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Nova técnica pode ser alternativa no tratamento do câncer de coluna

Terça-feira | 14/08/2007 | 19:36·Atualizado em 19/06/2013 | 16:08
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BELO HORIZONTE (14/08/07) – Depois de meses de dificuldade, sessões de quimioterapia ou radioterapia, abalo emocional do paciente e sua família, surge então o momento de comemorar a vitória na batalha contra o câncer. O que muita gente não espera é que silenciosamente pode surgir um novo inimigo, a metástase. Isso acontece quando as células cancerosas se espalham, por exemplo, caindo na corrente sangüínea, se alojando em alguma outra parte do corpo. Uma das suas formas mais comuns é a manifestação na coluna vertebral, gerando dores e perda de força muscular (paresia), podendo trazer risco de danos neurológicos, paraplegia, entre outros agravos. As formas de câncer que mais geram metástases são também as mais freqüentes: mama, pulmão e próstata.

Porém, várias pesquisas visam alcançar uma luz no fim do túnel e dar aos pacientes melhores condições no seu dia-a-dia, prevenindo complicações e, conseqüentemente, proporcionando mais tempo de vida. Uma delas é a do ortopedista do Ipsemg, Rodrigo D’Alessandro, que desenvolveu, como tese para um mestrado, um novo método para tratamento do câncer da coluna, que está em fase de testes.

“No método que é usado atualmente, nós realizamos a radioterapia na área atingida pelo tumor, no entanto ela queima também tecido vivo (não atingido) da pessoa. O que estamos testando é uma forma já utilizada para o câncer de próstata, em que se insere ‘sementes’ radioativas, não sendo necessário irradiar áreas extensas do corpo, o que possibilita até aumentar as doses”, explicou o médico.

Segundo D’Alessandro, além da utilização do procedimento conhecido como braquioterapia, são feitas inserções de cimento ósseo (polimetilmetacrilato), uma substância que visa recuperar a estrutura da vértebra lesionada. Este outro método é chamado de vertebroplastia.

Pesquisa patenteada

A pesquisa do ortopedista, já patenteada nacionalmente pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aguarda o início da fase com testes em animais. Havendo resultados positivos nestes testes, ele poderá inscrever o projeto no Europe Spine, congresso realizado em Genebra, em maio de 2008, que premia os melhores estudos na área da medicina para a coluna.

“Fizemos simulação em um fantoma computacional, um software desenvolvido pelo Departamento de Engenharia Nuclear da UFMG, e obtivemos bons resultados. Agora é fazer os testes com coelhos e logo após poderemos fazer o ensaio clínico, ou seja, verificar como seria o tratamento nas pessoas”, apontou.

Rodrigo D’Alessandro destacou que o método é vantajoso, pois é um tratamento minimamente invasivo, o que segundo o ortopedista, “está de acordo com uma premissa atual da medicina internacional, não sendo necessárias internações longas, como para a realização de uma cirurgia, além de uma resposta mais eficiente à radioterapia”, adicionou.

Parafusos

Juntamente com os ortopedistas Bruno Pinto Coelho Fontes, Fernando Milton da Cunha e Pablo Mariotti Werlang, Rodrigo D’Alessandro desenvolveu um trabalho científico para testar pela primeira vez no país um método pesquisado e publicado por um grupo de médicos sul-coreanos. O estudo aborda tratamentos de escolioses – deformidades que provocam inclinações da coluna vertebral para os lados –, e da cifose de Scheuermann, que é um aumento anormal da concavidade posterior da coluna vertebral, inclinando-a para baixo. Para isso, utiliza-se tratamento cirúrgico para correção das curvaturas, com inserção de parafusos pediculares.

As pesquisas foram realizadas no Hospital da Baleia (D’Alessandro e Fontes também são do Grupo de Coluna da instituição), com 43 pacientes portadores das duas doenças. “Procuramos aplicar na prática uma experiência publicada na literatura médica. Esta técnica proporciona melhor correção, dispensa colete no período pós-operatório e melhor resultado cirúrgico”, afirmou Rodrigo.

Os resultados foram altamente satisfatórios, sendo que para a escoliose os pacientes apresentaram índice de correção aproximadamente de 70% para a escoliose, e de 100% para a cifose. O médico lembrou, no entanto, que é necessário conhecimento por parte do profissional da técnica e da anatomia da coluna vertebral, experiência com utilização de parafusos e planejamento cirúrgico cuidadoso para cada paciente.

Após a publicação dos testes na Revista Brasileira de Ortopedia, no ano passado, Rodrigo D’Alessandro está ampliando seus estudos sobre a correção da cifose por meio da utilização dos parafusos pediculares, em parceria com o médico Márcio Fim.