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Minas apresenta proposta para segundo geoparque do Brasil

O seminário “Geoparque do Quadrilátero Ferrífero: uma nova perspectiva de uso para o patrimônio geocientífico”, realizado em BH, discutiu as possibilidades da implantação de um geoparque nos sete mil quilômetros quadrados que compõem o quadrilátero. O modelo foi proposto pela Unesco.

Quinta-feira | 12/06/2008 | 13:47·Atualizado em 25/06/2013 | 10:31
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BELO HORIZONTE (12/06/08) - Os sete mil quilômetros quadrados que compõem o Quadrilátero Ferrífero, localizados na região centro-sudeste de Minas Gerais, podem se transformar em um geoparque. O seminário “Geoparque do Quadrilátero Ferrífero: uma nova perspectiva de uso para o patrimônio geocientífico”, realizado nessa quinta-feira (11), no Instituto de Geociências da UFMG, em Belo Horizonte, discutiu as possibilidades da implantação, segundo modelo proposto pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O representante da Unesco, Bernado Brummer, apontou os objetivos estratégicos para tal projeto. Segundo ele, a criação de um geoparque deve abranger a educação, as ciências naturais, humanas e sociais, cultura, a comunicação e a informação. “O geoparque da Unesco deve prover apoio, ferramentas e atividades para transmitir conhecimento”, afirmou.

Existem algumas características básicas para a criação de um geoparque, como por exemplo, área grande e bem definida, diversidade de sítios geológicos, inclusão de roteiros definidos, acesso fácil e permitido, além de beleza cênica.

Alesandre Sales, do Geoparque do Araripe, localizado no Ceará e o primeiro do país, disse que o projeto trouxe desenvolvimento, já que a própria comunidade inseriu-se no processo: “Com o turismo crescente na região, os moradores fazem “souvenirs”, que são réplicas de fósseis encontradas no geoparque. A economia local aqueceu”, ressaltou.

O coordenador das promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, Marcos Paulo de Souza Miranda, explicou que a iniciativa para a criação de um geoparque deve partir da comunidade e autoridades locais, mediante um compromisso voltado para o desenvolvimento. Ele ressaltou que “as atividades minerárias, por exemplo, são compatíveis com as áreas localizadas nos limites do geoparque”.

Implantação

Para o subsecretário de Ensino Superior, Octávio Elísio, a biodiversidade, a diversidade ecológica e cultural estão inseridas em um geoparque. “Precisamos reconhecer o Geoparque do Quadrilátero Ferrífero em níveis nacional e internacional e pensar na política desse processo para o futuro e não de uma forma engessada. O geoparque é multidisciplinar, já que envolve cultura, geografia, geologia, história”, explicou.

O Quadrilátero Ferrífero é um dos maiores distritos minerários do Brasil e do mundo. Segundo o gerente executivo do Pólo de Excelência Mineral e Metalúrgico, Renato Ciminelli, a criação do geoparque irá fortalecer a região no âmbito mineral e, conseqüentemente, trará desenvolvimento econômico.

Durante o seminário foram realizados três painéis: “Modelos de geoconservação”, “Iniciativas empresariais de geoconservação” e “As bases científicas e históricas dos sítios do Geoparque do Quadrilátero Ferrífero”. No evento - promoção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), por meio do Pólo de Excelência Mineral e Metalúrgico, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), vários convidados apresentaram experiências em preservação ambiental e quais os passos para a implantação de um geoparque. Atualmente, existem 52 geoparques espalhados em 17 países, entre os quais o Brasil se inclui.

Ao final, foi criado um Comitê de Implantação do Geoparque do Quadrilátero Ferrífero constituído por representantes das seguintes instituições: CPRM, Iepha, PUC Minas, UFMG, Ufop, prefeituras Municipais de Barão de Cocais, Itabirito e Brumadinho, Vale, AngloGold Ashanti, Asturies, Instituto Pró-Città e ARCA Amaserra. O Comitê irá enviar proposta para a Unesco e CPRM, solicitando a criação do geoparque mineiro. A próxima reunião acontece no final deste mês.