Pastejo rotacionado ganha adeptos em Minas Gerais
BELO HORIZONTE (08/08/08) - Os municípios de Carmo da Mata e Mutum, respectivamente no Centro-Oeste e no Leste de Minas, têm em comum a pecuária como principal fonte de renda e os bons resultados na aplicação do pastejo rotacionado. O sistema permite melhorar aproveitamento e conservação do pasto, o que resulta em aumento da produção e da renda dos produtores leite na região.
Em Mutum, segundo o técnico do escritório local da Emater-MG, Nelsomar Pereira Fonseca, oito propriedades fazem uso do manejo. "Os proprietários que adotaram o processo estão muito satisfeitos com os resultados. E o sucesso da experiência está se espalhando. Realizamos aqui um Dia de Campo em junho e tivemos a presença de mais 40 produtores de diversas localidades da região. Todos muito interessados em compreender a técnica", afirma Nelsomar.
Em Carmo da Mata, já são dez propriedades com o sistema implantado e aproximadamente outras dez em fase de implantação do pastejo rotacionado. O produtor Fernando Pereira é um exemplo dos benefícios e rentabilidade desse sistema. Depois de cogitar a possibilidade de vender sua propriedade, tamanha a desilusão com os resultados da atividade leiteira, agora já trouxe de volta um dos filhos, que havia buscado oportunidade melhor na cidade. Afinal, hoje, o cenário é outro. "Já estou pensando em trazer os outros, devido ao aumento dos serviços e da renda", afirma.
O coordenador técnico estadual de Bovinocultura da Emater-MG, José Alberto de Ávila Pires, avalia que o manejo adequado pode elevar a produtividade em até seis vezes, levando em consideração a otimização da área de pasto. "Com as animais soltos, a área utilizada é de um animal por hectare. Nos piquetes, o aproveitamento chega a seis animais por hectare", explica.
A técnica do pastejo rotacionado consiste na distribuição dos animais em piquetes (áreas cercadas) de aproximadamente um hectare, por um período de alguns dias, quando são então transferidos para outro piquete. Com essa rotatividade, as outras áreas de pasto conseguem "descansar", permitindo a recuperação do capim. Para que isso aconteça, os piquetes que estão em fase de descanso são adubados e, se necessário, recebem também sementes.
De acordo com José Alberto, coordenador da Emater-MG, com esse sistema, é possível conseguir boa produtividade em todo o ano, inclusive nos períodos de estiagem, em que o pasto naturalmente perde capacidade de suporte (ou seja, a cobertura de capim não é suficiente para alimentar os animais).
A produção de leite também tende a aumentar porque, além de capim com boa quantidade de proteína, os piquetes garantem maior conforto, o que resulta em economia de energia do gado. A recomendação, repassada pelos extensionistas da Emater-MG aos produtores, é que os piquetes estejam localizados perto do local de ordenha das vacas e que haja disponibilidade de água, além da mistura de sal e uréia, para complementar a alimentação.
Minas Leite
O estímulo à adoção do pastejo rotacionado é uma das ações do Programa Minas Leite, da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado. Implantado atualmente em 144 propriedades, o programa tem como objetivo modernizar a cadeia produtiva, com melhoria da qualidade do leite e melhor gestão das propriedades, para aumentar a renda dos pecuaristas. Minas Gerais é o maior produtor nacional de leite, com 7,2 bilhões de litros por ano, cerca de um terço da produção brasileira.