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Notícia

Minas leva prevenção à criminalidade para África do Sul

A subchefe do Estado-Maior da Polícia Militar, coronel Luciene Albuquerque, apresentou em Durban, na África do Sul, os resultados do Programa Juventude e Polícia, implantado pelo Governo de Minas em diversas unidades da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

Terça-feira | 17/06/2008 | 14:49·Atualizado em 18/06/2013 | 16:25
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BELO HORIZONTE (17/06/08) - Especialistas em prevenção à criminalidade de diversos países do mundo estão reunidos em Durban, na África do Sul, onde participam do Encontro Internacional de Jovens para Prevenção da Criminalidade nas Cidades, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A subchefe do Estado-Maior da Polícia Militar, coronel Luciene Albuquerque, participou nesta terça-feira (17) do evento para falar sobre as experiências do Juventude e Polícia, implantado pelo Governo do Estado em diversas unidades da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). O objetivo do projeto é promover interação entre jovens de aglomerados e a PM, por meio da cultura e da arte.

“Os resultados alcançados trouxeram reconhecimento e reflexos altamente positivos para a PMMG e demonstraram que a repressão não deve ser a única estratégia da polícia no relacionamento com os jovens”, disse coronel Luciene. O coordenador do grupo Afroreggae (RJ), Betho Pacheco, um integrante do Programa Fica Vivo, implantado em Belo Horizonte, e a professora Ana Carolina, da Faculdade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, também foram convidados a participar do encontro.

Aproximação pela arte

De acordo com coronel Luciene, o projeto foi adotado em Minas a partir de uma parceria entre a Polícia Militar, o grupo Afroreggae e os jovens, que têm muito a ensinar e muito a aprender. "Crianças e adolescentes podem, com esse estreito relacionamento com policiais militares, mudar toda a sua história de vida. Por meio desse contato, lucram o jovem, a corporação, o policial e a sociedade", destacou.

Em Durban, a oficial da PM disse que vai explorar justamente esse relacionamento entre as partes, que tem sido muito proveitoso. Em suas palestras, coronel Luciene deverá ainda especificar que as relações entre a PM e os jovens, sobretudo aqueles que moram em favelas e nas periferias das grandes cidades, quase sempre são baseadas em estereótipos, de parte a parte. Para ela, falar de polícia chega a ser um tema tabu para alguns desses jovens. Antes de viajar, a subchefe do Estado-Maior ressaltou que raramente policiais têm oportunidade de conhecer e se relacionar com jovens fora do contesto criminal. A meta é diminuir essas barreiras, por meio de apresentações musicais e oficinas culturais. "A iniciativa pretende estabelecer um diálogo entre a cultura policial e a cultura do jovem", explicou a militar.

O projeto

O Juventude e Polícia foi idealizado pelo grupo Afroreggae e pela Faculdade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, foi desenvolvido, a partir de 2004, com a participação de policiais militares da 1ª Região da Polícia Militar (RPM). Atividades como grafitagem, dança, interpretação, percussão e basquetebol de rua fazem parte do projeto.

Jovem mineiro participa do evento

Sebastião Everton de Oliveira, 21 anos, mora no bairro Palmital, em Santa Luzia, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na última segunda-feira, (16), ele embarcou para Durban, como um dos cinco representantes brasileiros no Encontro Internacional de Jovens para a Prevenção à Criminalidade nas Cidades. Durante o encontro, Everton vai mostrar para 500 jovens de todo o mundo o Fica Vivo, programa de prevenção mantido pelo Governo de Minas, que já conseguiu reduzir em até 50% o número de homicídios nas regiões onde está implantado.

“A ansiedade é muita, além de ser uma viagem internacional tem a importância de apresentar um programa tão relevante como o Fica Vivo”, afirmou. Ele conheceu o programa em 2003 e, atualmente, coordena um grupo de mobilização e intervenção comunitária no Palmital. O objetivo do trabalho, segundo explica, é estimular o adolescente a ser “protagonista” em ações de interesse coletivo. “Estamos, atualmente, mobilizando a comunidade para resolver uma carência do transporte coletivo no nosso bairro”, conta Everton.

Além da experiência no Palmital, onde o Fica Vivo atende cerca de mil adolescentes, Everton está mostrando na África a estratégia do programa mineiro: são oferecidas aos jovens 549 oficinas em áreas como esporte, cultura, comunicação e inclusão produtiva, com cursos profissionalizantes. Atualmente, 13.293 jovens são despertados para novos interesses, afastando-se da criminalidade e tendo a oportunidade de inserção social e de ingresso no mercado de trabalho.

De acordo com o Instituto Latino Americano das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud), no evento da ONU na África, o Painel Brasil vai divulgar internacionalmente experiências exitosas e promissoras que vêm sendo desenvolvidas no País, possibilitando que os jovens envolvidos nos projetos possam ter contato com as redes internacionais da juventude. Os representantes de Minas Gerais vão apresentar ações de proteção social e demonstrar a força do Fica Vivo e do projeto Juventude e Polícia na formação de redes comunitárias. As redes têm apresentado resultados positivos na garantia de soluções locais para a prevenção à criminalidade.

Governo vai ampliar o programa

Criado pelo Governo do Estado em 2003, o Programa Fica Vivo visa a reduzir o número de homicídios no Estado. Desenvolvido pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), por meio da Superintendência de Prevenção à Criminalidade (Spec), o programa atende jovens de 12 a 24 anos em situação de risco social e residentes nas áreas com maior índice de criminalidade de Minas.

O programa está implantado em 21 núcleos instalados em Belo Horizonte, Região Metropolitana e interior do Estado. De acordo com registros da Polícia Militar, o Fica Vivo conseguiu, por meio de ações preventivas, reduzir em até 50% as taxas de homicídio nas regiões atendidas. Em 2008, serão implantados mais quatro núcleos do Fica Vivo em Belo Horizonte, Betim, Montes Claros e Santa Luzia.

Para a diretora de Promoção Social da Juventude da Spec, Kátia Simões, a apresentação do programa no Encontro Internacional de Jovens para a Prevenção à Criminalidade nas Cidades confirma o reconhecimento do Fica Vivo como ação eficaz de enfrentamento da violência a partir da mobilização dos jovens nas suas próprias comunidades. “Na África, os jovens mineiros vão aprender sobre outros programas e, na volta, terão muito a acrescentar ao debate sobre prevenção social da criminalidade”, informou.