Pesquisa aponta aumento no número de carteiras assinadas no Rio Doce
Levantamento realizado pelo Governo de Minas mostra as características socioeconômicas, demográficas e culturais da população

Aumentou o percentual de pessoas com carteira assinada na região do Rio Doce. A informação integra os resultados da Pesquisa por Amostras de Domicílios (PAD), apresentados nesta quinta-feira (23), em Belo Horizonte. O estudo foi feito em 2011 pelo Governo de Minas, por meio da Fundação João Pinheiro e do Escritório de Prioridades Estratégicas. Foram visitados 428 municípios de todas as regiões do Estado e 18 mil residências.
A estimativa mostra que, no Rio Doce, os ocupados com carteira assinada somavam 31,4% da população em 2009. Em 2011, o percentual passou para 39,1%, o que corresponde a um aumento de 7,7 pontos percentuais em dois anos. A região ficou atrás apenas do Triângulo Mineiro, em que o percentual apresentou aumento de 9,5 pontos percentuais. No restante do Estado, com exceção da Zona da Mata, o aumento também foi verificado, mas em menor escala. A média mineira no quesito passou de 44,9% (2009), para 46,5% (2011).
Nícia Souza, pesquisadora do Centro de Estatística e Informações da Fundação João Pinheiro e coordenadora técnica da PAD, destaca que o mercado de trabalho em Minas obteve melhora acompanhando a um crescimento do País, mas também devido aos investimentos atraídos para o Estado.
“O mercado de trabalho no Brasil melhorou em um período recente. Conseguimos atravessar a crise de 2008 mais tranquilamente do que imaginávamos e isso se refletiu no mercado de trabalho. As outras pesquisas que acompanham o mercado de trabalho indicam uma melhoria na criação de vagas. O salário médio também vive um período favorável, especialmente como aumento do salário mínimo. Esta melhora recente vem da melhor situação econômica do país. Gerou mais investimentos, e Minas recebeu boa parcela deles”, comenta Nícia.
De acordo com a PAD, o rendimento médio mensal no Estado é de R$ 1.095,9. O Rio Doce alcançou R$ 1.030,4, superando regiões como o Sul de Minas (R$ 1.021,8) e Centro-Oeste (R$ 1.006,6). Já a taxa de desocupação aponta queda de 3,5 pontos percentuais, de 2009 para 2011, na região. Atualmente, estima-se que 6,4% da população esteja desocupada. Em todo o Estado a média é um pouco mais baixa, 4,5%.
População, educação e saúde
O Rio Doce abriga 1,6 milhão de pessoas, o que representa 8,4% da população mineira. A média de idade na região, para homens, é de 32,3 anos, e mulheres 34,4. A proporção de solteiros entre aqueles com idade entre 18 e 24 anos, é de 86,8%; entre 25 e 39 anos, 42,9%; entre 40 e 59 anos, 19,4%; e entre aqueles com 60 anos ou mais, 5,6%. O índice de migrante, indivíduo que declarou ter nascido em município diferente do de residência, é de 73,9%.
Com relação às condições de habitação, 96,9% dos domicílios possuem água canalizada e o percentual de residências atendidas por coleta de lixo é de 82%. Já domicílios atendidos por iluminação elétrica chegam a 99,8%.
A taxa de analfabetismo mensurada pela pesquisa na região apresentou redução, passou de 13,2%, em 2009, para 11,3%, em 2011. O índice só é melhor que no Norte e vales do Jequitinhonha e Mucuri. A média de Minas é de 9,4%. Segundo a subsecretária do Escritório de Prioridades Estratégicas e coordenadora do Núcleo de Avaliação, Análise e Informação, Gláucia Macedo, os números gerais do Estado mostram uma estabilidade da situação da Educação. “A diferença da taxa de analfabetismo de 2009 para 2011 (9,2% para 9,4%, respectivamente) não pode ser considerada uma queda, pois esta diferença é relativa à margem de erro dos resultados. No entanto, as taxas de analfabetismo do vale do Jequitinhonha/Mucuri, região Central e região do Rio Doce tiveram um decréscimo digno de nota”, avalia.
A taxa de escolarização de 6 a 14 anos é de 96,9%, de 15 a 17 anos é de 85,8%, de 18 a 24 anos é de 25,8%, e de 25 anos ou mais é de 3,3%. Com relação à média de anos de estudo das pessoas de 10 anos ou mais de idade é de 6,4.
Ainda segundo a PAD-MG, a autopercepção com relação à saúde é boa ou muito boa para 79,1% dos entrevistados do Rio Doce. O percentual de pessoas que possuem pelo menos uma doença crônica é de 71,3%; para duas ou mais, 12,9%; e nenhuma, 15,8%. A prevalência de hipertensão arterial é de 13,1% nos homens e maior entre as mulheres, 19,3%. Já pessoas que possuem plano ou seguro de saúde somam 17,6%.
Com relação à realização de exames preventivos entre a população feminina, verificou-se que 50,3% das mulheres acima de 25 anos se submetem ao papanicolau uma vez ao ano, e 39,1% ao exame clínico de mamas na mesma frequência; já 18,6% nunca realizaram o papanicolau, assim como 34,5% nunca passou pelo de mamas. Ainda entre a população feminina, 36,9% das mulheres acima de 35 anos passam pela mamografia até uma vez ao ano; enquanto 36,2% nunca se submeteram ao exame.