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Maternidade faz parceria com instituto de Cuba

Maternidade faz parceria com instituto de Cuba

Sexta-feira | 05/12/2003 | 00:00·Atualizado em 28/06/2013 | 01:03
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A Maternidade Odete Valadares (MOV), da Rede Fhemig, está finalizando o protocolo de validação do aparelho Audix, usado para exames de acuidade auditiva em récem-nascidos, que foi cedido pelo Instituto de Neurociências de Cuba em parceria com a unidade.

O documento será encaminhado para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aprovação do uso do equipamento que já tem autorização da Receita Federal para ficar no Brasil. A unidade hospitalar foi escolhida para receber o aparelho devido ao seu perfil de atendimento de casos de alta complexidade.

Uma especialista de Cuba, a neurofisiologista clínica Odelaisys Hernández Echevarría, está em Belo Horizonte desde o início de novembro para treinar os profissionais da Maternidade Odete Valadares que irão operar o equipamento. O Audix foi desenvolvido em 1996 pelo Instituto de Neurociências como parte de um Programa Nacional de Triagem Auditiva, implantado naquele país desde 1984. Todas os casos positivos de perda auditiva são encaminhados para atendimento com um grupo multidisciplinar.

“O aparelho garante um diagnóstico mais exato”, afirma Odelaisys, acrescentando que a técnica usada é de audiometria através de potenciais evocados auditivos de estado estável. Isto significa que é possível explorar freqüencias específicas e demais vias auditivas. O audix tem selo de qualidade da Comunidade Européia. ”A Odete Valadares é pioneira no País no uso deste equipamento”, afirma o diretor da maternidade, José Maurício Rosaes. Segundo ele, a MOV registra muitos casos de bebês que estão no grupo de risco para surdez, como récem-nascidos que necessitam de UTI e de baixo peso.

Estimativas

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 57 milhões de pessoas acima de três anos são portadoras de algum tipo de deficiência auditiva. No Brasil, dados de 1994 apontam que 1,5% da população tem algum problema de audição. De acordo com o neuropediatra da MOV, Carlos Machado, a utilização deste aparelho para a realização de exames de acuidade auditva faz parte de um projeto de cunho assistencial que a unidade da Fhemig está implatando. A Maternidade firmou uma parceria com a Clínica de Fonoaudiologia do Centro Universitário Izabela Hendrix que irá oferecer tratamento para as crianças com problemas auditivos. “Estamos construíndo um novo modelo assistencial para o SUS, ou seja, nós vamos identificar o problema e garantir o acesso ao atendimento”, destaca o médico. Ele acrescenta que o projeto também está voltado para a pesquisa. “Como o equipamento será o único em operação no Brasil, sua eficácia está sendo avaliada”.

A especialista de Cuba revela que estudos feitos naquele país apontam que se a criança com surdez não receber atendimento adequado antes dos três anos, quando as conexões neurológicas estão se formando, terá comprometimento irreversível de linguagem. “A deficiência auditiva implica na perda da organização dos neurônios, retardo da fala, transtornos emocionais e queda do desenvolvimento social”, salienta Odelaisys. Coordenador do projeto na MOV, Carlos Machado observa que ao oferecer um serviço como esse, será possível garantir maior qualidade de vida para as crianças com problemas auditivos.