No Dia do Meio Ambiente, estudantes mostram que preservação se aprende na escola
Escolas estaduais apresentam iniciativas diversas que aliam ações práticas ao pedagógico em busca de um planeta melhor

Há 40 anos comemora-se, em 05 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data, criada em uma Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972, surgiu para fazer uma reflexão sobre a degradação que o homem tem causado ao meio ambiente e os riscos para sua sobrevivência.
Depois de quatro décadas, o meio ambiente ainda corre riscos, mas a consciência ambiental tem ficado cada vez mais evidenciada, sobretudo entre os mais jovens. Não é por acaso que escolas da rede estadual de Minas Gerais colecionam bons exemplos de preservação e de cuidados com o meio ambiente.
A começar pela Escola Estadual José Bonifácio, de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As dicas sobre preservação e sustentabilidade, que começaram em sala de aula, estão refletidas além dos muros da escola. Em maio deste ano, alunos se mobilizaram para a revitalização de uma praça próxima à escola. Em evento que contou com o apoio da Secretaria de Estado de Educação e da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Ribeirão das Neves, os estudantes fizeram o plantio de mudas e conseguiram parcerias para fazer uma nova pintura no local.
“A escola, realmente, adotou a praça. Começamos com uma limpeza e capina no local. Também realizamos o plantio de mudas de espécies nativas da região. Com o término dessa revitalização, agora nós somos os responsáveis pelo monitoramento das árvores, a irrigação e a manutenção da praça”, explica a professora de geografia da escola, Ana Cristina Fernandes.
De acordo com o estudante Fernando Soares, aluno do 1º ano do Ensino Médio, o trabalho de revitalização da praça foi um sucesso. “A praça mudou muito, está muito mais bonita de se ver”, afirma o estudante, que considera que os pequenos atos podem ser de grande auxílio ao meio ambiente. “O simples ato de não jogar papel na rua já ajuda. Por isso é importante conscientizar as pessoas”, completa.
A recuperação de espaços que sofreram danos ao longo dos anos também está entre as ações desenvolvidas pelas escolas. Na região Noroeste de Minas também há exemplo de um trabalho bem sucedido na área de educação ambiental. Os alunos da Escola Estadual Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, no município de Vazante, deram a sua contribuição para o meio ambiente. Durante cinco anos, eles realizam trabalhos com o objetivo de recuperar uma das nascentes da cidade, que fica a seis quilômetros da escola.
“Começamos o projeto em 2006 e desde então já fizemos o cultivo de plantas nativas, isolamos a área e fazemos, uma vez por mês, a manutenção do local. Hoje a nascente que quase não tinha água já tem até peixe e a cada ano a vazão da água aumenta”, conta uma das idealizadoras do projeto “Plantando para o futuro: recuperando o meio ambiente”, a professora de biologia, Marli Rodrigues da Fonseca.
Entre as medidas adotadas estão o cultivo de plantas nativas e o trabalho de manutenção do local que é feito uma vez ao mês. Todo o trabalho foi desenvolvido por estudantes que participam do Programa Educacional de Atenção ao Jovem (Peas Juventude), da Secretaria de Estado de Educação.
Reutilização e sustentabilidade
A prática de reutilizar materiais é outro ponto forte. Na Escola Estadual Coronel Alcides Dutra, no município de Cristiano Otoni, estudantes e professores realizam um trabalho em parceria com a Copasa a partir do óleo de cozinha. O material que já foi utilizado é recolhido na cantina da escola e nos lares da comunidade. Na escola, existem galões apropriados para o armazenamento do óleo que é repassado a uma associação de catadores de resíduos sólidos de Conselheiro Lafaiete. Essa associação repassa esse óleo para uma empresa com licença ambiental para que, a partir dele, ocorra a produção de ração para aves.
“Tudo começou quando funcionárias da Copasa vieram apresentar um projeto de recolhimento de óleo de cozinha na escola. Com o apoio da direção, nossa escola logo abraçou a ideia. Começamos o projeto no início desse ano e já arrecadamos quase 100 litros de óleo”, explica a professora de biologia e química, Maria da Conceição Vieira e Silva.
O projeto será realizado até o final do ano, mas a iniciativa de reutilização do óleo também desperta novas ideias. “No quarto bimestre nós vamos separar um pouco do óleo para a produção de sabão. Esse trabalho será feito com os alunos do 2º e 3º anos do ensino médio. A produção terá a minha orientação e das professoras de Ciências Mônica Alves de Souza e Neide Sueli da Silva Souza que também são responsáveis pelo desenvolvimento do projeto” adianta a professora Bia.
Pensando na ideia de que o bom exemplo vem da escola, professores e alunos da Escola Estadual Coronel Paiva, em Ouro Fino, Sul de Minas, resolveram adotar medidas para transformar a instituição em um espaço sustentável. “O projeto começou há mais ou menos um mês. Nossa intenção é fazer uma modificação na própria escola, com a instalação de caixa d’água para fazer a coleta da água de chuva, telhados de vidro em alguns lugares para não precisar de usar luz artificial durante o dia”, explica o professor de ciências, Alex Emiliano de Souza.
O trabalho desenvolvido com alunos do ensino fundamental ainda mostra que a escola pode adotar outras práticas sustentáveis como a produção de horta utilizando garrafas pet. Com as famílias, o trabalho também tem continuidade. “Estamos começando a fazer o trabalho com os alunos para levar para os pais também. A coleta do óleo, por exemplo. Tivemos uma palestra para os alunos e professores que mostrava como é grave jogar o óleo no meio ambiente. Agora queremos levar isso aos pais”, completa o professor.