Minas Gerais destaca ações climáticas e amplia cooperação internacional durante conferência da ONU na Alemanha

Participação na SB64 reforça protagonismo do estado em políticas climáticas, transparência ambiental, combate ao desmatamento e transição energética

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Minas Gerais encerrou sua participação na 64ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (SB64), realizada em Bonn, na Alemanha, consolidando sua posição entre os principais governos subnacionais engajados na agenda climática global. Durante quatro dias de debates, o estado apresentou experiências e resultados em áreas como monitoramento climático, combate ao desmatamento, financiamento ambiental e segurança energética.

A delegação mineira destacou a importância do planejamento integrado, da produção de dados confiáveis e do acesso a financiamentos para acelerar a implementação de ações climáticas. Segundo o secretário-adjunto de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Diogo Melo Franco, indicadores, dados científicos e integração entre diversos setores são pilares da estratégia adotada em Minas Gerais.

A transparência das informações ambientais foi um dos temas centrais da conferência. Nesse contexto, Minas apresentou o MRV Climático, plataforma que acompanha e mensura metas e resultados das ações climáticas estaduais. Atualmente, Minas Gerais é o único estado brasileiro a contar com uma ferramenta desse tipo.

Temas que devem orientar a COP31

As discussões em Bonn também anteciparam prioridades para a COP31, entre elas o início do segundo ciclo do Global Stocktake (GST), o fortalecimento do Enhanced Transparency Framework (ETF) e os avanços na regulamentação do Artigo 6º do Acordo de Paris, voltado à cooperação internacional e aos mercados de carbono.

Os debates reforçaram ainda a necessidade de acelerar a implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), ampliar os recursos destinados à adaptação climática e transformar compromissos em resultados concretos. Também ganhou destaque o papel dos estados e municípios na execução de ações de mitigação, adaptação e resiliência.

Outro ponto relevante foi a integração entre ciência e formulação de políticas públicas, especialmente diante dos preparativos para o próximo ciclo de avaliações do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Para Minas Gerais, os temas discutidos dialogam diretamente com iniciativas já em andamento, como o MRV Climático, o combate ao desmatamento e a expansão das energias renováveis.

Florestas e reconhecimento internacional

A proteção das florestas e a reversão do desmatamento até 2030 também estiveram no centro das discussões. Segundo Diogo Melo Franco, há um movimento global para conciliar conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico, reconhecendo a importância das florestas para a biodiversidade, a economia e a qualidade de vida.

Durante a SB64, Minas Gerais também foi citado pela Carbon Disclosure Project (CDP), organização internacional que avalia a gestão de impactos ambientais. O estado foi reconhecido como o primeiro governo subnacional brasileiro integrado ao sistema a alcançar nota B em 2025.

De acordo com a superintendente de Qualidade Ambiental e Mudanças Climáticas da Semad, Renata Maria de Araújo, Minas prepara uma nova submissão de dados à organização e busca alcançar a classificação A, a mais alta concedida pelo CDP.

Energia limpa e segurança energética

Outro destaque da participação mineira foi a segurança energética associada à transição para uma economia de baixo carbono. Atualmente, Minas responde por cerca de 10% da geração de energia elétrica do Brasil, sendo o segundo maior produtor nacional. Do total da capacidade instalada, 96% provêm de fontes renováveis.

O estado consolidou-se como referência nacional em energia solar, com quase 13 gigawatts (GW) de capacidade instalada e cerca de R$ 80 bilhões em investimentos atraídos desde 2019. Minas também avança em iniciativas relacionadas ao biogás, biometano, hidrogênio de baixo carbono e armazenamento de energia.



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