Pesquisa revela que obesas estão mais propensas ao câncer
BELO HORIZONTE (12/01/09) - A obesidade aliada à ausência de reposição hormonal é um fator causador do câncer de ovário, um dos mais difíceis de ser descoberto, sendo que em 75% dos casos, quando ocorre o diagnóstico, os tumores já se encontram bastante avançados. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pelo National Cancer Institute (NCI), dos Estados Unidos. Esse tipo de câncer, além de ser o que possui diagnóstico mais difícil é também o de maior letalidade. Só no Brasil, em 2006, 2571 mulheres morreram em decorrência da doença.
Embora menos freqüente que o de colo de útero, o câncer de ovário é o tipo de forma da doença mais letal que afeta o sistema ginecológico. “A prevenção para esse câncer é mais difícil e a letalidade maior, por se tratar de um órgão interno, difícil de ser avaliado através do exame clínico. Quando os sintomas aparecem, a doença, em muitos casos, já se disseminou por todo o abdome. Por isso é fundamental que as mulheres façam anualmente os exames CA 125 e ultrasson endovaginal, que ampliam a possibilidade de diagnóstico precoce", explica o coordenador do Programa de Prevenção do Câncer de Colo de útero de Mama da Secretaria de Estado de Saúde, Sérgio Bicalho.
Os estudos norte-americanos, que aconteceram entre 1996 e 2003, analisaram 303 casos de mulheres com idade entre 50 e 71 anos que tinham a doença nos ovários. No início da pesquisa, 25% das mulheres eram obesas e ainda a maioria das participantes eram de pele clara e tinham pouco mais de 60 anos de idade.
Ainda de acordo com a pesquisa, as mulheres que estão acima do peso têm 80% a mais de chance de desenvolverem a doença do que aquelas que mesmo não fazendo a reposição hormonal estão no peso ideal.
O excesso de peso leva a um aumento de estrogênio, que é o hormônio que regula o desenvolvimento das características sexuais e sistema reprodutivo feminino. Esse aumento pode acarretar no crescimento de células do ovário, levando assim ao câncer.
Brasil
Segundo dados do Ministério da Saúde, a faixa etária que mais apresenta a doença é acima dos 60 anos. No grupo que abrange as mulheres entre 60 e 69 anos, a taxa de mortalidade é 12,68% para cada 100.000 mulheres. Já na faixa etária de 70 a 79, o número sobe para 18.85% e aumenta ainda mais acima dos 80 anos, sendo de 26,30%.
As causas desse tipo de câncer são fatores hormonais, ambientais e genéticos, sendo que 90% dos cânceres de ovário são esporádicos, isto é, não apresentam fator de risco reconhecido. Já os outros 10% dos cânceres de ovário apresentam um componente genético ou familiar, sendo esse o fator de risco isolado mais importante.
O tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia e quimioterapia, sendo que a escolha vai depender do tipo de tumor, da idade, das condições do paciente e se o tumor é inicial ou recorrente. Se for detectada no início, principalmente nas mulheres mais jovens, é possível remover somente o ovário afetado.