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Minas lidera a produção brasileira de abacaxi

Minas lidera a produção brasileira de abacaxi

Terça-feira | 15/07/2003 | 00:00·Atualizado em 05/06/2013 | 05:52
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A participação dos órgãos do Sistema Operacional da Agricultura, sob a orientação do secretário Odelmo Leão, tem sido de fundamental importância para o desenvolvimento do agronegócio no Estado. Essa nova política garante ao produtor a assistência técnica para o bom desempenho de sua lavoura, os benefícios da pesquisa e também a orientação dos especialistas em saúde vegetal, entre outros. Uma das áreas beneficiadas é a fruticultura, na qual se destaca o abacaxi, que põe Minas na liderança da produção brasileira.

De acordo com o secretário, a produção dessa fruta em Minas tem sido uma boa alternativa para o desenvolvimento da agricultura familiar, principalmente por aproveitar a vocação existente e o potencial produtivo da cultura em grande parte dos municípios mineiros, ajudando a incrementar o agronegócio, que constitui a base de recuperação da economia estadual. A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) incentiva a indústria caseira (familiar) para agregar valor ao produto e contribuir para a redução do desemprego nas regiões produtoras de Minas.

Triângulo Mineiro

O coordenador-técnico de Horticultura da Emater-MG de Uberlândia, Waldir Vicente dos Santos, faz acompanhamento da produção de abacaxi nos 12 maiores municípios produtores no Triângulo Mineiro, com 12 mil hectares de lavouras, mas três deles - Monte Alegre de Minas, Canápolis e Frutal - detêm 80% da produção. Somente na região de Uberlândia, a produção de abacaxi chega a 260 mil toneladasano, com produtividade superior a 35 mil kgha.

A variedade preferida para o plantio é o abacaxi Pérola e a produção tem um mercado variado, sendo que 15% são exportados para a Argentina, Uruguai e Paraguai; 40% da fruta in natura são comercializados nos grandes centros e o restante é vendido para as seis indústrias localizadas em Araguari, Monte Alegre de Minas e Canápolis.

Um trabalho de pesquisa desenvolvido pelo extensionista e consultor- técnico em abacaxicultura da Emater-MG, José Roberto da Silva, do município de Monte Alegre de Minas, no Triangulo Mineiro, mostra que a produção nacional ultrapassa a casa de 1 milhão de toneladas e destina-se basicamente ao mercado interno para consumo in natura e para abastecer as agroindústrias (sucos, doces e outros derivados do abacaxi).

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) vem procurando conscientizar os produtores para a produção de mudas sadias fiscalizadas e, na medida do possível, fazendo a defesa sanitária necessária à proteção da abacaxicultura no Estado. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), por intermédio de suas unidades em Lavras, Uberaba e Jaíba, vem realizando trabalhos que contribuem para o desenvolvimento da cultura no Estado. Os resultados obtidos pela empresa ao longo de mais de duas décadas indicam a produção de mudas sadias e a adoção de um Programa de Boas Práticas Agrícolas (BPA) como requisito indispensável para a obtenção de padrões produtivos e qualitativos que atendam aos mercados interno e externo.

Esta conclusão é das pesquisadoras da Epamig, Sara Maria Chalfoun e Lenira Viana Costa Santa-Cecília, que fazem um alerta com relação às mudas obtidas de terceiros. Os produtores devem verificar a sua origem, porque podem estar com problemas fitossanitários, que, uma vez introduzidos, dificilmente serão erradicados e contaminarão as plantas sadias e aumentarão o custo do produto final.

Em vista da carência de mudas sadias para a expansão dos plantios já estabelecidos e a implantação de novas áreas, pontos críticos determinados pela pesquisa, são importantes a criação de mecanismos que incentivem a crescente utilização de mudas fiscalizadas e, conseqüentemente, o credenciamento de viveiristas, o que representará uma fonte de renda adicional para os produtores.

Minas lidera a produção brasileira

O Brasil ocupa o terceiro lugar na produção de abacaxi, com 1,46 milhão de toneladas, perdendo apenas para a Tailândia e Filipinas. Minas Gerais continua na primeira colocação, com 370,8 milhões de frutos, e uma área colhida de 60,2 mil hectares, sendo responsável por 25,2% da produção nacional, com rendimento médio de 24,4 mil frutos por hectare.

Mais de cem municípios mineiros produzem abacaxi e outras regiões, como Noroeste, Vale do Jequitinhonha, Centro e Norte, vêm desenvolvendo a cultura, envolvendo mais de dois mil produtores e indiretamente mais de 70 mil. O mercado de fruta in natura para essa cultivar se concentra nos seguintes pontos: Ceasas de Contagem e Uberlândia, Ceagesp (São Paulo), Ribeirão Preto, Campinas, São José do Rio Preto, Ceasas de Goiás e Brasília. Em menor escala, o abacaxi produzido em Minas abastece os mercados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

No ano passado, segundo pesquisas da Ceasa-MG, o mercado atacadista mineiro se destacou com o aumento da oferta da fruta. Somente na unidade Grande BH da Ceasa, o volume foi 24% maior que em 2001. Este aumento, no entanto, não beneficiou os produtores mineiros, que vêm reduzindo ano após ano sua participação percentual no volume total ofertado nesse mercado. O preço do quilo do abacaxi na Ceasa variou, de janeiro a dezembro do ano passado, entre R$ 0,50 a R$ 0,73 e a quantidade ofertada fechou o ano em 3,85 mil toneladas.

