Palácio das Artes finaliza Temporada de Óperas 2009
Estreia neste domingo (18), no Palácio das Artes, Erwartung, drama de Arnold Schöenberg que encerra a Temporada de Óperas 2009 da Fundação Clóvis Salgado. O espetáculo acontece nos dias 18, 20, 22 e 24 de outubro, no Grande Teatro. Os ingressos estão à venda a R$ 50, R$ 40 e R$ 30.
BELO HORIZONTE (13/10/09) - Estreia neste domingo (18), no Palácio das Artes, Erwartung, drama de Arnold Schöenberg que encerra a Temporada de Óperas 2009 da Fundação Clóvis Salgado. O espetáculo será apresentado nos dias 18, 20, 22 e 24 de outubro, no Grande Teatro, com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e a solista Eliane Coelho. As récitas acontecem às 19h, no domingo, e às 20h30, na terça, quinta-feira e sábado. Os ingressos estão à venda na bilheteria do teatro a R$50,00, R$40,00 e R$30,00 (meia-entrada conforme a lei).
Quem assina a direção da ópera é Gilberto Gavronski, que trabalhou ao lado de outros artistas de renome para levar aos palcos mineiros mais um grande espetáculo da música erudita. Os cenários são da artista plástica Adriana Varejão, imagens do videomaker Éder Santos, poesias de Guilherme Mansur e Ivo Barreto, declamadas por Antônio Grassi; iluminação de Telma Fernandes e figurinos de Ronaldo Fraga. Na direção musical e regência, o maestro Abel Rocha.
Enredo
O monodrama de Arnold Schönberg é uma obra para soprano e orquestra, com um ato e quatro cenas, e sua criação foi, no mínimo, curiosa: em 1909, o compositor conheceu Marie Pappenheim, uma estudante de Medicina com aspirações literárias, e a desafiou a escrever um libreto de ópera para ele. Três semanas depois, Marie entregaria a história a Schönberg. A estreia do espetáculo aconteceu em 1924, em Praga.
O enredo aborda um dos temas mais antigos e, ao mesmo tempo, mais atuais da humanidade: o amor. A história de Erwartung mergulha o público no tormento pelo qual passa uma mulher abandonada pelo amante e, dividida entre a paixão e a raiva, vaga em uma floresta na esperança de encontrar o seu amor. Durante cinqüenta minutos, a confusão entre o real e o imaginário, os medos, as perdas e os temores do ser humano são abordados por Schöenberg.
A música é marcada pelo rigor acadêmico de sua construção e pelos reflexos do Expressionismo, que muito influenciou Schöenberg. Neste campo, assim como nas outras formas de manifestação (pintura, teatro etc), o movimento pregava que a arte deveria ser a expressão de sentimentos e emoções, o que fica evidente em Erwartung.
A criação
Para dar vida ao espetáculo, Gilberto Gavronski repetiu um movimento bastante forte no final do século passado: o diálogo entre as diversas formas de arte. O diretor optou por trabalhar com artistas contemporâneos para a criação de toda a ópera e propôs um desafio de releitura do poema lírico de Pappenheim e da música de Schöenberg.
Para compor essa atmosfera e ajudar o público a compartilhar as sensações vivenciadas pela personagem, o cenário, que promete ser uma grande surpresa, as projeções, as poesias e os figurinos desempenham papel fundamental.
Esse é o segundo cenário de Adriana Vareja para óperas (o primeiro foi para Idomeneo, de Mozart, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro). A artista afirma que o caráter ousado e inovador de Erwartung é, para ela, um dos grandes diferenciais da montagem. “O que me instiga é que o cenário que criei propõe uma concepção cênica diferente, à medida em que é um meta-palco, um palco dentro do palco”. Para a cenógrafa, o intercâmbio entre artistas de áreas variadas também ajuda a alcançar um resultado final de alta qualidade: “Acho também incrível poder trabalhar com esses dois artistas mineiros que tanto aprecio: Eder Santos e Ronaldo Fraga. Tem sido incrível a minha troca com o Gilberto, entusiasmado e muito aberto e receptivo às minhas propostas”.
Schönberg
Arnold Schönberg nasceu em Viena, na Áustria, em 13 de setembro de 1874 e faleceu em 13 de julho de 1951 em Los Angeles. Desde 1892 dedicou-se exclusivamente ao estudo da música, compondo os primeiros lieder em 1897. Depois, em Berlim, ganhou a vida como orquestrador de operetas. Retornando a Viena desenvolveu intensa atividade pedagógica, e suas composições, quando executadas, eram recebidas com grande estranhamento.
O nome Schönberg evoca ao mesmo tempo a continuidade e a ruptura com a tradição musical. Inventor de um novo sistema musical, o dodecafonismo ou música serial, ele rompeu com o sistema tonal tradicional, herdado de compositores como J.S.Bach e Rameau.
Na música serial, a obra se elabora segundo uma série em que estão representados, sem nenhuma hierarquia, os 12 sons da escala cromática. Foi uma evolução sistemática, que partiu do hipercromatismo de Wagner de Tristão e Isolda para chegar à dissolução tonal (atonalismo) e, depois dessa, à construção do seu próprio sistema. Por isso, por ter desenvolvido até o último limite as conquistas pós-românticas, Schönberg merece ser considerado também como continuador de uma tradição.
Schönberg precisou defender-se contra permanentes críticas e objeções a este sistema, que segundo ele seria um entrave à liberdade criadora. Entretanto, em suas obras finais podem ser vistas tentativas de conciliação entre o seu método e o sistema tonal clássico.
Como teórico, Schönberg deixou obras de grande valor, destacando-se Tratado de harmonia (1911), Funções estruturais de harmonia (1951) e Estilo e ideia (1951). Schönberg também foi pintor em estilo expressionista, sendo notáveis seus auto-retratos.
Serviço
Evento: Temporada de Óperas 2009 – Erwartung, de Schöenberg
Data / Horário:
18/10 – 19h; 20, 22 e 24/10 – 20h30
Local: Grande Teatro do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1537, Centro)
Valor: Platéia I: R$ 50,00 / Platéia II: RS 40,00 / Platéia Superior: R$ 30,00
(meia-entrada conforme a lei)
Classificação etária: 10 anos
Informações: (31) 3236-7400