Minas se prepara para recuperar mercado do alho
Minas se prepara para recuperar mercado do alho
Os agricultores mineiros dispostos a enfrentar a concorrência do alho que chega de outros Estados, como Santa Catarina e Goiás, e também de países como a Argentina e a China iniciam o plantio neste mês, investindo na expansão das lavouras e no aumento da produtividade. A disputa de preços é forte, mas os agricultores, contando com o apoio e a orientação do governo estadual, procuram oferecer produto diferenciado pela qualidade.
A principal motivação dos agricultores mineiros, que buscam a recuperação do mercado, é a certeza de que haverá demanda para toda a produção de alho que oferecerem a partir de agosto ou setembro. O mercado tem condições de absorver inclusive uma safra estadual superior a do ano passado, que foi de 34.247 toneladas, colhida numa área de 3.293 hectares, com rendimento superior a 11,8 mil quilos por hectare. Na safra anterior, a produção foi de 26.689 toneladas, e o rendimento médio 9,3 mil quilos por hectare.
Esses números constam de levantamento realizado pela Superintendência de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. De acordo com o trabalho, a maior área plantada está no Alto Paranaíba, destacando-se as lavouras dos municípios de Rio Paranaíba, Guarda-Mor e Buritis, onde o alho ocupa 1.562 hectares e a produção alcança 18.558 toneladas, portanto mais da metade da safra de todo o Estado.
Em Uberaba, a área é de 130 hectares e a produção alcança 1.820 toneladas, o que representa rendimento de 14 mil quilos por hectare, o maior do Estado. Os demais produtores se concentram nas regiões Central, Rio Doce, Zona da Mata, Centro-Oeste, Norte de Minas e Jequitinhonha/Mucuri. Na Zona da Mata existem 9 hectares cultivados com produção de 45 toneladas e rendimento de 5 mil quilos/hectare.
Segundo os técnicos da Seapa, a maioria dos produtores que respondem pelos bons resultados da produção de alho em Minas Gerais é de pequeno porte. Extensionistas da Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, transmitem a esses agricultores informações de plantio, trato e colheita. Com orientação em todas as fases do cultivo e utilizando os recursos da moderna agricultura, os produtores estão aumentando o rendimento de suas lavouras.
O Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias, órgão vinculado ao IBGE, mostra no último levantamento sobre a situação de plantio e colheita do alho no Brasil, realizado em 2002, que Minas Gerais detém, isoladamente, a condição de maior produtor desse condimento no país. Para apresentar produção superior à mineira, que representa mais de 30/% da produção nacional, de 122.831 toneladas, os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm que unir seus resultados. No ano passado, esse bloco teve uma safra de 44.470 toneladas de alho, com rendimento médio de 6,5 mil quilos/hectare, portanto menor que a produtividade obtida pelos produtores mineiros, que é de 11,8 mil quilos por hectare.
Além disso, os estados do Sudeste, em conjunto, produziram na última safra 37.445 toneladas de alho, o que mostra o predomínio absoluto da produção mineira nesse grupo.
Produção de tempero é negócio lucrativo
A safra de 122.831 toneladas, colhida no Brasil em 2003, foi 7,61% superior a do ano anterior, de 114.144 toneladas. Apesar da expansão da produção, continua encontrando espaço no mercado o produto importado da China, Argentina, México e Espanha, que concorre principalmente com o preço. Há empresas especializadas na importação e exportação de alho nas principais cidades de Minas. Em Belo Horizonte e Contagem, os atacadistas vendem o produto nacional e o importado para grandes redes de supermercado a preços entre R$ 1,80 e R$ 2,50 o quilo.
Uma distribuidora de Contagem recebe, mensalmente, de duas a três carretas de alho importado da Argentina, cada uma com 25 mil quilos. O produto se destina a dezenas de micro e pequenas fábricas de temperos e pasta de alho. Mas além do alho importado que chega, principalmente no período da entressafra no Estado, o produto é cultivado em Santa Catarina e em Goiás. Nesse caso, as indústrias pagam entre R$ 1,60 e R$ 2,20 por quilo da hortaliça, que industrializam e colocam no mercado em potes de 300 gramas cotados em torno de R$ 0,50. O preço do tempero nas gôndolas dos supermercados está na faixa de R$ 0,90.