O presidente da Associação dos Horticultores (Assohfrut) de Monte Alegre de Minas, José Pereira, decidiu reunir os produtores de abacaxi numa associação como forma de aperfeiçoar a produção e descobrir novas tecnologias a fim de acompanhar o mercado e também para defender os interesses dos produtores. Ele afirma que ultimamente tem havido muito calote, pois as vendas efetuadas não são quitadas e a maioria está com cheques para receber. O próprio presidente da Assohfrut acumula prejuízo superior a R$ 5 mil. A idéia é administrar a produção desde a saída do campo até a comercialização final. É uma tarefa difícil, pois na região existem mais de 400 produtores de abacaxi, mas apenas 22 se tornaram associados.

José Pereira é um pequeno produtor, mas produz abacaxi há mais de 15 anos e acredita que poderá ajudar os que desejam obter lucratividade e fugir dos intermediários. O presidente da Assohfrut reclama da atual situação econômica do país, afirmando que o produtor vai ao banco buscar empréstimo, mas desiste, pois os juros são altos e as exigências fora da realidade do pequeno e médio produtor.

Explorando 14 hectares arrendados, Pereira produz 30 mil kgha e o preço varia de acordo com a época de produção, podendo chegar a R$ 0,15 o quilo.

Edvaldo Alves Gonçalves também faz parte da Assohfrut e explora uma área de 3 hectares arrendados pelos quais paga R$ 1,8 mil a cada três anos. O pico da produção de abacaxi ocorre em fevereiro e março e depois em setembro e outubro.O preço do abacaxi de tamanho médio nessas épocas é de R$ 0,40 e o grande R$ 0,80. Durante o ano, a produção lhe rende R$ 36 mil, mas a metade do lucro ele gasta em tratos culturais, mão-de-obra, correção do solo e insumos agrícolas. A maior parte da produção é vendida para intermediários que vão apanhar os frutos na propriedade para serem vendidos nas Ceasas de Uberlândia e Contagem, na região da Grande-BH.

Industrialização é bom negócio

No parque agroindustrial existem dez indústrias em Minas e, somente no Triângulo Mineiro, duas agroindústrias estão em Monte Alegre de Minas, três em Canápolis e duas em Araguari. Os produtores conseguem bom preço para o abacaxi. Para cada quilo de abacaxi vendido a R$ 0, 35, os custos chegam a R$ 0,16. A maioria dos produtores faz opção de venda direto nas Ceasas onde garantem um melhor preço, pois evitam os atravessadores.

No município de Canápolis, no Triângulo Mineiro, está localizada a indústria Doce Mineiro Ltda., de propriedade do empresário Marcos Antônio de Paula e sua mulher Maria Aparecida Figueira de Paula. Empregando 150 pessoas, a fábrica de sucos e compota de abacaxi produz 1,2 mil latas de 400 gramashora e cinco toneladashora de suco. No ano passado, a empresa exportou para a Itália, Inglaterra, Holanda, México e Argentina, 80 toneladas de abacaxi em compota e 40 toneladas de suco em tambores de 200 litros cada, com preço de US$ 1 mil dólares a tonelada, posto no Porto de Santos. Também no ano passado, a empresa comercializou 2 milhões de latas de doce em compota com a marca ‘Doce de Abacaxi Triângulo Mineiro’.

O empresário Marcos Antônio de Paula revelou que existem encomendas de US$ 500 mil dólares, mas a linha de crédito do Banco do Brasil tem limite de US$ 180 mil. O empresário acredita tanto neste tipo de investimento que está abrindo uma nova unidade no Estado de Tocantins. Disse que não tem do que se queixar dos produtores de abacaxi da região do Triângulo que são seus fornecedores e somente em 2002 comprou 4 milhões de quilos ao preço de R$ 0,35 o quilo.

Mercosul é o maior comprador

No mercado internacional, o abacaxi foi negociado no ano passado a US$ 0,21 por quilo e o volume exportado pelo Brasil atingiu 8,6 mil toneladas de frutos frescos ou secos, atendendo principalmente aos países do Mercosul (Argentina e Uruguai). As exportações mineiras de abacaxi no ano passado chegaram a 4,1 mil toneladas e o preço pago por quilo foi de US$ 0,20. A Tailândia continua sendo o maior produtor mundial de abacaxi, com 1,9 milhão de toneladas, seguido das Filipinas, com 1,7 milhão de toneladas. A produção mundial, de acordo com a FAO, é de 14 milhões de toneladas, com uma área colhida de 768 mil hectares. No Brasil, o segundo maior produtor é a Paraíba, com 274 milhões de toneladas de frutos, mas está em primeiro lugar em rendimento médio, chegando a 29,3 mil frutos por hectare. Em 2002, a produção nacional cresceu 8,8% em comparação com 2001, aumentando também a área em 1,9%.

Os cultivares Smooth Cayenne e Pérola lideram o mercado brasileiro. A primeira é bastante explorada, sobretudo no Triângulo Mineiro. No Estado de Tocantins, segundo estimativas do IBGE, a abacaxicultura vem se destacando porque os produtores estão cultivando a variedade Jupi, com bastante aceitação no mercado consumidor pelo seu formato cilíndrico e polpa mais doce. O destino do fruto fresco produzido em Minas tem sido o mercado atacadista situado nas principais regiões metropolitanas do Sul e Sudeste do país.