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Museu da Loucura de Barbacena abre exposição no dia 18

Segunda-feira | 14/05/2007 | 16:58·Atualizado em 12/06/2013 | 10:41
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BARBACENA (14/05/07) - O Museu da Loucura, localizado no Hospital Psiquiátrico de Barbacena, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, participa da Semana Nacional dos Museus, instituída pelo Ministério da Cultura (Minc) entre os dias 14 e 20 de maio. A comemoração será intensificada no dia 18, quando é celebrado o Dia Internacional dos Museus e o Dia Nacional de Luta Antimanicomial, com abertura de uma exposição, às 10h, com cartazes e montagens que retratam a luta antimanicomial e a reforma psiquiátrica. Durante o evento, alunos do Conservatório Municipal de Barbacena vão apresentar um recital.

A expectativa da coordenadora do museu, Lucimar Pereira da Silva, é que o local receba pelo menos mais 100 visitantes aos já tradicionais 150 que vão toda semana. Por mês, a média é de 600 a 700 pessoas. Estudantes de Psicologia e de Enfermagem (técnico e de graduação) de diversas faculdades de Minas e de outros estados representam a maior parte dos visitantes, mas ainda há alunos dos ensinos médio e fundamental e curiosos em busca de informações sobre a história da psiquiatria brasileira.

As visitas orientadas devem ser agendadas. Fundado em agosto de 1996, o Museu da Loucura funciona, diariamente, das 8h às 12h e das 13h às 18h, com entrada gratuita. Durante o passeio, é possível visitar sete salas onde estão dispostos relatos históricos, acervo, documentos, abordagem do preconceito, fotografias que revelam métodos antigos de contenção dos pacientes, como eletrochoque e celas. Um dos ambientes que chama a atenção e provoca sensações distintas nas pessoas é a psicocirurgia (lobotomia).

Lucimar Pereira comenta que, no local, há diversas radiografias do cérebro e equipamentos cirúrgicos, além de efeito sonoro que imita batimentos cardíacos. Na recepção do Museu da Loucura, os visitantes podem observar uma amostra da produção dos pacientes psiquiátricos durante as oficinas terapêuticas de bordados, tapetes, cestarias em jornal, cartões, entre outros. Os objetos podem ser adquiridos. A renda é revertida para a compra de materiais para as atividades e para a manutenção do museu.

O presidente da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, Luís Márcio Araújo Ramos, acredita que, abrindo as portas para a visitação pública, existe a expectativa de um envolvimento maior com a sociedade. Isto é bom para os pacientes e para a própria comunidade, que precisa entender que doença mental não requer necessariamente o isolamento da pessoa e a sua exclusão social. “Desta forma, o Museu da Loucura é mais um avanço no processo de humanização do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena”, afirma.

A coordenadora explica que o Museu da Loucura é uma atração não apenas para o meio acadêmico, mas para toda a comunidade. “Além de mostrar a história do antigo manicômio, por meio da exibição de equipamentos, acervo do hospital e ainda documentação de dados coletados e pesquisados em todo o Estado, enfoca a atual abordagem do tratamento psiquiátrico que vem sendo desenvolvida junto aos pacientes. E com isso proporciona abertura para a comunidade aceitar melhor o portador de sofrimento psíquico”, considera.

Histórico

Em novembro de 1979, aconteceu em Belo Horizonte, o III Congresso Mineiro de Psiquiatria, com o objetivo de deflagrar um processo político de mudanças na área da Psiquiatria, em Minas Gerais. Durante o evento, foi montada uma exposição de fotos do então Hospital Colônia de Barbacena, audiovisuais sobre assistência psiquiátrica e um banco de dados referente à psiquiatria em todo o Estado, inclusive apontando a primeira visita do psiquiatra italiano Franco Basaglia ao Hospital Colônia, em julho de 1979. A partir dessa mostra, surge a idéia de se criar um Museu da Psiquiatria.

Mas a proposta só ganhou força em fevereiro de 1987, com uma nova exposição, dessa vez no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, também com fotos, documentos, reportagens, objetos e instrumentos sobre o antigo Hospital Colônia. A evolução veio com a definição do objetivo do resgate da história da assistência psiquiátrica pública em Minas Gerais, além de servir como centro de documentação e pesquisa na área da psiquiatria.

No entanto, apenas em 1996 conseguiu-se retomar o projeto do Museu da Loucura quando a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, por meio do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), firmou convênio com a Fundação Municipal de Cultura para concretizar a instalação do museu dentro do projeto Memória-Viva, que visa resgatar a história de Barbacena, mantendo em seus locais originais o núcleo histórico. O Museu da Loucura foi instalado no Torreão do Hospital, que possui uma beleza e suntuosidade arquitetônica.