Minas Gerais adota o Protocolo de Manchester na atenção primária
BELO HORIZONTE (14/04/10) - Minas Gerais adotou o Protocolo de Manchester como instrumento de triagem também na atenção primária para os usuários que procurarem atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O método ajuda a identificar a real necessidade de um usuário que recorre às UBS relatando alguma doença aguda. Com ele, a atenção estará focalizada nos casos que exigem atendimento mais rápido e não mais na ordem de chegada do paciente.
Para definir os passos necessários à padronização do Protocolo nas UBS, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) realizou, nesta quarta-feira (14), uma reunião com os diretores das Gerências Regionais de Saúde (GRS).
Presente na reunião, o secretário de Estado de Saúde, Antônio Jorge Souza Marques, afirmou que o objetivo principal é definir o papel das GRS na capacitação dos profissionais que atuarão nas UBS. “As gerências de saúde serão coresponsáveis no processo de capacitação dos profissionais. A capacitação será realizada a distância pelo Canal Minas Saúde, mas a avaliação será presencial nas GRS”, disse.
O secretário explicou que a intenção é tornar o protocolo a linguagem de todo o sistema de saúde mineiro. “O protocolo facilitará a estruturação da rede e o encaminhamento do usuário. A nossa meta é que todo o atendimento realizado seja baseado na necessidade real do usuário, e não mais na ordem de chegada”, disse.
Funcionamento
O protocolo é um método de abordagem dos pacientes que recorrem ao serviço de saúde. Com ele, o paciente que chegar à UBS será encaminhado a uma sala de triagem onde um enfermeiro ouvirá sua queixa inicial. Em seguida, este profissional definirá qual a sua gravidade clínica e a qual especialidade ele deverá ser encaminhado.
Para realizar esta avaliação, o profissional deverá seguir os procedimentos indicados no protocolo. Estes procedimentos são linhas guias que permitem estabelecer qual o tempo de espera máximo de um paciente, de acordo com o seu quadro clinico. Este tempo varia com a gravidade da queixa relatada.
A cor vermelha significa emergência e tem atendimento imediato; a laranja indica casos muito urgentes e prevê atendimento em 10 minutos; o amarelo significa urgente e prevê que o paciente pode esperar por no máximo uma hora o atendimento médico; já o verde e o azul são considerados casos de pouca urgência e prevê duas horas e quatro horas de espera, respectivamente.
Pioneirismo mineiro
Minas foi o primeiro Estado no Brasil a utilizar o Protocolo de Manchester como instrumento de identificação de pacientes. O protocolo é reconhecido no mundo inteiro como uma maneira de organizar a entrada do cidadão no serviço.
Aplicado pela primeira vez em 1997, na cidade britânica de Manchester, rapidamente foi implementado em vários hospitais do Reino Unido. Hoje é utilizado também em Portugal, Espanha, Holanda, Alemanha e Suécia.
Para o coordenador estadual de Urgência e Emergência, Rasível dos Reis Santos Jr, as experiências destes países demonstram que o protocolo é uma mudança para melhor no atendimento à saúde.
"O trabalho destes países são inovadores, pois é realizado em rede, inclusive na atenção primária, possibilitando a organização do fluxo de urgência, salvando vidas”, destacou o coordenador.
O primeiro hospital mineiro a adotar o Manchester foi o João XXIII, no início de julho de 2008. Hoje, em Belo Horizonte e região, também utilizam o protocolo o Hospital Odilon Behrens, o Hospital das Clínicas da UFMG, o Hospital Risoleta Tolentino Neves e o Hospital Municipal Monsieur Flávio Dantas, de Sete Lagoas.