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Minas Gerais pode adotar práticas de sucesso de região francesa

Quinta-feira | 09/12/2010 | 17:45·Atualizado em 14/05/2013 | 05:55
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BELO HORIZONTE (09/12/10) - Foram retomadas nesta semana as negociações envolvendo a parceria que está sendo desenhada entre Minas Gerais e a região de Nord-Pas de Calais (NPDC), no Norte de França, para adotar modelos de reconversão de territórios mineradores. Dirigentes do Centro de EcoTecnologias CD2E se reuniram na Central Exportaminas com representantes das Secretarias de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), Desenvolvimento Econômico (Sede) e Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru).

Representantes da Sectes e da região francesa desenvolveram e assinaram uma carta de intenções que estabelece diretrizes para o apoio ao desenvolvimento de ecotecnologias e empresas que atuam no sentido de promover o desenvolvimento sustentável.

O gerente do Polo de Excelência Mineral e Metalúrgico da Sectes, Renato Ciminelli, apresentou as ações que estão sendo desenvolvidas pelo Polo, como a spin-off Geopark Quadrilátero Ferrífero, em parceria com a Unesco. Dezoito instituições participam do comitê gestor do Polo, dentre elas as principais instituições de pesquisa, cinco associações industriais, governos estadual, federal e municipais, e grupos específicos de pesquisas. “O Polo já é visto como instrumento de iniciativa de vanguarda para o desenvolvimento", disse. Segundo Ciminelli, o Polo vai atrair fornecedores para a mineração e metalurgia de áreas como software e automação.

“Grande parte dos insumos ainda vem de outros estados ou países. Teremos a mineirização dos fornecedores e faremos a atração de novos negócios de base tecnológica. O Brasil começa a ter um grande problema hoje que é o apagão profissional e nós só poderemos ter sucesso com um grande projeto na área de educação e já estamos trabalhando com quinze grandes empresas de mineração e metalurgia. Formamos um programa de capacitação que está em pleno funcionamento”, afirmou.

A parceria entre as regiões vai promover o desenvolvimento integrado dos territórios mineradores e um dos próximos passos para estreitar os laços entre as duas regiões é identificar os parceiros operacionais. “Estamos construindo grandes avenidas de cooperação internacional”, disse. Para o diretor do CD2E, Christian Traisnel, a expectativa é que as duas regiões possam fazer trocas de novas tecnologias. "Estou impressionado com as ações do Polo. Um dos objetivos da nossa vinda é justamente identificar quais áreas serão atendidas".

Segundo ele, a região francesa reabilitou 10 mil novas habitações utilizando novas tecnologias de ecoconstrução e a meta é que em cinco anos sejam 100 mil novas habitações no total.

“Chegamos a ter 200 mil pessoas trabalhando na mineração e 150 mil na indústria têxtil em Nord-Pas de Calais. A região concentra 15% de todos os territórios poluídos da França. Dos 800 km de canais, 50% são poluídos. Esse foi o nosso legado das indústrias siderúrgicas, têxteis e de tinturarias. Com o declínio dos setores, criamos há 20 anos grandes projetos de reconversão de territórios. Temos um passado doloroso e que foi construído por diferentes segmentos”, disse.

Para reverter a situação, foi criado o Esquema Regional de Desenvolvimento Econômico, que baseia-se na inteligência coletiva que dá significado à ação pública. Atualmente temos 18 mil postos de trabalho envolvendo ecotecnologias. Foram criados sete polos de competitividade, dentre eles o polo de materiais e aplicação para uma utilização sustentável, de tecidos inovadores, de transportes aquáticos, de tecnologias do meio ambiente aplicadas às matérias e materiais e de transportes terrestres.

Segundo a superintendente de Intermediação para Assuntos Metropolitanos da Sedru, Maria Fátima Abreu, a parceria vai ser útil para Minas Gerais por possibilitar o necessário avanço do desenvolvimento integrado de regiões em Minas Gerais, envolvendo desenvolvimento econômico e social com sustentabilidade ambiental. “Podem se beneficiar, especialmente, os territórios minerários em vias de implantação, principalmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a partir da implementação do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) em fase final de elaboração, que tem diretrizes muito convergentes com a experiência de Nord-Pas de Calais”, afirmou. Os representantes ainda participarão de diversos encontros em Minas Gerais até esta sexta-feira (10).