácio depois de sua inauguração oficial: La Traviata, de Giuseppe Verdi. As récitas acontecem dias 18, 22, 25, 26 e 27.05 às 20h, e no dias 23.05, às 18h, no Grande Teatro do Palácio das Artes.

Os ingressos custam R$ 50,00 (Plateia I), R$ 40,00 (Plateia II) e R$ 30,00 (Plateia Superior), com meia entrada conforme a lei. E para o dia 25 de maio, a Fundação Clóvis Salgado preparou uma surpresa para o público: ingressos a R$ 10,00, em qualquer lugar do teatro. Para esta data, a venda dos bilhetes será feita somente nos dias 24 e 25/05.