Odete Valadares promove em BH palestra sobre violência sexual
Maternidade Odete Valadares celebrou o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Violência contra a Mulher com palestra sobre o tema. A maternidade é referência no atendimento a mulheres vítimas de violência sexual, desde 1990. Unidade integra Rede de Atenção à Violência.
BELO HORIZONTE (26/11/07) – A Maternidade Odete Valadares (MOV) celebrou o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Violência contra a Mulher, nesta segunda-feira (26), com uma palestra sobre o tema. A maternidade é referência no atendimento a mulheres vítimas de violência sexual, desde 1990. A unidade integra a Rede de Atenção à Violência, que contribui para a organização de novos serviços, a articulação entre eles e para evitar reincidência de casos.
Na maternidade, todo ano, cerca de 100 mulheres são atendidas por terem sofrido algum tipo de violência sexual. Até outubro deste ano, foram 93. Desde 2003, a instituição faz acompanhamento sistematizado do número de casos. Naquele ano, foram 121; em 2004, 169; em 2005, 164 e, no ano passado, 116. O psicólogo Francisco Viana observa que os dados não refletem redução das agressões, mas o encaminhamento das mulheres para outros serviços, como os dos hospitais Júlia Kubitschek, também da Rede Fhemig, das Clínicas e Municipal Odilon Behrens, em Belo Horizonte. A Região Metropolitana conta com esse atendimento especializado também em Betim e Contagem.
Mais de 70% dessas mulheres têm entre 12 e 29 anos e são solteiras, sendo 35,37%, de 10 a 19, e outros 35,37%, de 20 a 29 anos; a maioria (37%) tem ensino médio ou ensino médio incompleto. Mais de 60% delas foram agredidas em via pública, seja no trânsito de casa para a escola ou trabalho, ou vice-versa. “Elas pertencem às mais diversas profissões, mas, principalmente, àquelas ligadas a prestações de serviço, que iniciam a jornada de trabalho muito cedo. Ainda conforme estudo elaborado pelo psicólogo Francisco Viana, 66% dos agressores são desconhecidos, 23% são amigos, padrasto, companheiro da mãe ou vizinho e 6% parentes – pai, irmão, tio, primo, sobrinho.
Encaminhamentos
A primeira abordagem é feita por policiais militares, que são treinados para esse tipo de atendimento. Se a vítima apresenta agressões físicas, é encaminhada ao pronto-socorro; se está muito agitada, vai para a Maternidade Odete Valadares; mas, se está relativamente tranqüila, é levada para a delegacia e IML, para fazer exame de corpo de delito.
No momento em que ela é atendida no hospital, afirma o psicólogo Francisco Viana, a vítima de violência sexual é recebida pela equipe de plantão, que a examina e administra toda a medicação da profilaxia para doenças sexualmente transmissíveis e Aids. Ela faz exames de sangue e ginecológico. Quando é liberada do hospital, a vítima recebe uma cartilha com todas as explicações sobre o atendimento recebido, o que pode acontecer nos próximos dias e o que ela deve fazer. Além disso, afirma o psicólogo, ela sai com uma nova consulta clínica marcada no ambulatório, bem como avaliação psicológica, e com telefone e endereço para serem acionados caso haja algum problema ou dúvida.
Francisco Viana afirma que a protocolo do Ministério da Saúde determina que essa mulher seja acompanhada por, no mínimo, seis meses, com atendimento médico, psicológico e do serviço social mensal. Também são realizados pelo menos três exames laboratoriais para identificar a presença do vírus HIV, conforme exigência do protocolo. “Quando a mulher, por algum motivo, deixa de comparecer às consultas, é feita uma busca ativa”, afirma o psicólogo.
Atendimento
A qualidade da assistência às vítimas de violência sexual na Maternidade Odete Valadares foi avaliada durante estudo coordenado pelos psicólogos Silvana Pontes Bueno e Francisco Viana, que abordou o atendimento dos profissionais da MOV à paciente, desde o momento da entrada a saída. Participaram da pesquisa profissionais do atendimento, admissão, internação, bloco obstétrico, ambulatório, unidade de ginecologia e cirurgia.
“Há alguns casos que surpreendem e mobilizam a equipe, por causa da
identificação, algo que toca determinada pessoa em um momento específico, é subjetivo. Não adianta ter um protocolo, há questões que permeiam essa subjetividade. O que tocou a pessoa só ela sabe, e, muitas vezes, nem mesmo ela sabe. Cada um desenvolve um mecanismo de defesa. Daí a importância de espaços de reflexão para que os profissionais possam expressar estas questões”, observa a psicóloga Silvana Bueno.