Pacientes do Instituto Raul Soares recebem tribos indígenas no hospital
BELO HORIZONTE (22/03/07) – Cinco índios das tribos Pataxó, da Bahia, e Gavião, do Pará, levaram música, diálogo e alegria para os pacientes do Instituto Raul Soares (IRS) da Rede Fhemig, na manhã de hoje. “Nós gostamos de enfeites e de pinturas”, contou a índia Airi. Fênix, Tatu, Jaçanã, Airi foram a caráter para o encontro. A apresentação foi realizada na área verde do hospital para os pacientes e funcionários que conheceram um pouco mais da cultura das comunidades indígenas. “As minorias, qualquer que seja, devem se expressar. E a vinda dos índios ao ambiente hospitalar reavivam a reforma psiquiátrica, uma vez que esses pacientes falaram livremente e foram ouvidos. Eles se mostraram muito curiosos e receptivos”, disse o diretor de Divisão Técnico Assistencial, o médico psiquiatra Hélio Lauar.
Antes das atividades, os índios fizeram uma oração, prática comum na cultura deles, para iniciar as apresentações. Dança, músicas na língua nativa e em português animaram a platéia. Em clima de descontração, logo em seguida, foi aberto espaço para debate e rapidamente se formou uma fila de interessados em abrir a discussão. Os temas foram vários, indo desde os costumes, preconceitos, reforma agrária, princípios de democracia, impunidade política e conservação da floresta Amazônica. Também foram reafirmados pela comunidade indígena os valores da família, respeito ao próximo e consciência política.
O paciente João Paulo de Souza lembrou da necessidade de acabar com todos os tipos de preconceitos praticados na sociedade. “A palavra já diz tudo. É você fazer um juízo de valor sem antes conhecer o outro”, comentou em relação ao preconceito às comunidades indígenas e os pacientes de sofrimento mental. Já Ismael Batista falou da importância da preservação do meio ambiente. “Quando acabamos com as nossas árvores nativas estamos destruindo a nós mesmos, pois as matas funcionam como um pulmão e nenhum de nós conseguirá sobreviver, respirar”, disse.
Durante a tarde, o processo de integração ficou por conta dos trabalhos no campo das artes visuais. Os índios ensinaram os pacientes a produzir as biojóias confeccionadas por tribos brasileiras. De acordo com o psiquiatra Hélio Lauar, muitas vezes esse aprendizado torna-se uma fonte de renda quando essas pessoas saem do ambiente de internação.
Crianças
Os integrantes das tribos também visitaram a Creche Central Cantinho Feliz, que funciona nas dependências do hospital. Eles perguntaram como se fazem as casas, o que comem e como conseguem as penas para fazer o cocar. Sempre muito curiosas, as crianças tiveram oportunidade de almoçar com os índios que, no final da tarde, voltaram a fazer outra apresentação de shows de seus costumes. No final, Jaçanã fez uma avaliação do encontro, lembrando que é sempre interessante visitar instituições, como o Instituto Raul Soares e a creche. “Para nós também é muito importante estar em contato com o povo da cidade, para uma troca de experiências, vivências e alegria.”