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Manifestações afro serão cadastradas para inserção em políticas culturais

Anúncio foi feito no Encontro Estadual da Afromineiridade, que marcou história no Palácio das Artes

Quarta-feira | 03/11/2021 | 12:25·Atualizado em 03/11/2021 | 12:50
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Manifestações afro serão cadastradas para inserção em políticas culturais
Crédito: Divulgação / Secult

O 1° Encontro Estadual de Afromineiridade levou ao Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em Belo Horizonte, pela primeira vez, diversas manifestações afro. No palco, foi possível conferir dez apresentações artísticas e gratuitas de grupos de Congado, Capoeira, Terreiros, Samba, Batuque e Hip Hop, entre outros, de diferentes regiões de Minas Gerais. Na oportunidade, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) também anunciou que irá cadastrar as manifestações afromineiras, para que essas atividades possam ser inseridas em políticas públicas voltadas para a cultura no estado.

Promovido pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), com o apoio da Fundação Clóvis Salgado (FCS) e do Conselho Estadual de Política Cultural, o encontro integra as ações do Plano Descentra Cultura Minas Gerais. O plano tem como objetivo municipalizar e democratizar o acesso a bens e serviços culturais, valorizando artistas e trabalhadores do setor, estimulando a geração de emprego e renda, com atenção especial à cultura popular e tradicional do estado.

Divulgação / Secult

O secretário-geral do Governo de Minas Gerais, Mateus Simões, lembra que o Congado é uma das mais legítimas representações da afromineiridade.

“Seja na região dos Vales, no Nordeste, no Norte, no Triângulo Mineiro, na Zona da Mata, no Sul de Minas, vamos encontrar a tradição presente em todo o estado. O Congado é uma manifestação religiosa e, de alguma forma, um espetáculo cultural. Ele é a essência do que é ser mineiro”, afirma.

Representatividade

“Como artista, me emociono e sei da importância e do sinal que estamos passando para a sociedade ao receber esse evento em um dos principais palcos do país. Estamos abrindo essa conversa para dar voz e vez, para criarmos uma agenda de oportunidades, discutir possibilidades, inserir a afromineiridade nas políticas públicas de cultura e reconhecer a importância dela”, disse o subsecretário de Cultura da Secult, Maurício Canguçu.

O idealizador do encontro, Adriano Maximiano da Silva, titular da cadeira de Culturas Afro-brasileiras do Conselho Estadual de Política Cultural (Consec), enfatiza a representação da ancestralidade no maior palco de Minas Gerais. 

O cantor e compositor Nego Moura, que se apresentou no Palácio das Artes, afirma que o encontro chancela a importância da presença negra na cultura. “Os negros devem ocupar seus lugares por direito, pois o Brasil é um país miscigenado, onde a maioria da população é negra, mas ainda sofre com o preconceito, como as religiões de matrizes africanas sofrem”, frisa.