Médicos mineiros recebem treinamento em Milão, na Itália
BELO HORIZONTE (21/01/09) - Minas Gerais dá prosseguimento às inovações na área da saúde. Desta vez, o Estado foi o único do país a enviar médicos para uma capacitação em Milão, na Itália, sobre o uso do ultra-som em atendimentos de urgência e emergência decorrentes de traumas. A expectativa é que esses profissionais sejam capacitadores, repassando o que foi discutido no módulo avançado para seus colegas que trabalham nos hospitais da Rede Estadual, restando apenas a chegada das notas dos alunos e os certificados para que os treinamentos sejam planejados.
O curso, realizado de 7 a 22 de dezembro, habilitou oito médicos mineiros, abordando tanto a teoria como a prática, a fazer do ultra-som um importante aliado no tratamento de traumas, sobretudo os ocasionados por acidentes. “Tão importante quanto a descoberta de novas tecnologias está o fato de se ampliar as finalidades para técnicas que já estão presentes no cotidiano. Uma série de estudos, com evidências clínicas, demonstra que trata-se de um exame de fácil utilização, com baixo custo. Foi claramente demonstrado que mesmo o profissional médico não sendo um especialista em imagem, é capaz de fazer uso do equipamento, ampliando nossa possibilidade de salvar vidas”, comentou a referência técnica do SAMU na Secretaria de Estado de Saúde (SES), Rasível dos Reis Santos Junior.
Clínico geral, com experiência em urgências e emergências, Rasível foi um dos médicos capacitados em Milão. Ele destaca as vantagens na aplicação do ultra-som, como sendo um método não invasivo para diagnóstico. “É possível mensurar sangramentos, fraturas, entre outros traumas. Não se trata de substituir aparelhos de maior complexidade como o tomógrafo ou a ressonância magnética, mas sim de agilizarmos o atendimento. Por exemplo, um motociclista que sofre um acidente e bateu a cabeça. Com o ultra-som, podemos avaliar o caso mais rápido, identificar hemorragias no crânio, pontos de pressão contra o cérebro e tomar as medidas de imediato. Enquanto para se fazer uma tomografia, existe um deslocamento que leva algum tempo, e muitas vezes não há condições para estabilizar o paciente e realizar o procedimento”, explicou.
Segurança
Outro ponto positivo é a segurança para o profissional e para o paciente, que leva à diminuição de erros. “Muitas vezes não era possível identificar se a pessoa, por exemplo, estava com pneutórax, que é quando se acumula ar na cavidade intrapleural, impedindo a pessoa de respirar. Aí era necessário fazer uma drenagem para identificar se realmente era o que estava ocorrendo. Se não fosse confirmado, seria necessário proceder com outros métodos invasivos. Com o ultra-som temos a certeza do procedimento que deve ser adotado”.
A técnica é difundida pela World Interactive Network Focused on Critical UltraSound (Winfocus), que é uma organização não-governamental formada por profissionais de saúde do setor de Urgência que realizaram os estudos e promovem as capacitações em vários países. A instituição mantém diversas parcerias com entidades reconhecidas internacionalmente, entre elas a Nasa, a agência espacial norte-americana. "É uma rede mundial com foco no paciente crítico. E para nós, que passamos pelo curso, houve grande surpresa. Até então, o ultra-som era utilizado para identificar sangramentos em pontos do abdômen. Quando se fala que é possível analisar cabeça, garganta, enfim, outras áreas do corpo, são novas possibilidades de diagnóstico".
Intercâmbio
Rasível também relatou que a ida a Milão possibilitou também maior conhecimento da rede de Urgência e Emergência naquela cidade e nos municípios vizinhos. “É uma região metropolitana formada por 118 municípios, com cerca de 4 milhões de habitantes. Ela apresenta algumas características parecidas com a RMBH, se considerarmos quantidade de população, por exemplo. Vimos toda a estrutura, e acompanhamos os atendimentos do serviço de urgência de lá, que é semelhante ao SAMU”, descreveu.
De acordo com o médico, existem três níveis de organização, passando pelo 1, que é o mais grave, até o 3, menos grave. “Na nossa rede também pretendemos estabelecer algo parecido, para que a melhor estrutura possível seja utilizada por aquele paciente mais grave”, concluiu.