Número de casos de dengue em Minas está dentro da zona de segurança
BELO HORIZONTE (11/05/06) – Os quatro primeiros meses do ano apresentaram um aumento no número de casos de dengue no Estado, em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados hoje pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG). Porém, a situação está dentro da zona de segurança.
No mesmo período do ano passado, a instituição notificou 11.689 casos, sendo que até abril de 2006 foram 16.885. Em maio, já foram contabilizados 599 casos, perfazendo até então 17.484 notificações. O aumento se deve, de acordo com o coordenador de Zoonoses da SES, Francisco Lemos, à situação do Triângulo Mineiro. “Em Minas Gerais não ultrapassamos, em nenhum momento, a zona de alerta, que caracteriza uma epidemia. Este fato ocorreu apenas no Triângulo Mineiro, que corresponde hoje a 62% dos casos.”
Só para se ter uma idéia, as 20 cidades com maior número de casos representam 76% do total apresentado. Uberaba, 3.736 casos; Uberlândia 2.924; e Ituiutaba com 1.259 casos são as cidades com maior notificação.
Francisco Lemos ressaltou a introdução do vírus 3 da dengue no Brasil como um dos responsáveis pelo surto no Triângulo Mineiro. “Este sub-vírus chegou no Brasil em 2002 e causou epidemias localizadas. Outro fator relevante foi a redução no número de visitas residenciais nos municípios da região; quatro por ano, ao invés de seis; além do baixo envolvimento da população local, que relaxou com a baixa incidência de anos anteriores”, disse.
Dentre as ações realizadas pela SES no Triângulo, destacam-se, além do acompanhamento onde são verificadas possíveis falhas na condução dos trabalhos de campo e apontadas soluções viáveis, a execução de ações de controle do mosquito adulto fornecendo insumos e equipamentos para esta ação. Foram liberados 16 veículos de aplicação de UBV para Uberlândia e Uberaba, bombas costais manuais e motorizadas e máscaras completas para os agentes de campo.
Com os novos critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS), a SES passou a classificar a doença de três formas: clássica, com complicação e hemorrágica. “Os critérios para se determinar uma morte por dengue hemorrágica mudaram. Porém, existem alguns casos com gravidade, agora classificados como dengue com complicações, por não preencherem todos os quesitos da dengue hemorrágica. Seria um estágio entre a dengue clássica e a hemorrágica”, explicou a superintendente de Epidemiologia, Valéria Rodrigues.
Assim sendo, em Minas ocorreram três casos da febre hemorrágica da dengue, com um óbito, sendo que existem quatro casos em investigação. Contagem, Ipatinga e Campo Florido são os municípios que apresentaram a forma mais grave da doença. A dengue com complicações aconteceu em 17 casos, com dois óbitos, um em Uberaba e outro em Uberlândia.
Doença
As pessoas devem estar atentas aos sintomas que identificam a dengue, doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Muitas vezes confundida com gripe, com o aparecimento dos primeiros sintomas, o melhor é evitar a auto-medicação e procurar a unidade de saúde mais próxima.
A dengue provoca febre alta, dor de cabeça forte, dores generalizadas pelo corpo, principalmente nas articulações, músculos e atrás dos olhos. E, ainda, fraqueza extrema e manchas vermelhas pelo corpo.
A dengue hemorrágica é a forma mais grave da doença e, além dos sintomas da dengue clássica, pode apresentar dor forte no abdômen, vômitos, desmaios, queda de temperatura, queda de pressão, irritabilidade e sonolência. Uma pessoa que já contraiu dengue por um tipo de vírus, só pode pegar a doença outra vez se for por outro tipo. Os sintomas de dengue hemorrágica podem se manifestar na primeira infecção, mas aparecem com mais freqüência na segunda infecção por outro tipo de vírus. O período de incubação varia de três a quinze dias.
Como não há vacina contra a dengue, quando confirmada a doença, o tratamento do paciente é feito com repouso, ingestão de bastante líquido – soro caseiro, água filtrada e sucos – e remédios para dor e febre (analgésicos e antitérmicos). Os remédios que tenham em sua fórmula o ácido acetilsalicílico (Melhoral, AAS, Aspirina e outros) devem ser evitados.
O Aedes aegypti pode ser facilmente identificado. Esse mosquito é preto, possui listras e manchas brancas e é mais escuro que os mosquitos comuns. Quando se encontra na fase de larva e pupa, desenvolve-se em água parada. Ele pica preferencialmente durante o dia ou à noite com as luzes acesas. Só as fêmeas do mosquito sugam sangue para desenvolver os ovos, que são pequenos e podem ficar até 450 dias aderidos às paredes em recipientes secos. Depois de molhados, os ovos eclodem e dão origem às larvas. Parecidas com minhocas, essas larvas possuem cor clara e movimentos que lembram serpentes. Quando a larva passa à fase de pupa ganha a forma de uma vírgula. Quando as costas dessa pupa se abrem, o mosquito nasce. Esse ciclo dura de nove a 13 dias, o que depende das condições climáticas (temperatura e umidade). O mosquito adulto vive cerca de 35 dias e pode voar distâncias de aproximadamente cem metros. A dispersão do mosquito para distâncias maiores se dá com o transporte de ovos e larvas em recipientes. Uma única fêmea pode picar várias pessoas.
Agência Minas
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