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Notícia

Minas orienta população sobre prevenção da febre maculosa

Com o questionamento Você conhece esta doença?, a Secretaria de Saúde de Minas elaborou um milhão de folderes e 20 mil cartazes com orientações sobre a febre maculosa. Objetivo é esclarecer a população sobre a prevenção, sintomas e condutas, e sobre o carrapato que transmite a doença.

Sexta-feira | 09/03/2007 | 19:39·Atualizado em 23/05/2013 | 17:34
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BELO HORIZONTE (09/03/07) – Com o questionamento, “Você conhece esta doença?”, a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES) elaborou e produziu um milhão de folderes e 20 mil cartazes com orientações sobre a febre maculosa. O objetivo do material é esclarecer a população sobre a prevenção, sintomas e condutas e sobre o carrapato que transmite a doença.

De caráter endêmico, há registros de vários casos de febre maculosa ao longo do ano no Estado, principalmente nas regiões dos Vales do Rio Doce, Jequitinhonha, Mucuri e do Aço, Zona da Mata e Região Metropolitana de Belo Horizonte. No entanto, a técnica da Coordenação de Zoonoses, Talita Chamone, esclarece que o período de maior incidência é o segundo semestre do ano.

“Com o tempo seco, ocorre maior incidência de larvas e ninfas do carrapato. Nesses dois estágios de desenvolvimento do artrópode, a picada é menos percebida pelos seres humanos, em comparação à forma adulta”, explica.

Por meio da picada, o carrapato contaminado transmite ao homem a bactéria Rickettsia rickettsii. Para haver a contaminação, o carrapato tem de ficar de quatro a seis horas fixado à pele do homem. Daí a importância de as pessoas que vivem em áreas propícias à proliferação do artrópode ou têm contatos com animais hospedeiros realizarem a inspeção diária do corpo para checar a presença do carrapato e retirá-los o mais rápido possível. Além disso, é importante manter hábitos de higiene, como tomar banho todos os dias e usar roupas sempre limpas.

Outra medida é evitar entrar em áreas sabidamente infestadas por carrapatos. Mas, ao ser preciso percorrer matas, a pessoa deve usar roupas claras para facilitar a visualização do artrópode e blusas de manga comprida.

Quadro atual

A ocorrência da febre maculosa, em Minas Gerais, encontra-se sob a mesma freqüência nos últimos anos, já que não tem ocorrido aumento ou redução demasiada. A SES esclarece que uma pessoa que apresente os sintomas deve procurar, imediatamente, o serviço médico, principalmente se tiver apresentado contato com animais ou estado em situações propícias ao contato com carrapatos, como passeios a matas e pescarias.

“Não se deve aguardar o resultado dos exames para tomar os devidos cuidados. Assim que for constatado pelo profissional de saúde que o paciente está com sintomas da doença, ainda mais se forem levantadas suspeitas de que a pessoa tenha tido contato com o carrapato, o tratamento já deve ser iniciado”, enfatizou o coordenador de Zoonoses, Francisco Lemos.

Na primeira visita do paciente à unidade de saúde, é feita a coleta do sangue e o soro é encaminhado ao laboratório de referência no Estado, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), onde são disponibilizados exames pelo SUS. Duas semanas após o primeiro contato, também é recomendável que a pessoa retorne ao local onde foi atendido para nova coleta de sangue, já que ela pode demorar a apresentar os anticorpos detectados por meio do teste.

A SES trabalha em cima dos protocolos de doenças hemorrágicas (dengue, febre amarela, hepatite, leptospirose, febre maculosa e hantavirose), que abrange, de uma forma única, doenças desta natureza. As capacitações realizadas pela Secretaria aos profissionais de saúde abordam, justamente, esses protocolos, visando orientar os atendimentos cujos quadros clínicos se nos incluam das doenças hemorrágicas, de maneira geral. Além desses cursos, a SES está concluindo um calendário com normas, informações técnicas, sintomas e condutas de diversas zoonoses. Este material será distribuído a toda rede de saúde, para orientar os profissionais da área.

Este ano, o primeiro caso de febre maculosa no Estado foi confirmado no último dia 05 de março. Trata-se de uma adolescente de 14 anos, do município de Juiz de Fora, que veio a óbito no dia 21 de fevereiro. No ano passado, foram confirmados 18 casos da doença, com a ocorrência de oito óbitos, nos municípios de Juiz de Fora, Frei Gaspar, Teófilo Otoni e Caeté.

Febre maculosa

A Febre Maculosa é uma doença febril aguda, de gravidade variável, causada pelo microorganismo Rickettisia rickettsii, que sobrevive brevemente fora do hospedeiro, e é transmitida por carrapatos infectados, da espécie Amblyomma cajennense, também chamados de "carrapato estrela", "carrapato de cavalo" ou "rodoleiro". As larvas são conhecidas por "carrapatinhos" ou "micuins" e as ninfas (estágio intermediário entre larva e carrapato adulto) por "vermelhinhos". São hematófagos, isto é, alimentam-se de sangue.

O período de incubação no homem, após receber a picada infectante, leva de dois a 14 dias - em média, sete dias -, para apresentar os primeiros sintomas. A doença tem um começo súbito com febre de moderada a alta, que dura geralmente de duas a três semanas, e é acompanhada de cefaléia, calafrios e congestão das conjuntivas. No terceiro ou quarto dia, pode se apresentar exantema (manchas vermelhas) nas extremidades. Não se transmite diretamente a febre maculosa de uma pessoa para outra. O carrapato permanece infectante por toda sua vida, que dura, aproximadamente, 18 meses.

A doença pode também ficar assintomática ou com sintomas leves. Alguns casos evoluem gravemente, ocorrendo necrose nas áreas com sangramentos, em decorrência de vasculite (inflamação dos vasos sanguíneos) generalizada. Alguns problemas como torpor e agitação psicomotora são freqüentes. Outros sintomas comuns são tosse e queda de pressão.