Minas Gerais é sede de encontro internacional para debater dengue
Teve início em Belo Horizonte o Seminário Internacional de Novas Tecnologias para Prevenção e Controle da Dengue, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde. O evento conta com gestores de diversos estados do Brasil e de países da América do Sul.
BELO HORIZONTE (15/10/07) - Teve início nesta segunda-feira (15), em Belo Horizonte, o Seminário Internacional de Novas Tecnologias para Prevenção e Controle da Dengue, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde. O evento contou com a participação de gestores de diversos estados do Brasil e de outros países da América do Sul, que puderam conhecer as inovações para o combate à doença. O seminário termina nesta terça-feira, com a presença do ministro da Saúde José Gomes Temporão e do secretário de Estado de Saúde, Marcus Pestana, em evento marcado para as 10h30.
Nesse primeiro dia do seminário, o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, Giovanini Coelho, enfatizou a complexidade da questão da dengue, problema que requer inovações constantes, bem como a integração de diversas ferramentas. “Não podemos nos acomodar com métodos antigos, uma vez que novos tipos de dengue estão em circulação. Em vários países da América Latina, por exemplo, já existe a modalidade 4 da doença”, enfatizou. No Brasil são três tipos de vírus circulando: Den01, Den02 e Den03.
Uma das novidades apresentadas durante o seminário é o atual estágio de elaboração de vacinas. A substância está em desenvolvimento, abrindo perspectivas bastante positivas em relação ao combate à doença. Outro tema em discussão é a possibilidade de modificar o mosquito Aedes aegypti geneticamente, permitindo a esterilização da fêmea. Também estiveram em pauta as armadilhas para melhorar a avaliação dos riscos, a capacitação dos profissionais, além do aperfeiçoamento das formas de comunicação com a comunidade.
Para o representante da Organização Pan-americana de Saúde, José Luis San Martin, a discussão de tais assuntos é extremamente importante para a sobrevivência da raça humana. “Não podemos ignorar a periculosidade do mosquito e, por isso, tal debate é fundamental. Além disso, encontros desse porte permitem uma integração entre os países da América”, destacou.
Segundo o representante do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta, a circulação de um novo tipo de dengue e o aumento do número de casos de dengue hemorrágica em todo o país reforçam a necessidade de manter as ações de combate ao mosquito. “Precisamos dar desdobramento às discussões e ainda priorizar a interação com as universidades, que vêm realizando importantes pesquisas. A vigilância deve ser permanente”, salientou.
Debate nas Regionais
A SES promoveu também, nesta segunda-feira (15), uma videoconferência sob coordenação do médico cubano Eric Martinez. As discussões foram transmitidas do auditório da Secretaria e puderam ser acompanhadas nas Gerências Regionais de Saúde (GRS). O objetivo do encontro foi levar orientações aos profissionais de saúde, principalmente médicos e enfermeiros, acerca da abordagem clínica ideal que deve ser realizada junto aos pacientes com quadro suspeito de dengue.
“A dengue não é um problema mineiro, nem brasileiro, nem tampouco latino-americano. É um problema mundial. Estamos vendo que não é fácil acabar com o mosquito. Não temos vacinas, nem drogas antivirais. Então, se há dengue, a nossa meta é que pelo menos a conduta clínica, ou seja, o atendimento evite o óbito. A vida desse paciente não se salva em uma unidade de tratamento intensivo, mas sim, em um posto de saúde”, destacou o professor.
Eric Martinez é doutor em Ciências Médicas e professor titular de Pediatria. O médico é membro da Academia de Ciência de Cuba (ACC), da Associação Pan-americana de Infectologia (API), da Sociedade Latino-americana de infectologia Pediátrica (Slipe) e Diretor Nacional de Investigação e Desenvolvimento do Ministério da Saúde Pública de Cuba.
“A participação social, ou seja, a disciplina para prevenir e enfrentar a enfermidade é fundamental. Além disso, não apenas a qualidade da saúde pública é determinante a ocorrências das epidemias, mas também outros fatores, como os sociais, a urbanização não-planejada, as mudanças climáticas e a densidade populacional”, concluiu Martinez.
Dengue em Minas
Até agosto de 2007, foram notificados em Minas 38.974 casos de dengue. De acordo com o gerente de Vigilância Ambiental, Francisco Lemos, visando evitar o avanço da doença, muitas ações vêm sendo adotadas no Estado desde 2006, com investimento de mais de R$ 3 milhões.
Os municípios de Minas também estão sendo incentivados a realizar o Lira- Levantamento Rápido de Índice de Infestação do Aedes aegypti. Esse levantamento permitirá um conhecimento prévio, por parte das autoridades de saúde municipais dos seus principais criadouros do vetor e conseqüentemente medidas direcionadas a estes reservatórios poderão ser executadas.