Montes Claros capacita técnicos contra a doença de Chagas
MONTES CLAROS (28/07/08) – A Gerência Regional de Saúde (GRS) de Montes Claros orientou, entre os dias 21 e 25 de julho, técnicos laboratoristas de 14 municípios da jurisdição da GRS de Montes Claros na identificação dos Triatomíneos, popularmente conhecidos como barbeiros, vetores da doença de Chagas.
A equipe da Fiocruz, formada pela pesquisadora Maria Angélica de Oliveira e pelo técnico em Entomologia, João Paulo dos Santos, e o gerente estadual do Programa de Controle da doença de Chagas, Bernardino Vaz de Melo Azeredo, promoveram a capacitação.
No encerramento do curso, na sexta-feira (25), Bernardino Azeredo ressaltou a importância do comprometimento da GRS e dos municípios no controle da doença de Chagas. Segundo o coordenador, graças a esse comprometimento, em Minas Gerais não há registro de casos agudos da doença.
“O objetivo maior do curso, além da questão pedagógica, é fazer com cada técnico se familiarize com a chave de classificação do inseto e se torne apto a atuar de forma eficaz no seu controle. O material utilizado no curso é muito rico e o que esperamos é que cada participante possa fazer bom uso, consultando-o sempre que tiver dúvidas”, disse Azeredo.
A pesquisadora Maria Angélica de Oliveira disse que com o curso os técnicos adquirem certa independência na prática do trabalho. “O treinamento ajuda aos laboratoristas a identificar e classificar com mais facilidade o inseto e, também, na conscientização da importância da análise do inseto e da desinsetização do local onde for encontrado. Essa capacidade de avaliação e intervenção é fundamental no trabalho de controle”, explicou a pesquisadora, que também colocou à disposição um número de telefone e e-mail para que os participantes possam contatá-la sempre que tiverem dúvidas.
Motivação e empenho
Em sua preleção, o coordenador de Epidemiologia da GRS de Montes Claros, João Geraldo de Rezende, disse que no trabalho com a saúde é necessário que todos os envolvidos estejam atentos à questão do método e pensem de forma macro. “Não devemos pensar no nosso trabalho de forma individual, mas dentro do contexto em que ele está inserido, porque o resultado que se pretende alcançar depende do interesse e empenho de todos nós, indistintamente. A doença de Chagas não é uma doença negligenciada e a realização desse curso é uma prova disso. O Governo de Minas, através da Secretaria de Estado de Saúde e das GRSs, mantém um controle permanente dos vetores da doença, mas é importante que cada laboratorista, cada agente de saúde entenda a importância de seu papel nesse processo e tenha motivação e empenho para que esse controle seja mantido”, afirmou.
A diretora da GRS de Montes Claros, Olívia Pereira Loiola ressaltou a importância do trabalho dos técnicos para a qualidade de vida da população. “O SUS trabalha com o ser humano. A escolha das pessoas que participaram do curso foi feita tendo como base o melhor, e depois da troca de experiências durante esses cinco dias de curso, cada técnico volta para seu município mais preparado para fazer o seu melhor e ajudar no combate à doença de Chagas. Isso é fundamental”.
Resultados
Paulo Giovanni Borges da Silva, que trabalha há oito meses como laboratorista no município de Francisco Sá, disse que a partir de agora vai fazer todo possível para ver seu trabalho dar bons resultados. “Estou amando o barbeiro e vou buscá-lo onde estiver”.
Maria Socorro de Barros, que começou a atuar no controle da doença há pouco mais de quinze dias, no município de Jaíba, disse que encontrou no curso muito mais do que esperava. “Ao longo das aulas fui esclarecendo minhas dúvidas e tomando gosto pelo trabalho. O contato com técnicos de outros municípios também me ajudou a comparar a situação da minha cidade com a dos outros municípios. Tenho certeza que estou voltando muito mais preparada. Ainda tenho muito que aprender, mas o que vi no curso me fez avançar muito”.
Segundo Bernardino Azeredo, o curso é realizado duas vezes ao ano, em todo Estado, e forma agente multiplicadores. “O laboratorista que participa do curso, além de se capacitar na identificação dos Triatomíneos, também está apto a orientar os agentes e técnicos de sua região”, explicou. De acordo com o coordenador, o curso é ministrado desde 2001 e os resultados têm sido muito positivos, contribuindo de forma significativa no combate ao inseto.