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Notícia

Minas Gerais aumenta e descentraliza exportações

A forte aceleração das vendas externas nas regiões do Alto Paranaíba, Sul e Norte-Jequitinhonha foi um dos fatores que contribuiu para que as exportações de Minas Gerais registrassem, nos primeiros sete meses de 2007, um crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Essa situação mostra uma tendência à desconcentração espacial do segmento exportador mineiro.

Quarta-feira | 05/09/2007 | 16:29·Atualizado em 22/06/2013 | 04:56
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BELO HORIZONTE (05/09/07) - A forte aceleração das vendas externas nas regiões do Alto Paranaíba, Sul e Norte-Jequitinhonha foi um dos fatores que contribuiu para que as exportações de Minas Gerais registrassem, nos primeiros sete meses de 2007, um crescimento de 20,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o Centro de Estatística e Informações da Fundação João Pinheiro (CEI/FJP), essa situação mostra uma tendência à desconcentração espacial do segmento exportador mineiro.

As exportações do Alto Paranaíba cresceram, no período, 53,64% e as do Sul de Minas 52,49%, enquanto as vendas do Norte-Jequitinhonha foram 46,49% superiores às registradas nos sete primeiros meses de 2006. “No Alto Paranaíba, pesaram muito as exportações de nióbio da CBMM, no Sul o desempenho do café, tradicional na região, e os desempenhos da Votorantin Metais Níquel S.A., da Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos e da Noble Brasil Ltda. O Norte-Jequitinhonha exportou carnes, confecções e tecidos, com grandes participações da Coteminas e Independência Alimentos Ltda.”, explicou a coordenadora do Informativo de Comércio Exterior, a economista Elisa Maria Pinto da Rocha, do CEI/FJP.

As empresas exportadoras da região Central registraram um crescimento de 20,46% nas vendas, enquanto as do Rio Doce venderam 12,91% mais. No sentido inverso, as exportações do Noroeste mineiro caíram 1,39%. Com tudo isso, a variação, que ficou acima da média nacional (16,9%) foi a maior dentre os estados do Sudeste. São Paulo cresceu 14,5%, Rio de Janeiro 19,3% e o Espírito Santo 6%.

Destaques

As maiores exportadoras mineiras continuam sendo a Companhia Vale do Rio Doce, que contribuiu com 14,86% das vendas externas mineiras, a Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), com 8,04%, a Fiat Automóveis S.A., com 6,22%, a Gerdau Açominas, com 4,90%, e a Companhia Brasileira de Mineração e Metalurgia (CBMM), com 4,57% de participação.

Entretanto, os destaques de crescimento ficaram por conta das empresas Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda., com 896,82%, a Noble Brasil Ltda., com 293,50%, a Votorantin Metais Níquel S.A., com 165,06%, a Independência Alimentos Ltda., com 132,70%, e a Acesita, mais tradicional, que apresentou crescimento de 75,31% no primeiro semestre de 2007.

Além da diversificação da pauta de produtos para regiões não tradicionais do Estado, que foram beneficiadas pela implantação de segmentos industrializados, outro aspecto que contribuiu para o desempenho do comércio exterior mineiro foram as exportações para a China, cujas compras de produtos mineiros já vinham crescendo ao longo dos últimos anos e agora se tornou o principal país importador de produtos mineiros. Foi vendido US$ 1,613 bilhão para aquele país, o que significou 41,1% de crescimento e participação de 15,8% na pauta mineira.

Os Estados Unidos, que lideravam as importações de produtos mineiros, compraram US$ 1,46 bilhão, queda de 2,2% no crescimento e participação de 14,3%. Também a Argentina, com US$ 615 milhões, aumento de 29,2% e participação de 6%, tomou o quarto lugar do Japão, que comprou US$ 564 milhões, crescimento de 7,4% e participação de 5,5%.

Dentre os quatro principais mercados compradores de produtos mineiros, três deles expandiram as suas importações – União Européia (37,6%), Ásia (28,3%), e Mercosul (27,2%), enquanto as vendas para a Associação Norte-Americana de Livre Comércio (Nafta) caíram 4,4%. Em termos de países, os destaques de crescimento ficaram por conta de mercados compradores pouco tradicionais, tais como Iraque (7.333,0%), República Democrática do Congo (4.907,0%) e Cabo Verde (1.093,0%).

Segundo Elisa Rocha, a pauta para a China é concentrada basicamente em minério de ferro (82%), seguida de papel e celulose e produtos siderúrgicos. “É importante destacar que os Estados Unidos compram produtos de maior valor agregado, como jóias, produtos siderúrgicos, carros, papel e celulose etc., o que qualifica nossas exportações para aquele país além de ser uma pauta mais diversificada”, lembrou a especialista.

Segmentos exportadores

Dentre os 30 segmentos exportadores de Minas Gerais monitorados pelo Centro de Estatística e Informações da Fundação João Pinheiro (CEI-FJP), 25 registraram crescimento. As maiores taxas foram observadas no de álcool/bebidas (161,3% e US$ 45,9 milhões), couros e peles (99,4% e US$ 40,8 milhões), laticínios (65,8% e US$ 39,2 milhões) e outros materiais de transporte (90,3% e US$ 23,7 milhões). As exportações de álcool, que nos últimos anos têm apresentado excepcional expansão, mantêm também esta tendência altamente positiva em 2007.

Ainda em termos do desempenho setorial das exportações mineiras, registra-se relativa recuperação de segmentos como calçados (8,5% e US$ 11,2 milhões) e confecções (8,7% e US$ 52 milhões), que no ano passado fecharam em queda ou estagnação, em função da forte concorrência dos produtos chineses.

O superávit da balança comercial mineira foi de US$ 6,727 bilhões, nos primeiros sete meses de 2007 (exportações de US$ 10,215 bilhões e importações de US$ 3,488 bilhões), com crescimento de 14,7% em comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com a economista da Fundação João Pinheiro, as importações mantêm tendência de aceleração relativamente mais acentuada do que as exportações. Diante desse quadro, ela acredita que Minas Gerais deve chegar ao final de 2007 com exportações de US$18 bilhões a US$ 20 bilhões contra os US$ 15,6 bilhões, obtidos em 2006.