Médicos alertam para riscos de acidentes com cerol
BELO HORIZONTE (22/06/07) - Soltar pipa e papagaio pelas ruas requer cuidados e, principalmente, vigilância. Isso porque, é nesta época do ano, que se intensificam os acidentes com linha de cerol, que costumam ser muito graves. O alerta vem de médicos do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS), da Rede Fhemig, referência em atendimento em trauma. No ano passado, só no HPS foram registradas 34 vítimas, sendo 17 em junho e 10 em julho. Em 2005, foram 66, com 22 em junho e 27 em julho. Neste ano, até a primeira quinzena de junho, já ocorreram dez atendimentos.
Algumas das principais vítimas são os ciclistas e motociclistas, surpreendidos com as linhas untadas de cola e vidro moído cortando seus caminhos. De acordo com a coordenadora de plantão do HPS, Vânia Tannure, os ferimentos provocados por cerol podem ser superficiais ou profundos e atingir, principalmente, na região cervical, membros inferiores e mãos. “O pescoço preocupa porque é uma área de grandes vasos, veias e artérias que podem ser cortadas pelo cerol e sangrar muito. Além disso, a pessoa pode morrer na hora por enforcamento”, alerta.
Os ferimentos nas mãos e pernas são mais comuns em quem está soltando papagaio, seja na hora do preparo ou mesmo se enroscando na linha do cerol. A possibilidade de complicar com infecção é o principal temor. A médica afirma que, em casos mais graves, há o risco de perda do membro por infecção. Por ser uma lesão corto-cortante, o tratamento consiste em suturar o local e tratar as infecções. “Para evitar o problema, a dica é instalar antenas de proteção em motos e bicicletas. Mas a educação e a punição dos responsáveis ainda é a melhor saída para evitar esses acidentes”, defende Vânia Tannure.