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Minas se prepara para o enfrentamento de emergências em saúde

Quinta-feira | 31/03/2011 | 18:22·Atualizado em 27/06/2013 | 21:13
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BELO HORIZONTE (31/03/11) - A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), com o apoio da Fundação Ezequiel Dias (Funed) e da Copasa, promoveu, entre os dias 22 e 30 de março, uma capacitação para o enfrentamento às emergências em saúde pública com foco em cólera. No Estado, dados da SES mostram que nos últimos 11 anos não houve a detecção de nenhum caso. No Brasil, o último surto da doença foi em 1993, de acordo com o Ministério da Saúde (MS).

Com o avanço de epidemias da doença no Haiti e na América Central, associado ao fluxo de viajantes estrangeiros para o Brasil e de brasileiros viajantes, Minas quer estar preparada para enfrentar qualquer possibilidade de risco de propagação da doença no país. O Ministério da Saúde recomenda aos serviços de saúde, incluindo a vigilância em saúde, a manutenção de equipes atentas e preparadas para o enfrentamento desta emergência.

“A Funed está exercendo a sua missão, tentando evitar que a doença se estabeleça e diminuindo seu impacto”, afirma a chefe da Divisão de Vigilância Sanitária da Funed, Rita Lopes.

Na capacitação, foi realizado treinamento teórico e prático em duas modalidades. A primeira para os servidores de laboratórios da Funed e a segunda para representantes da SES, das gerências regionais de saúde, de municípios estratégicos e da Copasa. Em ambas, a parte teórica contempla as características da doença, sintomas, o histórico da cólera no Brasil, a vigilância epidemiológica e a ambiental. Os funcionários do laboratório da Funed fizeram também um curso prático de como realizar os exames de cólera e como identificar o bacilo (modelo da bactéria) da doença.

O conteúdo prático da segunda modalidade do curso aborda a parte de campo da vigilância epidemiológica. Em parceria com a Copasa, foram identificados os principais pontos de convergência de esgotos nas cidades contempladas pela vigilância. Por isso, os profissionais estão aprendendo a colocar uma mecha (coletor de amostras) nesses esgotos, e também a fazer o armazenamento e encaminhamento dessas amostras para que o laboratório da Funed possa realizar o exame que verifica a existência de indícios de cólera.

Em caso de detecção da doença, a subsecretaria de Vigilância em Saúde deve acompanhar e notificar o MS, além de fazer uma busca ativa da origem da doença.

Cólera

A cólera é uma doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina da bactéria Vibrio cholerae. Pode se apresentar de forma grave, com diarreia aquosa e profusa, com ou sem vômitos, dor abdominal e cãibras. Esse quadro, quando não tratado prontamente, pode evoluir para desidratação, acidose e colapso circulatório, com choque hipovolêmico e insuficiência renal, podendo provocar a morte do paciente infectado.

A transmissão ocorre, principalmente, pela ingestão de água contaminada por fezes ou vômitos de doente ou portador. Ocorre ainda pelo consumo de gelo fabricado com água contaminada e pela ingestão de alimentos contaminados por mãos de manipuladores dos produtos, bem como pelas moscas. A propagação de pessoa a pessoa, por contato direto, também pode ocorrer.

O ministério recomenda os seguintes cuidados para prevenção de cólera: lavar as mãos antes do preparo e consumo de alimentos e após urinar ou defecar; consumir, preferencialmente, água mineral ou de origem conhecida; não ingerir alimentos de origem desconhecida ou de locais com condições sanitárias insatisfatórias; evitar consumir comidas vendidas por ambulantes; em áreas afetadas, evitar contato com coleções hídricas (rios, lagoas, açudes e outros) e o consumo de alimentos crus.