Minas é destaque em políticas e ações de defesa sanitária
O IMA esteve atento à ordem mundial e preparou seus laboratórios para a creditação ISO17.025. Com ela, o IMA reforçará seu papel de órgão de ponta no agronegócio e emitirá laudos certificadores de produtos. Minas ainda é o único Estado com laboratório para diagnóstico de vaca louca.
BELO HORIZONTE (28/12/06) – Em 2006, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) – fiscal da defesa sanitária animal e vegetal em Minas Gerais – esteve atento à ordem mundial, marcada pela expansão da globalização. Um exemplo dessa atenção: os laboratórios do IMA foram preparados para a creditação ISO 17.025. Com ela, o instituto reforçará seu papel de órgão de ponta no agronegócio e emitirá laudos certificadores de produtos, um instrumento de alta credibilidade para defesa sanitária e fiscalização. Nessa área ainda vale dizer que Minas Gerais é o único Estado a contar com um laboratório de saúde animal para diagnóstico de vaca louca.
“O IMA está informatizando todas as suas unidades”, diz Altino Rodrigues Neto, diretor-geral do instituto. “Nossos profissionais participam, como nunca antes, de cursos, treinamentos e reciclagem”.
Defesa Animal
Para Altino, a defesa animal é um dos pilares de uma política correta para a pecuária. “Ter um rebanho sadio abre portas no mercado externo”, diz ele. Em Minas há 22 milhões de cabeças de gado, 3, 4 milhões de suínos, mais suas 192 mil matrizes, além de 230 milhões de aves que formam o segundo maior plantel de aves poedeiras e fazem do Estado o quinto maior em abate. “Foi a efetiva vigilância sanitária que evitou a entrada da gripe aviária no Estado”, lembra Altino.
Supervisionar a vacinação de todo esse plantel é tarefa gigante mas, ainda assim, o IMA manteve o status sanitário em relação à erradicação de três doenças ruins para o comércio internacional: aftosa, peste suína clássica e newscastle. A fim de facilitar a defesa sanitária, o Governo de Minas forma agentes de saúde agropecuária para promover nas comunidades, com participação voluntária, vacinações dos rebanhos contra febre aftosa, brucelose e raiva animal. Em abril de 2006 foi formado o milésimo agente no Estado.
Nesse mesmo sentido, destaca-se também a formação de sanitaristas mirins. O programa atinge alunos da 1ª a 4ª séries. Já incluído no Projeto Estruturador da Bacia do Rio São Francisco, o programa será executado em 137 municípios e alcançará, até o final de 2007, 600 mil alunos do ensino fundamental.
Até setembro de 2006, as exportações mineiras de carne bovina cresceram 219% sobre o mesmo período de 2005. Foram de US$ 65,5 milhões para US$ 209 milhões. Em volume, o aumento foi de 129% – de 30,5 mil toneladas para 69,9 mil toneladas.
Defesa vegetal
Na área vegetal, em 2006, o IMA ganhou um importante instrumento para a realização de suas funções: a Lei de Defesa Sanitária Vegetal. Ela permite ao Estado maior eficácia no controle de pragas e doenças, como a sigatoka negra e o moko da bananeira, que atacam a bananicultura e o canco cítrico. Com a lei, o IMA já atua melhor na prevenção, disseminação, controle e erradicação de todas essas doenças. A prova é que, segundo o Ministério da Agricultura, 60 municípios do Estado estão livres da sigatoka negra, título que traz muitos benefícios para os produtores mineiros de banana.
Diferencial mineiro
A certificação de origem e qualidade é um outro campo em que o IMA vem se destacando. Ela traduz o esforço do Governo do Estado para distinguir o produto mineiro e conferir a ele um diferencial para a busca de novos mercados.
Isso se faz por meio do cadastramento das propriedades. Na agricultura orgânica, por exemplo, já existem 160 produtores e 30 comunidades cadastradas no IMA. Eles estão adequando a sua produção com a finalidade de certificação a custo zero para os produtores inscritos em agricultura familiar.
Inserido no programa Minas Excelência, o IMA certifica o algodão, cachaça e café por meio de programas específicos para cada um deles. Já com o Agrominas, o trabalho do instituto objetiva a qualidade no café torrado e moído.
Minas Carne
Em 2006, o Governo de Minas criou o MinasCarne, programa que valoriza a vocação para o agronegócio. Ao IMA caberá fiscalizar mais de perto os futuros empreendimentos frigoríficos que vierem a se instalar em território mineiro. Seu papel será coibir o abate informal de bovinos e rastrear o rebanho, principalmente aquele direcionado para abate.
A abrangência do programa vai desde a criação de animais até o aumento das exportações. Uma das metas é aumentar o número de frigoríficos inspecionados no Estado gerando, como conseqüência, o aumento das exportações de carne bovina mineira. Espera-se que as 36 mil toneladas de 2005 se tornem 200 mil toneladas em 2010.
Programa Rastrear
Outro programa de grande expressão do qual o IMA participa, com o apoio técnico da Embrapa e da Faemg, é o Rastrear. Por meio da transferência de informações de um chip instalado no brinco do animal para bancos de dados, tem-se, à distância, identidade, desempenho e histórico sanitário dos animais. Com isso, Minas Gerais poderá certificar a sanidade e qualidade dos produtos, fortalecendo todo o agronegócio do Estado e do Brasil.
Treinamento
Mas o IMA não ficou só nisso em 2006. Técnicos treinaram dezenas de produtores de café na área de certificação, além de 12 técnicos com cursos de especialização em auditoria de certificação. O instituto também se destaca no controle do uso de agrotóxico. Para reduzir os efeitos prejudiciais do uso incorreto do produto, o IMA estabeleceu parcerias e implantou 22 projetos educativos em todo o Estado.
O IMA continuou cadastrando os produtores de queijo artesanal. Agora todos os produtores têm de obter uma certificação do IMA para comercializar seus produtos. “Estamos, a cada dia, melhor aparelhados para exercermos nossas atribuições. É assim que vamos seguir sendo uma referência no Brasil”, diz o diretor-geral do IMA.