Parceria ajuda produtores de alimentos orgânicos a comercializarem em BH
Feira de Orgânicos oferece possibilidade de utilizar de maneira organizada os espaços públicos para a comercialização de alimentos
Dois irmãos produtores do município de Capim Branco, região Central de Minas Gerais, deram um passo importante para aumentar as vendas. Eles conseguiram autorização para montar uma barraca com seus produtos em uma avenida movimentada do bairro Gutierrez, em Belo Horizonte.
A oportunidade surgiu há alguns meses após os irmãos, orientados pela Emater-MG, decidirem participar do programa Feira de Orgânicos da Secretaria Municipal Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional (SMASAN). A barraquinha dos irmãos Elizânia e Edvan Barbosa fica em frente à sede da Emater-MG, na avenida Raja Gabáglia. No local, são vendidos produtos orgânicos, como cenoura, abobrinha, couve e brócolis entre outros.
Há 3 anos os irmãos produzem alimentos orgânicos. Eles são membros da Associação dos Produtores Orgânicos de Minas Gerais (Asproemg) e seus produtos têm a garantia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo Elizânia, a oportunidade de comercialização em Belo Horizonte irá ajudar nas vendas. “Esse novo ponto está sendo bom para nós. Esperamos vender pelo menos 20% a mais”, diz a produtora.
Criado em 2002, o Feira de Orgânicos tem como objetivo oferecer aos agricultores familiares da Região Metropolitana de Belo Horizonte a possibilidade de utilizar de maneira organizada os espaços públicos da cidade para a comercialização de alimentos orgânicos. A iniciativa também visa oferecer ao consumidor produtos de qualidade e preços acessíveis. Pelo programa foram implantados nove pontos de venda e beneficiados seis agricultores familiares.
A Emater-MG é uma das parceiras da SMASAN. Os extensionistas divulgam o programa nos municípios e orientam os interessados de acordo com as exigências e a disponibilidade de local de comercialização. “Daí para frente a Empresa tem a função de colaborar na execução do programa e de acompanhar a produção no município de origem para atender à demanda”, afirma o extensionista do escritório da empresa em Belo Horizonte, Raul Machado.
Capim Branco tem se destacado no Estado na produção de orgânicos. O município produz diversos alimentos orgânicos, como alface, taioba, quiabo, mandioca, tomate, entre outros. Só a produção de tomate chega a 60 toneladas/ano. Uma das principais ações da Emater-MG no município é incentivar a produção de alimentos orgânicos.
“Esse sistema de produção é melhor o agricultor familiar já que ele não tem contato com produtos tóxicos. E, para o consumidor, porque os alimentos estão livres de agrotóxicos. Além disso, os produtos têm uma durabilidade maior, e a produção deles não agride o meio ambiente”, diz o extensionista do escritório da Emater-MG em Capim Branco, Adenílson de Freitas.
Certificação ainda é dificuldade
Segundo a Emater-MG, Capim Branco tem 19 produtores de alimentos orgânicos. Desse total, nove são certificados. Uma das dificuldades enfrentadas pelos agricultores é com relação à certificação do produto. O valor pago pelo processo é considerado alto já que os produtores têm de contratar uma certificadora privada.
No entanto, em 2008, o Mapa passou a emitir a Declaração de Cadastro, documento que garante que o alimento é orgânico. A declaração, que substitui o selo de certificação, é emitida apenas para agricultores familiares e é gratuita. Em Capim Branco, seis produtores possuem a declaração do Mapa. A expectativa é que até o fim deste ano esse número chegue a dez.
Para conseguir o documento, os produtores devem criar uma Organização de Controle Social (OCS), fazer um cadastro no Mapa, apresentar termo de responsabilidade solidária assinado por todos os membros, declaração oficial comprovando que todos são agricultores familiares e elaborar o plano de manejo e de produção do grupo.
Nesse tipo de organização, o controle da produção se dá através do termo de responsabilidade solidária em que todos se comprometem a cumprir as regulamentações técnicas do plano de manejo e de produção. O controle da comercialização também é feito pelos agricultores, que são fiscalizados pelo Mapa.
De acordo com o extensionista Raul Machado, a Declaração de Cadastro do Mapa é um incentivo a mais para os agricultores familiares que produzem alimentos orgânicos. “O maior benefício que podemos citar é a oportunidade de acesso do agricultor familiar ao mercado de produtos orgânicos, obedecendo à legislação e com custo acessível para categoria”, diz.