Minas Gerais apresenta projeto inédito de incentivo ao turismo
O projeto Rede de Turismo de Negócios e Eventos, da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), pretende ampliar o tempo de permanência do turista que vem a negócios à capital, fazer com que o viajante utilize plenamente os serviços turísticos e criar condições para que ele retorne à cidade.
BELO HORIZONTE (02/04/09) - Ampliar o tempo de permanência do turista que vem a negócios em Belo Horizonte, fazer com que este viajante utilize plenamente os serviços turísticos e criar condições para que ele retorne à capital mineira. Esses são os objetivos de um projeto da Secretaria de Estado de Turismo (Setur), inédito no país, que será apresentado nesta sexta-feira (3), durante o 2º Salão Mineiro de Turismo.
O projeto, intitulado Rede de Turismo de Negócios e Eventos, prevê investimentos de US$ 5,6 milhões, obtidos por meio de convênio assinado em 2008 com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no qual a contrapartida do Governo de Minas é de metade do valor total. Parte desses recursos foi aplicada na construção de um Banco de Dados de Eventos e na capacitação de setores da cadeia produtiva.
Na prática, essas medidas proporcionaram que entidades do turismo de Minas, que antes trabalhavam de forma isolada na captação de eventos e na oferta de serviços turísticos, hoje ajam de forma integrada. O objetivo é que a freqüência de eventos nacionais e internacionais ocorra de forma constante, promovendo a ocupação equilibrada dos hotéis da cidade.
“A rede é uma metodologia de articulação integrada e estratégica da cadeia produtiva para que os eventos sejam captados de uma forma cooperada pelos diversos setores do segmento de turismo de negócios e assim oferecer serviços de qualidade, a preços competitivos”, explica Silvana Nascimento, coordenadora do Turismo de Negócios da Setur.
Além de unificar e organizar o calendário de eventos de Belo Horizonte, a Rede de Turismo de Negócios consegue oferecer ao turista, de forma antecipada, antes do embarque, uma gama de serviços turísticos de qualidade, aí incluídos agências, restaurantes, bares, equipamentos urbanos a preços competitivos e, ao mesmo tempo, apresentar um diferencial cultural e histórico, que é característica de Minas.
“Se todos os profissionais e entidades envolvidas têm o mesmo nível de conhecimento, é possível fazer ofertas com preços e serviços diferenciados aos participantes de um congresso científico”, exemplifica Silvana. Participam da rede, além da Setur, a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Associação Brasileira de Agência de Viagens (Abav), Associação Brasileira de Empresa de Eventos (Abeoc), Associação Comercial de Minas Gerais, Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos (Sindiprom), Convention Bureau, CDL, Prominas, Sebrae, Belotur e Instituto Euvaldo Lodi (Sistema Fiemg), este último como executor do convênio firmado com o BID.
Mercado potencial
Atentos aos resultados de pesquisa realizada pela Embratur entre setembro de 2007 e janeiro de 2008, que apontou que 83% dos entrevistados não usam os serviços turísticos da cidade sede do evento, os técnicos da Setur traçaram a estratégia. A principal ferramenta é a criação e implantação da Rede de Turismo de Negócios e Eventos de Belo Horizonte.
A Pesquisa do Impacto Econômico dos Eventos Internacionais Realizados no Brasil entrevistou 1.459 turistas que participaram de seis eventos técnico-científicos, que foram responsáveis pela movimentação de US$ 8,5 milhões de dólares no período de cinco meses. Deste total quase a metade foi gasta em hospedagem. Apesar do foco do estudo ser o turista internacional, Silvana Nascimento, explica que os resultados podem ser aplicados ao turista brasileiro que viaja a negócios pelo país.
A pesquisa indicou ainda que 67% não permaneceram mais tempo no destino além do evento e 80% informaram que não viajaram por cidades próximas ou mesmo para outros estados. Mais da metade informou que o país sede influenciou na decisão de participar do evento, porém 33% planejaram a viagem sem ajuda de serviços turísticos.
De olho no turista de negócios, que gasta uma média diária de US$ 312 dólares, três vezes mais que o turista de lazer, a Setur pretende com a proposta inovadora da Rede de Turismo de Negócios captar mais eventos e ao mesmo tempo oferecer serviços de qualidade ao turista de negócios, que adquire vários itens no Brasil, dos quais o artesanato ocupa lugar de destaque na mala dos viajantes.
A apresentação do projeto da Rede de Turismo de Negócios e Eventos será realizada às 15h30, no Auditório Quartzo do Minascentro, pela coordenadora de Turismo de Negócios da Setur, Silvana Nascimento.