Logo Agência Minas
Logo da Agência Minas

Notícia

Parceria vai capacitar 760 presos de Minas Gerais em construção civil

Sexta-feira | 11/02/2011 | 12:45·Atualizado em 03/06/2013 | 12:48
Compartilhar no Facebook
Compartilhar no LinkedIn
Compartilhar no X
Compartilhar no WhatsApp

BELO HORIZONTE (11/02/11) - O Estado de Minas Gerais será o primeiro do país a ser beneficiado pela parceria que envolve o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) - por meio do programa Começar de Novo - e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ainda no primeiro semestre deste ano, 760 detentos mineiros que foram incluídos no Plano Setorial de Qualificação (Planseq) do MTE irão participar de cursos de capacitação na área da construção civil. As aulas acontecerão dentro das unidades prisionais e, ao final, os presos participantes serão encaminhados para processos de seleção em empresas filiadas ao Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) e ao Sindicato da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot-MG).

Para o superintendente de Atendimento ao Preso, Guilherme de Augusto Faria Soares, a escolha de Minas Gerais como Estado pioneiro do novo projeto é resultado da forma com a qual o Sistema de Defesa Social lida com o trabalho prisional e pela disponibilidade em abraçar a iniciativa. “O Começar de Novo encontrou aqui um terreno fértil, devido ao quantitativo de dados que temos, pela forma de gerenciamento de informações e do sistema penitenciário. Além disso, Minas Gerais deu toda a abertura para a implantação do projeto, por meio do secretário de Estado de Defesa Social, Lafayette Andrada, dos gestores do sistema penitenciário e da sociedade civil, através dos sindicatos”, avalia.

Empregos

A maior parte dos cursos acontecerá em estabelecimentos prisionais da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), onde os detentos serão capacitados nas funções de pedreiro de alvenaria, pedreiro de acabamento, gesseiro, carpinteiro ou ajudante de eletricista. Guilherme Soares explica que a escolha pelas unidades da RMBH leva em consideração a necessidade de mão de obra que será demandada para as obras da Copa do Mundo de 2014, além de se tratarem de regiões com maior dificuldade de empregabilidade, com escassez de ofertas de trabalho e de profissionais qualificados.

O encaminhamento para processos seletivos, ao final dos cursos de capacitação, é um diferencial do projeto, que beneficia tanto os presos quanto os empresários e confirma a importância do envolvimento da sociedade nesse processo. “O Sicepot e o Sinduscom são entidades de classe que representam segmentos de empresários que também estão carentes de mão de obra qualificada”, afirma Guilherme.

Censo carcerário

No segundo semestre do ano passado, a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), por meio da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), realizou um censo carcerário, com a finalidade de coletar informações detalhadas de todos os presos de Minas Gerais para traçar perfis profissionais, identificando aptidões e talentos. Também foi feita uma análise quanto à ocupação, experiência de trabalho e educação dos detentos.

O Censo teve como base uma cartilha com orientações do CNJ e os dados coletados ficarão disponíveis em um banco de dados do programa Começar de Novo, que permitirá fazer um cruzamento de informações entre as vagas de trabalhos oferecidas pelas empresas parceiras e os perfis de presos.

Como superintendente de Atendimento ao Preso, Guilherme de Augusto Faria Soares, destaca que a disponibilização de cursos de capacitação e encaminhamento para processos seletivos demonstram a real finalidade do censo carcerário. “O censo não é o objeto, é o meio. O que a gente quer é a profissionalização e inserção no mercado de trabalho da população prisional e egressos do sistema”, conclui.